O GWM Haval H9 chega ao mercado brasileiro com a proposta de ocupar um espaço cada vez mais raro entre os utilitários esportivos modernos: o de um veículo grande, robusto, com capacidade para sete ocupantes, motorização a diesel e vocação real para o fora de estrada. Em um segmento dominado por modelos voltados ao uso urbano, o utilitário da marca chinesa aposta justamente na força e na versatilidade para conquistar seu público.
Durante um teste de consumo realizado em percurso urbano padronizado, o modelo mostrou um comportamento coerente com sua proposta. O trajeto foi realizado integralmente na cidade, com ar-condicionado ligado durante todo o percurso e utilizando a configuração de tração 4×2, exatamente como a maioria dos proprietários deverá utilizar o veículo no dia a dia.
Sob o capô está um motor 2.4 turbodiesel de quatro cilindros com injeção direta, capaz de entregar 184 cavalos de potência e 48,9 kgfm de torque. Embora os números pareçam modestos para um veículo deste porte, o conjunto privilegia a força em baixas rotações e o trabalho conjunto com a transmissão automática de nove marchas desenvolvida pela própria GWM.

O sistema de tração é um dos pontos que mais chamam atenção. Além do modo 4×2 utilizado em condições normais, o H9 oferece tração integral automática, reduzida e bloqueio dos diferenciais dianteiro e traseiro. Trata-se de uma configuração robusta e cada vez mais rara no mercado, especialmente em um modelo de origem chinesa vendido no Brasil.
A proposta aventureira ajuda a explicar parte dos números registrados no consumo. O H9 pesa impressionantes 2.525 quilos em ordem de marcha, sem considerar passageiros ou bagagens. A combinação de carroceria grande, estrutura reforçada, sistema 4×4 e capacidade para sete ocupantes naturalmente impacta no desempenho e na eficiência energética.
Mesmo assim, o resultado obtido no teste urbano foi positivo. Após percorrer exatamente 10 quilômetros, o veículo registrou média de 9,8 km/l de diesel, superando inclusive a marca de 9 km/l divulgada pelo Inmetro para uso urbano. O percurso foi concluído em 22 minutos, com velocidade média de 27 km/h, números ligeiramente diferentes dos testes normalmente realizados no mesmo trajeto.
As condições do trânsito também influenciaram o resultado. Durante o percurso houve uma quantidade maior de semáforos fechados, exigindo mais frenagens e retomadas de velocidade. Mesmo contando com o sistema Start-Stop, que desliga automaticamente o motor em paradas, esse tipo de situação tende a aumentar o consumo em qualquer veículo.
Para reduzir as variações, o teste segue sempre o mesmo padrão, repetindo o mesmo trajeto, com estilo de condução semelhante e ar-condicionado permanentemente ligado. Ainda assim, fatores externos como trânsito, obras, caminhões realizando entregas ou veículos entrando em garagens podem alterar levemente os resultados finais.
Entre os recursos tecnológicos presentes no SUV, destaca-se o sistema de câmeras com visão de 360 graus, utilizado durante as manobras finais do teste. A funcionalidade oferece boa visualização ao motorista, embora só possa ser acionada em velocidades inferiores a 30 km/h, algo que limita seu uso em algumas situações.
Ao comparar o resultado com outros modelos a diesel já avaliados no mesmo percurso, o Haval H9 posiciona-se em uma faixa intermediária. O Jeep Commander Overland 2.2 turbodiesel registrou 11,1 km/l, enquanto a Fiat Titano Ranch, equipada com o mesmo motor, alcançou exatamente a mesma média. Já a Mitsubishi Triton Katana foi a mais eficiente entre os modelos a diesel testados, chegando a 12,2 km/l.

Por outro lado, o utilitário da GWM conseguiu superar algumas concorrentes importantes. A Chevrolet S10 Z71 registrou 8,8 km/l no mesmo percurso, enquanto a Nissan Frontier Pro4X alcançou 8,9 km/l. Isso demonstra que, apesar do peso elevado e das dimensões generosas, o H9 consegue entregar números competitivos dentro de sua categoria.
Com preço sugerido de R$ 329 mil e sem cobrança adicional pelas opções de pintura, incluindo a exclusiva tonalidade cinza fosca, o Haval H9 aposta em um conjunto que privilegia espaço, robustez e capacidade fora de estrada. O consumo urbano não impressiona quando analisado isoladamente, mas considerando o tamanho, o peso e a proposta do veículo, o resultado de quase 10 km/l pode ser considerado satisfatório e coerente com aquilo que o modelo oferece.











