A chegada do Leapmotor B10 ao Brasil reforça a disputa em um dos segmentos mais competitivos do mercado de veículos eletrificados. O utilitário esportivo médio da fabricante chinesa desembarca com a missão de enfrentar rivais já consolidados, apostando em uma combinação de espaço interno generoso, boa tecnologia embarcada, pacote de segurança robusto e a parceria estratégica com o grupo Stellantis.
Fundada em 2015, a Leapmotor é uma das marcas chinesas mais recentes do setor automotivo. Apesar da pouca idade, a empresa ganhou relevância internacional após a entrada da Stellantis em sua estrutura societária. Hoje, o conglomerado responsável por marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën detém participação importante na operação global da fabricante, ampliando sua presença fora da China.
O B10 chega ao país em configuração única totalmente elétrica. Com 4,51 metros de comprimento, 2,73 metros de entre-eixos e 1,88 metro de largura, o modelo é maior do que alguns concorrentes tradicionais da categoria. As dimensões ajudam a explicar uma das características mais marcantes do veículo: o amplo espaço destinado aos ocupantes.

No banco traseiro, o destaque é justamente a sensação de amplitude. O assoalho completamente plano, típico dos veículos elétricos, favorece o conforto de quem viaja no assento central. Há espaço abundante para pernas, joelhos, ombros e cabeça, além de saídas de ar-condicionado, entradas USB e um enorme teto panorâmico de vidro que se estende até os passageiros da segunda fileira.
A preocupação com o conforto dos ocupantes também aparece no acabamento. Diferentemente do que costuma ocorrer em muitos utilitários esportivos médios, as portas traseiras mantêm praticamente o mesmo padrão de materiais encontrados na dianteira. Há superfícies macias ao toque, revestimentos agradáveis e um nível de refinamento acima da média da categoria.
Apesar dos elogios ao espaço interno, alguns detalhes poderiam ser melhorados. O banco traseiro poderia ficar ligeiramente mais elevado para oferecer melhor apoio às pernas dos passageiros. Além disso, faz falta um apoio de braço central, item presente em outros modelos da marca e que contribuiria para aumentar ainda mais a sensação de conforto em viagens longas.
O porta-malas segue uma filosofia diferente da adotada por muitos concorrentes. Embora os 365 litros declarados possam parecer modestos em um primeiro momento, existe um compartimento adicional sob o piso que acrescenta cerca de 90 litros extras para bagagens menores. O acabamento interno também chama atenção pelo cuidado nos detalhes, incluindo revestimentos de boa qualidade e soluções práticas para o uso cotidiano.
Até mesmo elementos discretos demonstram uma preocupação maior com a experiência do usuário. Um exemplo está no puxador interno da tampa traseira, que recebeu uma pequena área emborrachada para melhorar a pegada durante o fechamento. São soluções simples, mas que revelam atenção à ergonomia e à percepção de qualidade.
Visualmente, o B10 consegue fugir da imagem de veículo genérico que frequentemente acompanha alguns automóveis chineses. A dianteira com faróis divididos em dois níveis cria uma identidade própria para a marca, enquanto a traseira adota uma barra luminosa integrada que reforça a sensação de largura. O conjunto transmite uma aparência moderna sem abrir mão da personalidade.
Debaixo da carroceria, o modelo utiliza um motor elétrico instalado no eixo traseiro, entregando 218 cavalos de potência e 24,5 kgfm de torque. A configuração de tração traseira ajuda a proporcionar respostas rápidas nas acelerações e contribui para uma condução mais equilibrada. O desempenho é favorecido também pelo peso inferior em relação ao irmão maior C10.
Quando o assunto é segurança, o utilitário esportivo apresenta um dos conjuntos mais completos da categoria. O modelo oferece frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego, monitoramento do motorista e sete airbags, incluindo um raro airbag central destinado a reduzir impactos entre os ocupantes em colisões laterais.
O bom pacote tecnológico ajudou o veículo a conquistar nota máxima em importantes avaliações internacionais de segurança. Embora ainda não tenha sido submetido aos testes do Latin NCAP, o histórico obtido em outros programas de colisão reforça a expectativa de um desempenho elevado também em futuras avaliações voltadas ao mercado latino-americano.

Na cabine, a central multimídia de 14 polegadas assume praticamente todas as funções do veículo. Equipada com processador Snapdragon, ela oferece respostas rápidas, gráficos modernos, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, câmera de visão 360 graus, gravação de condução, aplicativos integrados e diversas configurações relacionadas à condução e ao carregamento.
Ao mesmo tempo, a forte digitalização traz alguns inconvenientes. A ausência de botões físicos obriga o motorista a acessar menus da central para ajustar itens como ar-condicionado, espelhos, iluminação e diversas funções do veículo. Outro ponto controverso é a substituição da chave presencial por um cartão com tecnologia de aproximação, sistema que exige etapas extras tanto para destravar quanto para colocar o veículo em movimento. Ainda assim, o Leapmotor B10 reúne qualidades suficientes para se destacar pelo espaço interno, acabamento, segurança e tecnologia, posicionando-se como uma das novidades mais interessantes entre os SUVs elétricos que chegam ao mercado brasileiro.











