A Ram Rampage 2027 chegou ao mercado brasileiro em um momento decisivo para as picapes médias compactas. Mais refinada, mais potente e agora equipada com o novo motor 2.2 turbodiesel, ela tenta unir desempenho, conforto e presença de estrada em um pacote que se aproxima cada vez mais de um utilitário esportivo de luxo, sem abandonar completamente a proposta de robustez que acompanha a marca Ram.
A mudança mais importante aconteceu ainda na linha 2026. O antigo motor 2.0 turbodiesel deu lugar ao novo 2.2 da família Pratola Serra, uma evolução que trouxe ganhos relevantes em potência, torque e suavidade. Agora são 200 cavalos e 45,9 kgfm, números que deixam a Rampage mais rápida, mais forte nas retomadas e também mais eficiente no consumo.
Mesmo compartilhando a mesma base estrutural da Toro, Compass, Commander e Renegade, a Rampage conseguiu criar uma personalidade própria. A plataforma Small Wide 4×4 foi adaptada para entregar um conjunto mais refinado, com porte maior e acabamento superior ao de muitos modelos da própria Jeep, algo que ajuda a explicar o sucesso da picape desde sua estreia.

O projeto também carrega um peso simbólico para a indústria brasileira. A Rampage foi o primeiro modelo da Ram desenvolvido fora dos Estados Unidos, criado por engenheiros brasileiros em Betim e produzido em Goiana. O resultado é um veículo que mistura características de picape média com comportamento muito próximo ao de um carro de passeio moderno.
Na linha 2026, a Ram tabém já tinha reorganizado a gama de versões e reduziu preços em relação ao ano anterior. A estratégia abriu espaço para a chegada da nova picape baseada na Fiat Titano, enquanto a Rampage passou a ocupar uma posição de entrada premium dentro da marca, brigando diretamente com versões topo de linha da Toro e também com rivais como a Ford Maverick.
A configuração Laramie segue como uma das mais sofisticadas da linha. No pacote Black, o visual cromado dá lugar aos detalhes escurecidos, incluindo grade, logotipos, retrovisores e lanternas. O resultado é uma aparência mais agressiva e esportiva, muito próxima da versão RT, mas mantendo o conjunto mecânico diesel.
Apesar da aparência robusta, a Rampage não tenta ser uma picape extrema para trilhas pesadas. O modelo oferece tração integral em todas as versões, bons ângulos de entrada e saída e 23 centímetros de vão livre, mas seu foco principal continua sendo o uso urbano e rodoviário, onde entrega um comportamento muito mais refinado do que o de picapes tradicionais sobre chassi.
A suspensão independente nas quatro rodas é uma das responsáveis por isso. Diferente das picapes médias convencionais, a Rampage passa por buracos e quebra-molas com mais suavidade, sem os pulos característicos dos modelos voltados ao trabalho pesado. O acerto privilegia conforto, estabilidade e sensação de controle ao volante.
Os pneus da versão Laramie reforçam essa proposta mais urbana. Os Pirelli Scorpion aro 18 favorecem silêncio e conforto no asfalto, enquanto a versão Rebel aparece como a opção mais adequada para terra, graças às rodas menores e pneus mais preparados para uso fora de estrada.
Com mais de cinco metros de comprimento e quase três metros de entre-eixos, a Rampage impressiona pelo tamanho. Ela supera a Toro em praticamente todas as dimensões e até ultrapassa a Maverick em alguns pontos. Ainda assim, consegue manter boa dirigibilidade e sensação de controle em trajetos urbanos.
A caçamba oferece 980 litros de capacidade e suporta pouco mais de uma tonelada de carga, números competitivos até diante de picapes médias maiores. A tampa conta com amortecimento na abertura, iluminação em LED e acabamento interno bem resolvido, embora o foco claramente não seja o trabalho pesado diário.
No pacote de segurança, a Rampage se destaca entre as rivais. As versões superiores trazem sete airbags, controle de estabilidade, frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo com função para e anda, assistente de permanência em faixa, leitura de placas e monitoramento de ponto cego.

Por dentro, a sensação é muito mais próxima de um utilitário esportivo sofisticado do que de uma caminhonete tradicional. O acabamento mistura superfícies macias, detalhes metalizados, costuras aparentes e um conjunto visual que transmite qualidade. Em vários pontos, o interior parece até mais refinado do que o encontrado em alguns modelos da Jeep.
Os bancos elétricos dianteiros oferecem múltiplos ajustes, incluindo apoio lombar, enquanto a posição de dirigir elevada reforça a sensação de robustez esperada de uma Ram. A ergonomia agrada na maior parte do tempo, embora os pedais um pouco deslocados possam incomodar quem utiliza botas mais largas.
A central multimídia de 12,3 polegadas é outro destaque importante. O sistema utiliza a mesma base tecnológica presente em modelos da Stellantis e combina rapidez, boa resolução e integração sem fio com Android Auto e Apple CarPlay. Os comandos físicos do ar-condicionado também ajudam bastante na usabilidade cotidiana.
O painel digital de 10,3 polegadas oferece diversas informações do veículo, incluindo pressão dos pneus, temperatura do óleo, consumo, dados da transmissão e nível do Arla 32. Apesar da boa quantidade de funções, algumas animações ainda são lentas e passam uma sensação de sistema menos moderno do que a excelente central multimídia.
No banco traseiro, a Rampage entrega espaço razoável para adultos, mas o conforto poderia ser melhor. O encosto muito reto e o assento plano acabam cansando em viagens longas. Ainda assim, há saídas de ar, quatro portas USB e bom espaço para pernas, especialmente considerando a proposta da picape.
Ao volante, o novo motor 2.2 transforma completamente a experiência da Rampage. O desempenho ficou mais forte em baixas rotações, as retomadas ganharam agilidade e o câmbio automático de nove marchas trabalha de maneira mais eficiente. Mesmo sendo diesel, o conjunto mantém vibração e ruído muito bem controlados.
A Ram conseguiu criar uma picape que foge do perfil tradicional do segmento. A Rampage 2027 não é a melhor opção para trabalho pesado extremo nem para trilhas radicais, mas entrega algo que poucas rivais conseguem combinar: visual imponente, acabamento refinado, tecnologia avançada e uma condução confortável sem abrir mão da sensação de força típica da marca.











