O mercado brasileiro de carros elétricos ganhou um novo protagonista nos últimos meses. O Geely EX2 chegou cercado de desconfiança, mas rapidamente virou um fenôeno de vendas ao ultrapassar 12 mil unidades comercializadas desde o lançamento. O hatch compacto conquistou espaço justamente por entregar uma combinação rara hoje: visual moderno, bom espaço interno, autonomia convincente e preço competitivo dentro da categoria elétrica.
O sucesso foi tão grande que nem a própria fabricante esperava tamanha procura. Somente em abril, mais de 3 mil unidades foram vendidas, número que acabou gerando filas de espera e atrasos nas entregas. Há compradores relatando prazos acima de 90 dias, situação que obrigou a marca até mesmo a reajustar os preços poucos meses após o lançamento oficial no Brasil.
Quando chegou ao mercado, o Geely EX2 Pro custava R$ 119.990, mas agora já aparece por R$ 123.980. Mesmo assim, continua ocupando uma posição estratégica entre os principais rivais elétricos do país. Ele fica acima dos compactos menores em tamanho e acabamento, mas ainda custa menos do que modelos mais sofisticados da categoria, tentando atingir justamente o consumidor que quer migrar para um elétrico sem gastar demais.

Visualmente, o hatch aposta em um desenho diferente do padrão visto nos compactos chineses atuais. A dianteira traz conjunto óptico Full LED com máscara negra, detalhes cromados e luzes diurnas em formato curvo, enquanto a parte inferior usa acabamento preto fosco para reforçar o aspecto urbano. Apesar do estilo moderno, a versão de entrada deixa de oferecer itens mais avançados de assistência à condução.
Na lateral, o modelo mistura elementos futuristas com detalhes simples demais para a faixa de preço. As maçanetas embutidas ajudam na aerodinâmica e o teto totalmente limpo cria uma aparência sofisticada, mas a presença de calotas ainda incomoda parte do público. As rodas de aço aro 15 acabam destoando de um carro elétrico que tenta transmitir modernidade em praticamente todos os outros pontos do projeto.
O conjunto mecânico também chama atenção porque o Geely EX2 usa tração traseira, algo incomum entre compactos elétricos vendidos no Brasil. Isso altera bastante a sensação ao dirigir, principalmente nas manobras. O esterçamento maior facilita estacionar em vagas apertadas e deixa o carro mais ágil na cidade, justamente onde ele foi pensado para atuar com maior eficiência.
A suspensão dianteira independente do tipo McPherson e o sistema multilink traseiro ajudam a elevar o conforto e deixam o comportamento mais refinado que muitos concorrentes diretos. O hatch ainda conta com freios a disco nas quatro rodas, controles eletrônicos de estabilidade e tração, além de uma calibração voltada claramente para o uso urbano diário.
Outro destaque importante está no conjunto elétrico. A bateria de 39,4 kWh permite recarga em corrente alternada de até 6,6 kW e carregamento rápido em corrente contínua de até 70 kW. Segundo a fabricante, é possível recuperar de 30% a 80% da bateria em aproximadamente 21 minutos em carregadores rápidos compatíveis.
Na autonomia, os números também ajudam a explicar o sucesso comercial. O Inmetro aponta alcance de 289 quilômetros, enquanto o ciclo chinês divulga algo próximo dos 400 quilômetros. No uso real, a expectativa fica perto dos 350 quilômetros em condições urbanas moderadas, resultado considerado bastante competitivo para um hatch compacto totalmente elétrico.
Por dentro e na parte traseira, o Geely EX2 tenta compensar alguns cortes de equipamentos com soluções práticas. O porta-malas oferece 375 litros de capacidade, superando diversos concorrentes diretos. O acabamento interno da tampa é bem revestido, os bancos possuem divisão bipartida e ainda existe espaço adequado para o carregador portátil que acompanha a versão Pro.

Nem tudo, porém, é perfeito no projeto. O modelo não traz limpador traseiro, algo que gerou críticas principalmente entre motoristas que enfrentam chuva constante em estrada. Outro detalhe questionado é a ausência de estepe, substituído apenas por kit de reparo rápido, solução cada vez mais comum entre elétricos, mas que ainda divide opiniões no mercado brasileiro.
Na traseira, o desenho segue a mesma proposta futurista vista na dianteira. As lanternas em LED escurecidas criam identidade visual forte, enquanto o nome da marca aparece repetido em diferentes pontos da carroceria para reforçar reconhecimento. O para-choque usa acabamento preto fosco e sensores de estacionamento integrados, além de câmera de ré já presente na versão de entrada.
O crescimento do Geely EX2 também coincide com a ampliação dos incentivos aos veículos eletrificados no Brasil. O hatch deve entrar em programas de financiamento ligados ao setor sustentável, o que pode ampliar ainda mais sua presença entre motoristas de aplicativo e taxistas. Com garantia de oito anos para a bateria e seis anos para o veículo, o compacto elétrico mostra que chegou para disputar espaço de forma séria em um dos segmentos mais competitivos do mercado brasileiro.










