O Geely EX2 entrou no mercado brasileiro em uma faixa particularmente disputada entre os elétricos. Com dimensões compactas, tração traseira e preço abaixo de modelos elétricos maiores, ele tenta oferecer mais do que economia no uso urbano: espaço para quatro adultos, boa capacidade para bagagens e equipamentos que permitem utilizá-lo como carro principal.
A comparação com modelos como o BYD Dolphin Mini é inevitável, mas o EX2 possui características próprias. Para entender onde ele realmente se destaca, vale observar espaço, autonomia homologada, praticidade e principalmente as diferenças entre as versões Pro e Max.
EX2 é compacto por fora, mas aproveita bem o espaço
O Geely EX2 mede aproximadamente 4,14 metros de comprimento e possui 2,65 metros de entre-eixos.
A segunda medida ajuda a explicar por que a cabine parece maior do que as dimensões externas sugerem.
Na segunda fileira, adultos encontram bom espaço para pernas e cabeça. O assoalho praticamente plano também favorece quem ocupa o banco central.
Esse aproveitamento pode ser interessante para quem procura um elétrico para a cidade, mas não quer ficar limitado a um veículo destinado apenas a pequenos deslocamentos individuais.
| Item | Geely EX2 |
|---|---|
| Comprimento | cerca de 4,14 m |
| Entre-eixos | cerca de 2,65 m |
| Motor | Elétrico |
| Potência | 116 cv |
| Torque | 15,3 kgfm |
| Bateria | 39,4 kWh |
| Tração | Traseira |

Design aposta menos em agressividade
O EX2 segue uma direção diferente de muitos elétricos recentes.
Em vez de vincos excessivos e elementos esportivos, utiliza superfícies arredondadas, dianteira praticamente fechada e iluminação em LED.
Na traseira, as lanternas avançam sobre a tampa do porta-malas, enquanto elementos como teto contrastante e aerofólio ajudam a diferenciar a configuração Max.
O resultado é um compacto com identidade própria, embora a preferência pelo desenho seja naturalmente subjetiva.
Versão Max concentra mais equipamentos
A linha brasileira possui as configurações Pro e Max.
A Max acrescenta equipamentos de conforto, segurança e assistência à condução, tornando importante avaliar a diferença de preço entre as duas antes da compra.
Equipamentos adicionais não justificam automaticamente escolher a configuração superior. Para quem pretende utilizar o EX2 principalmente em pequenos deslocamentos urbanos, a Pro pode atender bem com investimento inicial menor.
Já quem utiliza rodovias com frequência ou valoriza sistemas de assistência pode encontrar mais argumentos na Max.
Interior privilegia tecnologia
A cabine utiliza bastante plástico rígido, algo comum nessa faixa de mercado, mas diferentes texturas e elementos de acabamento ajudam a reduzir a sensação de simplicidade.
Um dos principais destaques é a central multimídia de 14,6 polegadas, acompanhada pelo painel digital.

Boa parte das configurações fica concentrada na tela. Isso deixa o painel visualmente limpo, mas existe uma contrapartida: algumas funções podem exigir mais etapas do que exigiriam com comandos físicos dedicados.
É uma característica que merece ser experimentada durante um test-drive, especialmente por quem prefere uma cabine mais convencional.
Motor traseiro entrega 116 cv
Segundo a ficha técnica oficial da Geely para o EX2, o modelo utiliza motor elétrico traseiro de 116 cv e 15,3 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de 39,4 kWh.
A tração traseira é pouco comum entre compactos elétricos dessa faixa de preço.
Isso não transforma o EX2 em um carro esportivo. A principal diferença está na arquitetura, que separa entre os eixos as funções de direção e tração.
No trânsito urbano, a resposta imediata característica dos motores elétricos favorece arrancadas e retomadas sem necessidade de números elevados de potência.
Bateria de 39,4 kWh precisa ser analisada junto com a eficiência
O tamanho da bateria sozinho não determina quantos quilômetros o proprietário conseguirá percorrer.
Eficiência do conjunto, velocidade, temperatura, relevo, climatização e estilo de condução interferem diretamente no alcance.
É por isso que comparar carros elétricos somente pela capacidade da bateria pode produzir conclusões erradas. Um modelo com bateria maior não necessariamente terá autonomia proporcionalmente superior.
No EX2, essa relação fica particularmente importante porque a proposta é oferecer alcance suficiente para o cotidiano sem utilizar uma bateria muito grande, que também aumentaria peso e custo.
Autonomia homologada é de 289 km
Para o consumidor brasileiro, a referência mais adequada para comparar autonomia é a metodologia oficial utilizada no país.
Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o Geely EX2 possui autonomia homologada de 289 km na configuração correspondente.
Esse número não significa que o veículo sempre percorrerá exatamente essa distância.
Em ambiente urbano, velocidades menores e regeneração de energia podem favorecer a eficiência. Em rodovias, velocidades constantes mais elevadas normalmente aumentam o consumo de energia.
Temperatura, utilização do ar-condicionado, quantidade de passageiros e relevo também interferem no resultado.
Por isso, experiências que ultrapassem 300 km em condições favoráveis não devem ser interpretadas como uma nova autonomia oficial do EX2. Para comparar diferentes elétricos, os 289 km homologados são uma referência mais adequada.
Dois porta-malas aumentam a praticidade
Segundo os dados apresentados pela fabricante, o compartimento traseiro oferece 375 litros, enquanto existe também um espaço dianteiro de aproximadamente 70 litros.
O compartimento frontal pode ser particularmente conveniente para guardar cabos e pequenos objetos sem ocupar o porta-malas principal.
Ainda assim, capacidade declarada não conta toda a história.
Formato da abertura, altura do piso e espaço disponível depois de acomodar malas também precisam ser observados pessoalmente por quem pretende utilizar o EX2 como carro familiar.
Max acrescenta sistemas de assistência
Na configuração mais equipada, o EX2 reúne diferentes recursos eletrônicos de assistência à condução.
Entre eles estão controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e sistemas relacionados à permanência em faixa, além das câmeras que auxiliam nas manobras.
Esses equipamentos podem ser especialmente úteis para quem utiliza o carro também em rodovias.
Antes da compra, porém, é importante conferir a lista correspondente à versão e ao ano-modelo escolhidos, evitando assumir que todos os equipamentos da Max também aparecem na Pro.
Conforto é prioridade na condução
A calibração da suspensão privilegia a absorção das irregularidades.
Essa escolha combina com a proposta urbana do EX2, mas pode resultar em movimentos mais perceptíveis da carroceria durante mudanças rápidas de direção.
Não é necessariamente um defeito. Existe uma troca entre conforto e respostas mais firmes, e o comprador precisa considerar qual característica valoriza mais.
Para um compacto destinado principalmente ao trânsito cotidiano, uma suspensão voltada ao conforto pode ser uma vantagem.
EX2 precisa ser analisado além da autonomia
O Geely EX2 reúne argumentos interessantes para quem pretende migrar para um elétrico compacto: 116 cv, tração traseira, bateria de 39,4 kWh, 289 km de autonomia homologada, bom espaço interno e dois compartimentos para bagagens.
A versão Max acrescenta equipamentos importantes, mas também aumenta o investimento inicial. Existem ainda aspectos que merecem avaliação pessoal, como a dependência da central multimídia para algumas funções e o comportamento mais macio da suspensão.
A decisão também precisa incluir questões que aparecem depois da compra: seguro, garantia da bateria, disponibilidade de assistência, possibilidade de recarga residencial e desvalorização.
Para quem possui onde carregar e concentra a utilização na cidade, o EX2 apresenta uma combinação interessante de espaço e eficiência. Para quem viaja frequentemente, os 289 km homologados e a disponibilidade de carregadores nas rotas habituais devem pesar mais na decisão do que resultados de autonomia obtidos em condições especialmente favoráveis.
