A tradição da Mitsubishi no segmento de picapes médias ganhou um novo capítulo com a chegada da Triton Katana 2026 ao mercado brasileiro. A sexta geração da caminhonete mudou de nome, abandonou a sigla L200 e apostou em um projeto mais moderno, tecnológico e refinado, sem abrir mão da robustez que transformou o modelo em referência entre quem procura resistência, força e capacidade fora de estrada.
A história da picape no Brasil começou ainda em 1991, quando ela desembarcou como importada e rapidamente conquistou espaço entre produtores rurais, empresas e consumidores apaixonados por veículos preparados para qualquer terreno. O sucesso foi tão grande que a Mitsubishi nacionalizou a produção em 1998, na fábrica de Catalão, em Goiás, onde o modelo continua sendo fabricado até hoje.
A nova geração chegou ao país no fim de 2024 trazendo mudanças importantes no visual, na mecânica e também no posicionamento da linha. Agora chamada apenas de Triton, a caminhonete ganhou diversas versões, desde opções voltadas para trabalho pesado até modelos mais sofisticados, como a Katana, topo de linha da gama, e a Savannah, preparada para aventuras extremas no fora de estrada.

Visualmente, a Katana chama atenção pelo desenho mais quadrado e imponente, reforçando a sensação de robustez. A versão recebeu rodas exclusivas, detalhes escurecidos na carroceria, santo-antônio diferenciado e um conjunto óptico totalmente em LED, com direito a farol alto automático que reduz a intensidade sozinho quando detecta veículos na direção contrária.
Debaixo do capô está o conhecido motor 2.4 turbodiesel da Mitsubishi, agora atualizado com sistema biturbo. Um dos turbocompressores trabalha em baixas rotações e o outro em rotações mais altas, garantindo respostas rápidas mesmo com mais de duas toneladas de peso. O conjunto entrega 205 cavalos e 47,9 kgfm de torque, números suficientes para levar a picape aos 100 km/h em 11,4 segundos.
O câmbio automático de seis marchas prioriza resistência e funcionamento suave, característica importante para uma caminhonete que também encara trabalho pesado. O sistema de tração oferece diferentes modos, incluindo 4×2, 4×4 sob demanda, reduzida e bloqueio do diferencial traseiro, além de sete programas eletrônicos adaptados para diferentes tipos de terreno.
Mesmo grande e pesada, a Triton surpreende pelo consumo. Em uso misto entre estrada e cidade, a média pode passar dos 12 km por litro de diesel, algo impressionante para uma picape desse porte. O tanque de 75 litros ainda garante excelente autonomia, permitindo viagens longas sem grandes preocupações com abastecimento.
A capacidade fora de estrada continua sendo um dos maiores destaques do modelo. A picape possui ângulos generosos de entrada e saída, suspensão elevada e capacidade de submersão de até 70 centímetros. Além disso, a suspensão ficou mais confortável nesta geração, reduzindo a rigidez típica das antigas caminhonetes médias da marca sem comprometer a resistência.
Na traseira, a Triton aposta em lanternas enormes e linhas musculosas que reforçam a aparência agressiva. A caçamba suporta mais de uma tonelada de carga e ultrapassa os mil litros de capacidade volumétrica. A tampa traseira possui câmera integrada, mas ainda não conta com amortecimento na abertura, algo esperado em um veículo desta faixa de preço.

Por dentro, a evolução é clara. O interior abandonou o aspecto simples das gerações anteriores e ganhou linhas horizontais, acabamento mais refinado e melhor sensação de qualidade. Há materiais macios ao toque em partes do painel e das portas, costuras aparentes e bancos largos, confortáveis e com desenho mais sofisticado.
A central multimídia aposta em uma solução que muitos consumidores ainda preferem: botões físicos para as principais funções. O ar-condicionado digital de duas zonas também utiliza comandos tradicionais, facilitando o uso durante a condução. A multimídia possui Android Auto com fio, Apple CarPlay sem fio e navegação própria para situações sem internet.
O painel mistura instrumentos analógicos com uma tela digital configurável, exibindo informações como consumo, autonomia, inclinação do veículo, funcionamento da tração e dados do controle de cruzeiro adaptativo. A câmera 360 graus ajuda bastante nas manobras, principalmente porque as janelas menores prejudicam um pouco a visibilidade lateral.
O espaço interno cresceu nesta geração e beneficiou principalmente quem viaja atrás. A cabine acomoda três adultos com conforto razoável, oferece boa largura e vários porta-objetos espalhados pelo interior. Apesar disso, faltam saídas dedicadas de ar-condicionado para os passageiros traseiros, substituídas apenas por um sistema de recirculação do ar vindo da dianteira.
Na estrada, a Mitsubishi Triton Katana entrega uma condução mais refinada do que muitos imaginam para uma picape média. A direção leve, o isolamento acústico eficiente e os assistentes eletrônicos tornam a experiência próxima da de um utilitário esportivo. Custando cerca de R$ 350 mil, ela enfrenta rivais fortes como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10, mas aposta justamente na combinação entre robustez, economia e tradição para continuar relevante em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro.











