Será que vale a pena? Nissan Kait Active muda mais do que parecia
Foto: Nissan Dahruj Ceasa

A chegada do novo Nissan Kait Active mostra como os utilitários esportivos compactos mudaram no Brasil. Mesmo sendo a versão mais acessível da linha, o modelo tenta equilibrar espaço, conforto, equipamentos e mecânica confiável sem exagerar na sofisticação. A proposta é clara: entregar o essencial com aparência moderna e custo-benefício competitivo.

O Kait nasceu como uma evolução profunda do antigo Kicks Play, trazendo visual renovado, carroceria mais robusta e um pacote tecnológico atualizado. Com pouco mais de 4,30 metros de comprimento e entre-eixos acima de 2,60 metros, o utilitário chama atenção pelo espaço interno acima da média e pelo porta-malas generoso de 432 litros.

Na dianteira, o modelo aposta em um conjunto óptico totalmente em LED, incluindo luz diurna e setas, algo raro entre versões de entrada. O para-choque possui acabamento em preto brilhante e detalhes bem resolvidos, enquanto o capô ganhou vincos que reforçam a sensação de carro mais encorpado. Apesar disso, faltam alguns itens mais avançados de assistência à condução.

Será que vale a pena? Nissan Kait Active muda mais do que parecia
Foto: Nissan Dahruj Ceasa

A Nissan deixou visível que esta configuração é simplificada em alguns pontos. O carro não traz câmera frontal, frenagem automática de emergência nem alerta de colisão, equipamentos reservados para versões superiores. Ainda assim, o acabamento externo consegue transmitir boa impressão visual, principalmente pelas rodas de liga leve aro 17 e pelo conjunto traseiro sofisticado.


Na parte de trás, o Kait surpreende por utilizar iluminação integral em LED, incluindo lanternas e luz de placa. A tampa do porta-malas utiliza amortecedores, há bom acabamento interno e a abertura revela um compartimento amplo para bagagens. A ausência do tampão, porém, é uma das diferenças mais perceptíveis em relação à versão Sense.

O interior segue a mesma filosofia racional. O painel utiliza bastante plástico rígido, mas a montagem agrada e algumas texturas ajudam a melhorar a sensação visual da cabine. Mesmo na versão Active, o utilitário mantém direção elétrica leve, chave presencial, partida por botão, piloto automático e sensores automáticos de iluminação.

Os bancos possuem desenho simples, porém confortáveis, com boas abas laterais e posição de dirigir elevada. O espaço traseiro acomoda adultos sem grande sofrimento, principalmente pela altura do teto e pelo entre-eixos avantajado. Há entradas USB do tipo C, encostos de cabeça para todos e fixações Isofix, reforçando o foco familiar do carro.

A central multimídia da versão básica é mais enxuta que a das configurações superiores, mas a Nissan manteve comandos físicos para facilitar o uso diário. O ar-condicionado ainda possui comandos mecânicos, enquanto o console oferece tomadas USB tipo A, USB tipo C e entrada 12 volts. O câmbio CVT traz seis marchas simuladas e funcionamento suave no trânsito urbano.

Será que vale a pena? Nissan Kait Active muda mais do que parecia
Foto: Nissan Dahruj Ceasa

No comportamento dinâmico, o Nissan Kait chama atenção pelo acerto da suspensão. A dianteira utiliza sistema McPherson e a traseira trabalha com eixo de torção, combinação tradicional na categoria. Mesmo assim, o utilitário entrega rodagem macia, silenciosa e confortável, característica bastante elogiada durante o uso em ruas esburacadas e viagens.

A mecânica aposta no conhecido motor 1.6 aspirado de quatro cilindros, chamado de HR16 pela Nissan e H4M na Renault. É um propulsor antigo, longe de ser moderno ou esportivo, mas ganhou fama pela durabilidade e baixa incidência de problemas graves. Muitos mecânicos consideram esse conjunto um dos mais resistentes do segmento.

O motor entrega até 113 cavalos com etanol e trabalha junto ao câmbio CVT da Jatco. O desempenho não impressiona, com aceleração de 0 a 100 km/h em torno de 11,8 segundos, mas a proposta aqui nunca foi esportividade. O foco está na confiabilidade mecânica, no funcionamento suave e no custo menor de manutenção ao longo do tempo.

Debaixo do capô, o conjunto mostra soluções simples e acessíveis para manutenção. Componentes como filtro de ar, vareta de óleo, bateria e sistema de arrefecimento ficam em áreas de fácil acesso. O motor utiliza corrente de comando, dispensando troca periódica de correia, embora exista a necessidade de regulagem de válvulas em determinadas quilometragens.

Nem tudo é perfeito. Algumas soluções ainda lembram projetos antigos, como a necessidade de remover o coletor de admissão para acessar duas velas do motor, aumentando o custo da mão de obra. Também há economia em detalhes visuais, como partes internas do cofre sem pintura na cor da carroceria e excesso de plástico rígido na cabine.

Mesmo com simplificações evidentes, o Nissan Kait Active tenta compensar entregando um pacote equilibrado. O modelo reúne seis airbags, bom espaço interno, iluminação em LED, suspensão confortável e mecânica conhecida pela robustez. Em um mercado cada vez mais caro, a versão de entrada aposta justamente no básico bem executado para conquistar quem busca um utilitário esportivo sem excessos.

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