Avaliação: Chevrolet Sonic RS 2027 estreia com pegada esportiva e detalhes exclusivos
Foto: Patrice São Paulo, SP

O novo Chevrolet Sonic RS 2027 chega ao mercado brasileiro para ocupar um espaço estratégico entre o Onix e o Tracker. Mais alto, mais largo e com visual inspirado nos utilitários esportivos da marca, o modelo aposta em dirigibilidade equilibrada, boa altura do solo e um pacote tecnológico mais completo para tentar conquistar quem procura um compacto com comportamento mais maduro no uso urbano e rodoviário.

A Chevrolet decidiu oferecer o Sonic apenas nas versões Premier e RS, ambas posicionadas acima da média do segmento em equipamentos e acabamento. A configuração RS, avaliada no teste, traz um visual mais esportivo, detalhes exclusivos em vermelho, rodas escurecidas e acabamento interno diferenciado para reforçar a identidade mais agressiva do hatch.

Avaliação: Chevrolet Sonic RS 2027 estreia com pegada esportiva e detalhes exclusivos
Foto: Patrice São Paulo, SP

Por fora, o modelo chama atenção pelo conjunto dianteiro dividido em dois níveis, seguindo a linguagem já vista no Tracker. Os faróis são totalmente em LED, com assinatura luminosa integrada às setas, enquanto o para-choque tem desenho mais robusto e entradas de ar que reforçam a aparência esportiva do carro.

Na lateral, o Sonic RS adota rodas exclusivas de 17 polegadas com pneus 205/50, além de diversos detalhes em preto brilhante. O conjunto transmite uma sensação de carro maior do que realmente é, principalmente pela altura elevada em relação ao solo e pelas caixas de roda mais destacadas.


A traseira também ajuda a reforçar essa proposta moderna. As lanternas em LED são interligadas por um filete luminoso que atravessa toda a tampa do porta-malas, criando um efeito visual sofisticado durante a noite. O desenho arredondado invade as laterais da carroceria e dá mais personalidade ao hatch.

O porta-malas surpreende positivamente. São 392 litros de capacidade, número superior ao de muitos concorrentes diretos e suficiente para acomodar bagagens de uma família em viagens curtas. O compartimento ainda conta com banco traseiro bipartido em 60/40 e estepe temporário abaixo do assoalho.

Apesar de derivar da plataforma do Onix, o Sonic cresceu em praticamente todas as dimensões. São 4,26 metros de comprimento, 1,77 metro de largura e 1,53 metro de altura. O entre-eixos permanece em 2,55 metros, mas a carroceria mais larga e elevada muda bastante a percepção ao volante.

O destaque fica para os 20 centímetros de altura livre do solo. Esse número coloca o Sonic em uma posição intermediária entre hatch compacto e utilitário esportivo, permitindo enfrentar ruas esburacadas, lombadas e trechos de terra com muito mais tranquilidade do que o Onix tradicional.

Motorização

Debaixo do capô está o conhecido motor 1.0 turbo flex de três cilindros da Chevrolet, mas com pequenos ajustes de calibração. O conjunto entrega 115 cavalos de potência e torque de até 18,9 kgfm com etanol, sempre ligado ao câmbio automático de seis marchas com conversor de torque.

Na prática, o desempenho agradou durante o teste. O Sonic RS responde rapidamente ao acelerador e mostra um atraso do turbo bem menor do que em outros modelos compactos equipados com motores semelhantes. A aceleração começa de forma progressiva e o enchimento da turbina aparece de maneira mais natural.

Nas retomadas, o hatch demonstra agilidade principalmente acima das 3 mil rotações, momento em que o turbo entra com mais força. O motor sobe de giro rapidamente e transmite sensação de leveza, sem aquele comportamento excessivamente amarrado comum em alguns motores menores.

Mesmo sendo um três cilindros, o isolamento acústico surpreende. A Chevrolet trabalhou bem os coxins hidráulicos e o revestimento da cabine, reduzindo vibrações e filtrando ruídos mecânicos. Em velocidade de cruzeiro, o funcionamento é suave e o motor quase desaparece dentro da cabine.

Na estrada, rodando a 110 km/h, o Sonic mantém o giro próximo dos 2.500 rpm e transmite sensação de estabilidade. O ruído predominante vem mais dos pneus e do vento do que do conjunto mecânico. Isso ajuda a tornar viagens mais longas menos cansativas para motorista e passageiros.

A suspensão merece destaque especial. Mesmo com maior altura em relação ao solo, o hatch apresentou controle de carroceria acima do esperado. O balanço lateral é contido e o carro recupera rapidamente a trajetória após mudanças bruscas de direção ou curvas mais rápidas.

Em pisos ruins, o comportamento também impressiona. Buracos, pedras soltas e lombadas são absorvidos sem batidas secas ou fim de curso perceptível. O conjunto mostra curso de suspensão generoso e transmite robustez para enfrentar ruas mal conservadas sem sofrimento excessivo para os ocupantes.

Interior e equipamentos

O Sonic RS ainda traz uma boa lista de assistências eletrônicas. Entre os destaques estão alerta de colisão com frenagem automática, assistente de permanência em faixa, controlador de estabilidade, seis airbags e o sistema Easy Park, que realiza manobras de estacionamento semiautônomas.

Avaliação: Chevrolet Sonic RS 2027 estreia com pegada esportiva e detalhes exclusivos
Foto: Patrice São Paulo, SP

O painel digital segue o padrão já conhecido da linha Chevrolet, mas recebeu detalhes exclusivos na versão RS. O acabamento interno mistura superfícies rígidas com partes revestidas em material macio, além de costuras vermelhas, cintos vermelhos e bancos com inscrição RS nos encostos.

A central multimídia é uma das mais atualizadas da marca e oferece conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. O sistema tem boa qualidade sonora, comandos intuitivos e integração rápida com smartphones. O ar-condicionado digital também pode ser operado pela tela ou pelos botões físicos.

No espaço interno, o Sonic acomoda bem quatro adultos. O banco traseiro oferece distância razoável para pernas e cabeça, mesmo para passageiros mais altos. Em compensação, faltam itens como saída de ar traseira e iluminação dedicada para quem viaja no banco de trás.

Outro ponto positivo é a sensação de robustez ao volante. A direção transmite segurança, os freios respondem bem e o carro passa confiança em retomadas e ultrapassagens. Durante o teste, o modelo acelerou de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos, desempenho bastante competitivo para um compacto 1.0 turbo.

O consumo informado pela Chevrolet é de 8,4 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada com etanol. Já com gasolina, os números sobem para 12,1 km/l no uso urbano e 14,8 km/l em rodovias. Durante o teste, a média registrada ficou próxima de 10,8 km/l em uso misto.

Com preço inicial de R$ 140.990 na versão RS, o novo Sonic chega para disputar espaço entre os compactos premium e utilitários esportivos de entrada. Mais refinado que o Onix e mais acessível que o Tracker, o hatch tenta combinar desempenho, conforto e tecnologia em um pacote equilibrado para quem busca algo além do básico.

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