A Nissan confirmou o fim das vendas do Sentra no Brasil, encerrando uma trajetória iniciada em 2004. A atual geração, importada do México desde 2023, deixará o portfólio da marca sem previsão de novos lotes. Em nota oficial, a fabricante afirma que a decisão faz parte do “ciclo de vida natural” do produto e informou que apresentará sua nova estratégia para o segmento “no momento oportuno”. O anúncio marca mais um capítulo da retração dos sedãs médios no mercado brasileiro, pressionados pelo crescimento dos SUVs e pelo avanço dos modelos eletrificados.
Os números de mercado ajudam a explicar a decisão. Dados da Fenabrave mostram que o Sentra acumulou apenas 341 emplacamentos no primeiro semestre de 2026, desempenho muito distante dos principais concorrentes. No mesmo período, o Toyota Corolla registrou 13.021 unidades, enquanto o BYD King alcançou 8.196 vendas. Mesmo com campanhas promocionais que chegaram a oferecer descontos de até R$ 30 mil, segundo o mercado, o modelo não conseguiu recuperar competitividade.
Baixa procura acelerou a saída do sedã
A despedida do Sentra também reflete uma transformação mais ampla no segmento. Durante anos, sedãs médios ocuparam posição estratégica entre consumidores que buscavam conforto e bom espaço interno, mas o cenário mudou rapidamente com a preferência crescente por SUVs e pela chegada de híbridos e elétricos em faixas de preço semelhantes.
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Outro fator relevante foi a própria configuração do produto. A oitava geração manteve a conhecida receita mecânica, apostando em um motor 2.0 aspirado associado ao câmbio CVT. Embora o conjunto seja reconhecido pela confiabilidade e funcionamento suave, passou a disputar espaço com rivais que oferecem motores eletrificados, melhor eficiência energética e tecnologias mais recentes.
Nas concessionárias, o Sentra ainda é encontrado nas versões Advance e Exclusive, com preços sugeridos de R$ 174.490 e R$ 198.790, respectivamente. Ambas utilizam o motor 2.0 a gasolina de 151 cv e 20 kgfm de torque, sempre combinado ao câmbio automático CVT com simulação de oito marchas. Entre os equipamentos de segurança estão frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, monitor de tráfego cruzado traseiro e assistentes de permanência em faixa nas versões mais completas.
Com 4,64 metros de comprimento, entre-eixos de 2,71 metros e porta-malas de 466 litros, o sedã continuava competitivo em espaço interno. Ainda assim, suas qualidades não foram suficientes para reverter a perda de participação em um segmento que encolhe ano após ano.
Nissan N7 pode inaugurar uma nova fase da marca
Embora a Nissan ainda não confirme oficialmente o substituto, o N7 desponta como o principal candidato para ocupar o espaço deixado pelo Sentra. Desenvolvido pela joint venture Dongfeng-Nissan e produzido na China, o sedã elétrico já foi flagrado em testes no Brasil, reforçando a possibilidade de lançamento no mercado nacional.
O modelo representa uma mudança significativa de estratégia. Em vez de substituir um sedã por outro semelhante, a fabricante passaria a apostar em um veículo totalmente elétrico, alinhado ao plano global de expansão da eletrificação. Na China, o N7 é oferecido com baterias de 58 kWh e 73 kWh, motores de até 272 cv e autonomia que pode chegar a 635 quilômetros pelo ciclo chinês CLTC, mais otimista que o padrão brasileiro.

Além da motorização elétrica, o N7 pertence a uma categoria superior em dimensões. São aproximadamente 4,93 metros de comprimento e 2,91 metros de entre-eixos, oferecendo cabine mais ampla e proposta voltada para consumidores que buscam maior nível de tecnologia e conforto.
A Nissan ainda não divulgou preços nem cronograma de lançamento para o Brasil. Considerando os custos de importação, homologação e tributação, analistas do setor estimam que um eventual lançamento poderia posicionar o N7 entre cerca de R$ 180 mil e R$ 225 mil, faixa que o colocaria frente a frente com sedãs eletrificados e SUVs médios de maior valor agregado.
O encerramento da trajetória do Sentra simboliza a mudança de perfil do mercado brasileiro. Durante mais de duas décadas, o modelo disputou espaço com referências como Corolla e Civic, mas a combinação entre queda da demanda por sedãs, eletrificação da indústria e preferência crescente pelos SUVs tornou sua permanência cada vez menos sustentável. Agora, resta acompanhar se a Nissan conseguirá reconquistar espaço no segmento com uma proposta completamente diferente daquela que marcou a história do Sentra no país.











