A decisão da Geely de fabricar o EX2 no Brasil marca uma nova etapa da estratégia da montadora chinesa no país. O hatch elétrico deixou de ser apenas uma aposta para se transformar em um dos principais pilares do plano de expansão da marca no mercado nacional, impulsionado pela forte procura registrada desde sua estreia.
Em poucos meses de atuação no Brasil, o EX2 superou as expectativas comerciais da fabricante. A aceitação do público foi tão expressiva que acelerou os planos industriais da empresa, que inicialmente tratava a produção nacional do modelo apenas como uma possibilidade para o futuro.
O resultado mais evidente desse desempenho apareceu nos números de vendas. O hatch elétrico acumulou forte volume de emplacamentos e rapidamente se consolidou como um dos produtos mais relevantes da Geely no país, reforçando o potencial do segmento de veículos compactos movidos a eletricidade.
Quando iniciou oficialmente suas operações no mercado brasileiro, em novembro de 2025, a montadora tinha como prioridade a nacionalização do utilitário esportivo EX5. Naquele momento, o EX2 ainda era analisado internamente e não figurava entre os modelos confirmados para produção local.
A rápida evolução da demanda, porém, alterou os planos da empresa. Em menos de um ano, o cenário mudou completamente e o hatch passou de candidato à nacionalização para segundo veículo oficialmente confirmado dentro do programa de fabricação brasileira da marca.
A produção será realizada no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. A unidade faz parte da parceria entre Renault e Geely e vem sendo preparada para receber a fabricação de veículos eletrificados destinados ao mercado nacional.
Atualmente, a fábrica é responsável pela produção de modelos da Renault, como a Oroch e o Master. Com a chegada do EX2, a estrutura ganhará uma nova função estratégica, ampliando sua participação na produção de veículos com tecnologias de eletrificação.
A nacionalização do hatch também acompanha uma tendência observada em diversas montadoras. Com o avanço gradual das alíquotas de importação para veículos eletrificados, produzir localmente tornou-se uma alternativa importante para reduzir custos e aumentar a competitividade.
Além da questão tributária, a escolha do EX2 revela uma aposta clara da Geely em modelos de maior volume de vendas. Em vez de concentrar esforços apenas em veículos mais caros, a fabricante decidiu incluir um automóvel compacto em seus planos industriais brasileiros.
A chegada do EX2 à linha de montagem nacional não altera os cronogramas já definidos para outros produtos. O EX5, utilitário esportivo híbrido plug-in, continua previsto para inaugurar a produção local da marca e deverá começar a ser fabricado ainda neste ciclo industrial.
Executivos da operação brasileira já indicaram que o processo produtivo contará com etapas locais mais abrangentes. A proposta envolve atividades de montagem e acabamento realizadas no país, superando o modelo baseado apenas na importação de conjuntos prontos.
Para a Geely, a fabricação do EX2 no Brasil vai além da simples instalação de uma linha de produção. A iniciativa reforça a importância estratégica do mercado brasileiro nos planos globais da companhia e sinaliza um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da mobilidade eletrificada no país.










