A Ford encontrou uma forma curiosa de ampliar a família Maverick no Brasil: em vez de criar versões parecidas entre si, transformou a picape em duas propostas completamente diferentes. De um lado, a Maverick Híbrida aposta em economia, conforto e tecnologia para viagens longas e uso urbano. Do outro, a Maverick Tremor abandona a ideia de picape de cidade e assume uma vocação claramente voltada ao fora de estrada, com suspensão elevada, pneus de uso misto e recursos eletrônicos preparados para enfrentar lama, erosões e trilhas mais severas.
A experiência começou em Bauru, no interior paulista, utilizando justamente as unidades de test-drive da concessionária. A intenção era entender como cada versão se comporta no mundo real. A Maverick híbrida foi colocada à prova em uma longa viagem até Itu, enquanto a Tremor encarou uma pista fechada de obstáculos construída especialmente para avaliar a capacidade fora de estrada da picape.
Antes da viagem, a Maverick híbrida foi abastecida e teve todos os marcadores zerados para acompanhar o consumo com precisão. A estratégia escolhida foi usar o modo Eco durante boa parte do percurso, justamente para explorar ao máximo o sistema híbrido. Mesmo sendo eletrificada, ela mantém tração integral nas quatro rodas, o que amplia bastante a versatilidade para quem alterna cidade, estrada e trechos de terra leves.

Superauto – Porto Alegre
Na prática, o funcionamento do conjunto híbrido mostrou um comportamento interessante. Em descidas longas ou quando o motorista alivia o acelerador, o motor a combustão simplesmente desliga e a picape passa a rodar apenas com eletricidade. Em parte do trajeto pela Rodovia Castelo Branco, isso aconteceu diversas vezes, permitindo que trechos inteiros fossem percorridos em modo elétrico enquanto o sistema regenerava energia nas frenagens.
O resultado apareceu rapidamente no consumo. Já na metade da viagem, a média ultrapassava os 13 km por litro e cerca de 20% do percurso havia sido feito utilizando apenas energia elétrica. Em descidas contínuas, como serras ou trechos mais inclinados de rodovias, a Maverick híbrida consegue manter o motor a combustão desligado por bastante tempo, o que ajuda diretamente na autonomia e reduz o gasto de combustível.
Outro destaque importante ficou para os sistemas de assistência à condução. A centralização de faixa atua diretamente no volante para manter a picape alinhada dentro das linhas da pista, enquanto o controle de cruzeiro adaptativo ajusta sozinho a velocidade conforme a distância do veículo da frente. Na prática, a condução fica muito menos cansativa em viagens longas, especialmente em rodovias bem sinalizadas.

A atuação dos assistentes chamou atenção pelo funcionamento suave e previsível. Em vários momentos, a Maverick conseguiu acompanhar curvas leves praticamente sozinha, exigindo apenas pequenos toques no volante para confirmar que o motorista seguia atento. O sistema também permite ajustar a distância em relação ao carro da frente em diferentes níveis, reduzindo automaticamente a velocidade quando encontra caminhões ou veículos mais lentos.
Mesmo focada em eficiência, a Maverick híbrida não decepciona quando o assunto é desempenho. No teste de aceleração, a picape chegou aos 100 km por hora em menos de oito segundos, número forte para uma picape média eletrificada. O modo Sport altera completamente o comportamento do carro, deixando o acelerador mais sensível, endurecendo o volante e mantendo o motor a combustão ligado praticamente o tempo todo.
Esse modo esportivo muda bastante a experiência ao volante. A resposta fica mais imediata, o motor sobe rápido de giro e a transmissão continuamente variável mantém a aceleração constante sem trocas perceptíveis de marcha. Para algumas pessoas, isso pode causar a sensação de que o carro está “patinando”, mas é apenas uma característica típica desse tipo de transmissão híbrida.

Naturalmente, o consumo muda bastante quando a condução passa a ser mais agressiva. Durante trechos conduzidos em ritmo mais forte, a média caiu para perto dos 9 km por litro, enquanto o uso do modo elétrico praticamente desapareceu. Ainda assim, quando a viagem voltou a um ritmo mais tranquilo, a eficiência rapidamente melhorou novamente, superando os 14 km por litro em estrada.
No fechamento da avaliação, os números impressionaram. Após quase 480 quilômetros rodados, incluindo ida, volta e testes de aceleração, a média geral ficou acima de 12 km por litro, com mais de 70 quilômetros percorridos em modo totalmente elétrico. O computador de bordo ainda mostrou boa precisão, praticamente acertando a quantidade exata de combustível necessária no reabastecimento final.
Se a Maverick híbrida surpreende pela eficiência, a Maverick Tremor impressiona pela transformação mecânica. A versão recebeu mudanças importantes para uso fora de estrada, incluindo maior altura do solo, pneus todo-terreno, bloqueio do diferencial traseiro e novos ajustes de suspensão. Na prática, ela ficou muito mais preparada para trilhas pesadas do que versões anteriores da picape.

Superauto – Porto Alegre
A avaliação da Tremor aconteceu em uma pista de obstáculos criada especialmente para eventos de veículos 4×4. O percurso incluía subidas íngremes, erosões, torções de suspensão, trechos enlameados e inclinações laterais acentuadas. Mesmo em situações complicadas, a picape mostrou facilidade para superar obstáculos usando os recursos eletrônicos de auxílio à condução.
O controle de descida, por exemplo, permite que a própria picape administre a velocidade em ladeiras fortes sem exigir atuação constante do motorista. Já o assistente de partida em rampa impede que o veículo recue em aclives mais inclinados. Em vários momentos, a Tremor enfrentou situações de torção extrema da suspensão com uma roda praticamente suspensa, mas o bloqueio do diferencial garantiu tração suficiente para continuar avançando sem dificuldade.
Quem conhece off-road percebe rapidamente que a Tremor não é apenas uma versão visualmente aventureira. A combinação de suspensão mais alta, pneus adequados e bloqueio traseiro mudou completamente o comportamento da Maverick fora do asfalto. Em comparação com versões antigas mais urbanas, a capacidade em lama, erosões e trilhas difíceis evoluiu de forma clara, transformando a picape em uma alternativa muito mais preparada para quem realmente pretende sair do asfalto com frequência.











