A Porsche está prestes a colocar um ponto final em um dos modelos mais importantes de sua história recente. No fim de julho, a última unidade do Macan com motor a combustão deixará a fábrica de Leipzig, na Alemanha, encerrando um ciclo iniciado em 2014. A decisão marca a despedida do SUV que se tornou a principal porta de entrada para a marca, mas também evidencia uma mudança de estratégia após a fabricante perceber que a transição para os veículos elétricos não ocorreu no ritmo previsto.
O encerramento da produção chama atenção porque o Macan a gasolina continua sendo o preferido dos consumidores. No primeiro semestre de 2026, a Porsche entregou 35.315 unidades do modelo em todo o mundo. Desse total, 19.695 eram equipadas com motor a combustão, enquanto 15.620 correspondiam ao Macan Elétrico. Apesar da liderança da versão convencional, o plano original da empresa de substituir completamente o modelo pelo SUV elétrico será mantido.
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Aposta na eletrificação foi mais lenta do que o esperado
A estratégia da Porsche previa que os clientes migrariam naturalmente para a segunda geração do Macan, desenvolvida exclusivamente como veículo elétrico sobre a plataforma PPE, compartilhada com o Audi Q6 e-tron. No entanto, a resposta do mercado ficou abaixo das expectativas, principalmente em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda evolui lentamente e os incentivos fiscais para eletrificados foram reduzidos.
O próprio Grupo Volkswagen reconheceu que a avaliação inicial do mercado foi otimista. Oliver Blume, CEO do grupo, afirmou anteriormente que, diante das informações disponíveis quando a decisão foi tomada, a escolha parecia correta. Com a mudança do cenário, a Porsche passou a rever sua estratégia e confirmou o desenvolvimento de um novo SUV com opções de motorização a combustão e híbrida.

Esse futuro modelo utilizará uma arquitetura derivada da plataforma do Audi Q5, mas terá projeto próprio e identidade independente. A estreia, entretanto, está prevista apenas para 2028. Além disso, a fabricante confirmou que ele não utilizará o nome Macan, que ficará reservado exclusivamente para os veículos elétricos da marca.
Estoques manterão o Macan a gasolina disponível por mais algum tempo
Sem um sucessor imediato, a Porsche dependerá dos estoques já produzidos para atender aos mercados onde o Macan a combustão ainda possui forte demanda. Em países como os Estados Unidos, a empresa ampliou a produção antes do encerramento da fábrica justamente para garantir disponibilidade até os próximos anos.
Na Europa, o SUV já havia deixado de ser comercializado devido às novas exigências do Regulamento Geral de Segurança (GSR2), que introduziu requisitos mais rigorosos de segurança cibernética. Agora, a aposentadoria será definitiva em todos os mercados.
No Brasil, o Macan continua disponível nas versões convencionais, incluindo Base, T, S e GTS, com motores que entregam entre 265 cv e 440 cv, enquanto durarem os estoques. Já a linha elétrica é composta pelas versões Macan 4, Macan 4S e Macan GTS, esta última desenvolvendo até 639 cv. Os preços começam na faixa de R$ 530 mil para os modelos a combustão e superam R$ 800 mil na configuração elétrica mais potente.
A despedida do Macan ocorre em um momento desafiador para a Porsche. As entregas globais da marca caíram 16% no primeiro semestre de 2026, passando de 146.391 para 122.306 veículos. A China registrou a maior retração, com queda de 32%, enquanto a América do Norte recuou 13%. O Macan também acompanhou esse movimento, registrando redução de 22% nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto o novo SUV híbrido não chega, a Porsche aposta que o Macan Elétrico consolidará sua posição como representante da linha nos próximos anos. Ainda assim, os números mostram que parte significativa dos consumidores continua valorizando a combinação entre motor a combustão, autonomia elevada e praticidade, um comportamento que levou a fabricante alemã a rever seus planos e admitir que a eletrificação do segmento premium evolui de forma mais gradual do que imaginava.











