Maior utilitário da marca no país, o Omoda 7 aposta em design futurista, muito espaço interno e uma proposta mais sofisticada para tentar disputar espaço com rivais já conhecidos. Ainda assim, mesmo cercado de tecnologia e potência, ele segue longe das primeiras posições de vendas no segmento.
O SUV utiliza praticamente o mesmo conjunto mecânico já visto no Jaecoo 7, além de compartilhar componentes com modelos da CAOA Chery, como Tiggo 7 PHEV e Tiggo 8 PHEV. A diferença é que, após mudanças nos critérios do Inmetro, os números oficiais de potência e torque passaram por revisão e ficaram mais próximos da realidade de uso.
Antes, a fabricante divulgava a soma máxima dos motores elétrico e a combustão, chegando a 339 cavalos e 52 kgfm. Agora, seguindo o padrão nacional, o SUV aparece com 279 cavalos e 37,2 kgfm de torque combinados. Na prática, isso explica melhor o desempenho entregue pelo carro, especialmente considerando seus quase 1.900 quilos de peso.

Mesmo assim, o desempenho impressiona. O Omoda 7 acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 7,8 segundos, resultado interessante para um SUV grande e pesado. O conjunto usa motor 1.5 turbo aliado a sistema híbrido plug-in e transmissão dedicada DHT, combinação que privilegia respostas rápidas e funcionamento suave na cidade.
O consumo varia bastante dependendo da carga da bateria. Mantendo o sistema elétrico acima dos 80%, o modelo conseguiu médias urbanas próximas de 18,6 km/l, enquanto na estrada ficou em torno de 14,1 km/l. Quando a bateria descarrega mais e o motor a combustão precisa trabalhar sozinho com maior frequência, os números caem consideravelmente.
As baterias possuem 18,3 kWh de capacidade e permitem rodar até 60 quilômetros no ciclo do Inmetro usando apenas eletricidade. Pelo padrão chinês, a autonomia pode chegar perto dos 90 quilômetros. O carregamento rápido em corrente contínua aceita até 40 kW, permitindo recuperar boa parte da carga em aproximadamente meia hora.
Apesar da mecânica moderna, o maior destaque do SUV continua sendo o visual. O Omoda 7 parece um carro pensado para o fim da década, com linhas agressivas, frente inspirada em esportivos elétricos e uma identidade difícil de confundir. A grade dianteira usa formas geométricas pouco convencionais e os faróis finos reforçam a proposta tecnológica.
Na traseira, o desenho também chama atenção pelas lanternas horizontais e pelas soluções mais ousadas de acabamento. O caimento do teto lembra SUVs cupês, enquanto a iluminação tem assinatura própria e acabamento sofisticado. É um daqueles carros que dificilmente passam despercebidos mesmo vistos de longe.
O modelo utiliza a plataforma T1X do grupo Chery, a mesma de vários SUVs da fabricante, mas recebeu ajustes próprios nas dimensões. São 4,66 metros de comprimento e 2,72 metros de entre-eixos, medida até superior à do Tiggo 8. Isso ajuda a explicar o excelente espaço interno oferecido aos passageiros.
O porta-malas também impressiona. São 590 litros de capacidade, número acima de muitos concorrentes diretos e até de alguns SUVs maiores. Há nichos laterais, tampa elétrica com regulagem de abertura e bom aproveitamento interno, embora o carro abra mão do estepe convencional para usar apenas kit de reparo.

Por dentro, o acabamento entrega sensação de categoria superior. O SUV mistura couro, tecidos macios e detalhes com aparência premium em praticamente toda a cabine. Os bancos dianteiros possuem ajustes elétricos e função de relaxamento, enquanto a versão mais cara adiciona aquecimento traseiro e sistema de som Sony com 12 alto-falantes.
O ambiente interno reforça a ideia de modernidade extrema. A central multimídia de 15 polegadas domina o painel e concentra quase todas as funções do veículo. Há ainda carregador por indução de 50 watts, iluminação ambiente, teto solar panorâmico e até sistema de aromatização interna integrado ao console.
Nem tudo, porém, agrada completamente. O painel de instrumentos digital é considerado pequeno para o porte e a proposta tecnológica do carro. Além disso, o banco do motorista poderia ter posição mais baixa, algo que motoristas mais altos acabam percebendo rapidamente no uso diário.
A suspensão independente nas quatro rodas ajuda bastante no conforto e na estabilidade. O conjunto com McPherson na dianteira e multilink na traseira filtra bem imperfeições e transmite sensação de carro refinado. Mesmo sendo grande, o SUV raspa pouco em lombadas e valetas graças aos bons ângulos da carroceria.
O principal desafio do Omoda 7 talvez esteja justamente no posicionamento. Custando entre R$ 255 mil e R$ 280 mil, ele entra numa faixa onde consumidores já consideram SUVs maiores, marcas tradicionais e até modelos premium usados. Ainda assim, para quem busca algo diferente, tecnológico, espaçoso e visualmente ousado, o SUV chinês entrega uma personalidade que poucos concorrentes conseguem oferecer hoje no Brasil.











