Os carros conectados deixaram de ser exclusividade dos modelos mais caros e passaram a ocupar espaço também entre veículos mais acessíveis. O que antes parecia um luxo distante virou rotina no mercado brasileiro, principalmente com o avanço das marcas chinesas. Hoje, aplicativos no celular já permitem controlar boa parte das funções do carro sem sequer encostar na chave física.
Essa transformação ficou evidente nos modelos mais recentes da BYD e da GWM. As duas fabricantes passaram a investir pesado em conectividade e criaram plataformas próprias para aproximar o motorista do veículo. Com poucos toques no smartphone, já é possível localizar o carro, travar portas, programar carregamento e até ligar o ar-condicionado à distância.
Os aplicativos MyBYD e MyGWM seguem uma proposta muito parecida logo na tela inicial. Ambos exibem informações rápidas como autonomia restante, porcentagem da bateria e dados gerais do veículo. Também oferecem atualização instantânea das informações, permitindo acompanhar praticamente em tempo real o estado do automóvel.

Na prática, os dois sistemas entregam funções consideradas essenciais em um carro conectado moderno. Pressão dos pneus, status das portas, quilometragem total e nível da bateria aparecem facilmente na tela do celular. A diferença começa justamente no nível de detalhamento das informações que cada plataforma consegue mostrar.
O aplicativo da BYD acabou se destacando por apresentar um volume maior de dados. Além das portas abertas, ele consegue identificar capô destrancado, vidros abertos, porta-malas e até informações sobre a saúde do veículo. Já o sistema da GWM aposta numa interface mais simplificada, trazendo dados mais resumidos ao motorista.
Essa diferença apareceu de forma clara nos testes de abertura das portas e do porta-malas. Enquanto a plataforma da BYD mostrava exatamente quais partes estavam abertas, o aplicativo da GWM limitava algumas indicações. O capô, por exemplo, não era identificado pelo sistema da marca, mesmo estando destrancado.
Os comandos remotos também mostraram diferenças interessantes entre as duas fabricantes. Na BYD, ao travar o carro pelo aplicativo, o sistema automaticamente fechava vidros, recolhia espelhos e bloqueava as portas em um único comando. Já na GWM, algumas funções ficam separadas e exigem etapas adicionais.
Por outro lado, a plataforma da GWM oferece controles independentes que podem agradar alguns usuários. O motorista consegue fechar apenas os vidros sem necessariamente travar as portas. Em veículos equipados com teto solar, também existe um comando exclusivo para fechamento remoto dessa área.
As duas marcas seguem uma limitação parecida: o aplicativo permite fechar vidros e teto solar, mas não abrir esses itens à distância. A decisão envolve questões de segurança e evita acionamentos acidentais quando o veículo está estacionado em locais públicos.
Outra função bastante útil é a localização do veículo. Os aplicativos conseguem acionar faróis e buzina remotamente para ajudar o motorista a encontrar o carro em estacionamentos grandes. Nesse ponto, ambos responderam rapidamente aos comandos e mostraram funcionamento eficiente.
A GWM, porém, adiciona um recurso extra interessante. O sistema permite ativar buzina e alerta luminoso simultaneamente, algo que não aparece da mesma forma na plataforma da BYD. Em estacionamentos cheios ou ambientes fechados, essa combinação facilita bastante localizar o automóvel.
Quando o assunto é rastreamento por mapa, a experiência foi diferente entre os aplicativos. O sistema da GWM conseguiu identificar corretamente a posição do veículo e ainda traçar rota até ele. Já a plataforma da BYD apresentou instabilidades e falhou em algumas tentativas de localização.
A climatização remota virou outro destaque importante dos carros eletrificados. Tanto BYD quanto GWM permitem ligar o ar-condicionado antes do motorista entrar no veículo. Em dias muito quentes ou frios, o recurso aumenta bastante o conforto e evita entrar num carro abafado.
O sistema da BYD oferece uma quantidade maior de ajustes para climatização. É possível definir temperatura, ventilação dos bancos, circulação do ar e tempo de funcionamento. Apesar disso, o aplicativo apresentou falhas momentâneas de comunicação durante alguns comandos.
Na GWM, o funcionamento foi mais simples, mas também eficiente. O aplicativo permite escolher temperatura, tempo de funcionamento e controle da recirculação do ar. Ainda assim, o sistema também apresentou certa demora em algumas respostas, mostrando que instabilidades podem ocorrer nas duas plataformas.
Os aplicativos ainda oferecem programação inteligente de carregamento. O motorista consegue definir horários específicos para iniciar a recarga do carro, evitando consumo elevado nos momentos de pico da rede elétrica doméstica. O recurso ajuda principalmente quem recarrega o veículo durante a madrugada.
Outra função moderna presente nos dois sistemas é a programação automática da climatização. O usuário pode deixar agendado para o carro ligar o ar-condicionado diariamente em determinado horário, preparando o interior do veículo antes da saída.
A BYD chama atenção por oferecer chave digital integrada ao smartphone. Com tecnologia por aproximação, o motorista consegue destrancar e dirigir o carro apenas usando o celular. A chave física deixa de ser obrigatória em diversas situações do dia a dia.
Já a GWM aposta em outro diferencial: a cerca eletrônica. O sistema cria uma área de monitoramento no mapa e envia alertas quando o veículo sai daquele limite. O recurso pode ser útil para acompanhar deslocamentos de familiares ou monitorar o uso do carro por terceiros.
As duas plataformas ainda trazem mapas de carregadores, notícias das marcas, suporte ao cliente e integração com serviços digitais. Porém, ambos os aplicativos mostraram falhas na listagem completa de estações de recarga e ainda apresentam inconsistências em algumas funções. Mesmo assim, fica evidente que a conectividade automotiva já se tornou parte importante da experiência dos carros elétricos e híbridos vendidos no Brasil.











