Mitsubishi Eclipse Cross perde multimídia e câmera de ré para custar R$ 155.990

O Mitsubishi Eclipse Cross GLS 2027 chega por R$ 155.990 como nova versão de entrada. Para reduzir o preço em R$ 21 mil frente à tabela da Rush, perde central multimídia, câmera de ré e outros itens, mas mantém motor 1.5 turbo de 165 cv, câmbio CVT, suspensão independente e sete airbags.

A Mitsubishi encontrou uma maneira pouco convencional de baixar a porta de entrada do Mitsubishi Eclipse Cross 2027. A nova versão GLS chega por R$ 155.990 preservando motor turbo, câmbio automático e suspensão independente, mas retirando equipamentos que se tornaram comuns até em automóveis mais baratos, como central multimídia e câmera de ré.

A situação fica ainda mais curiosa porque, neste momento, o Eclipse Cross Rush também é oferecido em condição promocional. A diferença é que seu preço regular é de R$ 176.990, exatamente R$ 21 mil acima da nova GLS. A própria Mitsubishi confirma em sua página oficial o preço regular da Rush e os R$ 155.990 da GLS.

Portanto, enquanto houver uma promoção que aproxime os preços das duas versões, a comparação entre elas fica ainda mais importante. A Mitsubishi não confirmou que a Rush permanecerá definitivamente nessa faixa promocional, por isso não é possível tratar a condição comercial como preço permanente.

Para baixar R$ 21 mil, Mitsubishi mexeu principalmente na cabine

É ao entrar no Eclipse Cross GLS que a redução de custos fica mais evidente. A versão não possui central multimídia. No lugar da tela encontrada na Rush, há uma tampa no painel que também funciona como pequeno porta-objetos. A própria página oficial de comparação da Mitsubishi confirma a ausência da multimídia na GLS.

A Mitsubishi deixou a preparação elétrica para a instalação posterior de um equipamento de áudio e manteve quatro alto-falantes nas portas. A fabricante, porém, não informa se a central das versões superiores poderá ser comprada como acessório original nem quanto custaria uma eventual instalação.

A simplificação também elimina as entradas USB-A dianteiras e a câmera de ré. Os bancos passam a utilizar revestimento de tecido. Inicialmente, a configuração é oferecida somente na cor sólida Branco Fuji, enquanto alguns detalhes externos recebem acabamento preto.

São cortes relevantes porque conectividade com smartphones, tela central e câmera de ré deixaram de ser itens restritos aos modelos mais caros. Em um SUV que ainda custa mais de R$ 150 mil, a ausência desses equipamentos provavelmente será uma das primeiras diferenças percebidas pelo consumidor.

Motor 1.5 turbo do Mitsubishi Eclipse Cross GLS 2027
Foto: CAOA Mitsubishi/Divulgação

Motor turbo e sete airbags foram preservados

Se a lista de conveniência encolheu, a Mitsubishi decidiu não aplicar a mesma receita à mecânica. O GLS mantém o conhecido motor 1.5 MIVEC turbo a gasolina, de quatro cilindros, com 165 cv e 25,5 kgfm de torque. Os números também constam na ficha oficial da Mitsubishi.

Ele trabalha com transmissão automática CVT com simulação de oito marchas, enquanto a tração é dianteira.

Outro componente preservado é a suspensão independente nas quatro rodas, com arquitetura McPherson na dianteira e multilink na traseira. É uma solução diferente do eixo de torção utilizado no conjunto traseiro de vários SUVs compactos, embora somente uma avaliação prática permita determinar o impacto disso no comportamento do veículo.

A GLS também mantém ar-condicionado digital automático, computador de bordo com tela colorida, volante revestido de couro e piloto automático convencional. O banco traseiro permite regulagem da inclinação do encosto e rebatimento.

Na segurança, são sete airbags, incluindo a bolsa para os joelhos do motorista, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, monitoramento da pressão dos pneus, Isofix e freios ABS.

Por outro lado, recursos mais avançados de assistência à condução disponíveis em configurações superiores, como frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego e controle de cruzeiro adaptativo, não fazem parte da proposta da GLS.

Eclipse Cross tenta oferecer porte de médio pelo preço de compacto

O Eclipse Cross GLS mede 4,54 metros de comprimento, 1,80 m de largura e 1,68 m de altura. O material consultado aponta 2,60 m de distância entre os eixos e porta-malas de 405 litros pela medição convencional, chegando a 579 litros quando considerado o espaço até o teto.

É justamente nesse conjunto que a nova versão tenta encontrar seu espaço: entregar dimensões de SUV médio, motor turbo e suspensão independente por R$ 155.990, mesmo que isso exija abrir mão de equipamentos de conveniência.

Só que a concorrência também mudou. O recém-lançado CAOA Changan CS55, por exemplo, começa em R$ 144.990 — R$ 11 mil abaixo — e aposta em uma lista mais extensa de equipamentos. A matéria completa sobre o lançamento e as três versões do CS55 já está publicada no Rota dos Carros.

Além dos novos chineses, o Mitsubishi ainda precisa conviver com modelos médios como Jeep Compass e CAOA Chery Tiggo 7, ao mesmo tempo em que seu preço o aproxima de versões de Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker e Nissan Kicks.

Mitsubishi Eclipse Cross GLS 2027 branco visto pela traseira
Foto: CAOA Mitsubishi/Divulgação

Minha opinião: a Mitsubishi cortou justamente onde o motorista mais percebe

Na minha opinião, a Mitsubishi acertou ao preservar motor, suspensão e boa parte do pacote de segurança, porque são características mais caras e difíceis de adicionar posteriormente. O problema foi ter levado a simplificação até a central multimídia e a câmera de ré. Em 2026, considero difícil justificar a ausência desses equipamentos em um carro de R$ 155.990, principalmente diante do que concorrentes mais novos já oferecem.

A situação da Rush reforça essa impressão. Enquanto ela estiver em uma promoção que a coloque muito próxima da GLS, eu vejo pouco argumento financeiro para aceitar uma versão mais simples praticamente pelo mesmo dinheiro. Se a Rush retornar aos R$ 176.990 de tabela, aí a GLS passa a ter uma função mais clara: oferecer a estrutura e a mecânica do Eclipse Cross para quem aceita abrir mão de conectividade em troca de um preço de entrada R$ 21 mil menor.

Josean Santos
SOBRE O AUTOR

Josean Santos

Josean Santos é estudante de Jornalismo, redator, colaborador e cofundador do Falando de Carros. Atua na produção de conteúdo digital desde 2008, com experiência em jornalismo, comunicação e criação de conteúdos para a internet, especialmente relacionados ao setor automotivo.Graduado em História pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e estudante de Jornalismo, possui trajetória profissional ligada ao trânsito, à mobilidade urbana e ao mercado automotivo. Desde 4 de setembro de 2012, atua como agente de trânsito em Picos, no Piauí, acumulando experiência prática em temas como legislação de trânsito, segurança viária e mobilidade.Ao longo da carreira, participou de projetos editoriais voltados ao universo dos veículos e já colaborou com sites especializados em automóveis. No Falando de Carros, contribui com a produção de notícias, análises e conteúdos informativos sobre lançamentos, preços, mercado automotivo e tendências do setor, unindo experiência prática, conhecimento técnico e apuração jornalística.