O mercado brasileiro de carros elétricos mudou rapidamente nos últimos anos, mas poucos modelos conseguiram manter uma presença tão forte quanto o BYD Dolphin GS. Mesmo cercado por novos concorrentes e por uma disputa cada vez mais intensa no segmento, o hatch da marca chinesa segue entre os elétricos mais vendidos do país, sustentado por um conjunto que mistura tecnologia, bom espaço interno, visual moderno e custo de uso reduzido no dia a dia.
A linha 2027 chega sem mudanças profundas no desenho, mantendo praticamente a mesma identidade visual que ajudou o modelo a ganhar espaço nas ruas brasileiras. A dianteira continua trazendo a barra iluminada em LED, faróis com projetores para luz alta e baixa, além das luzes diurnas integradas ao conjunto óptico. O visual segue moderno, principalmente pelos detalhes em preto brilhante e pelos elementos alaranjados espalhados pelo para-choque.
Mesmo sem grandes alterações estéticas, o Dolphin GS continua transmitindo sensação de carro tecnológico. A câmera frontal trabalha em conjunto com o sistema de visão em 360 graus, recurso ainda raro em modelos dessa faixa de preço. Por outro lado, a ausência de sistemas avançados de assistência ao motorista acaba chamando atenção negativamente, principalmente porque o modelo não oferece condução semiautônoma, monitoramento de ponto cego ou sensor de chuva.

Esse acaba sendo justamente um dos pontos que mais diferenciam o GS da nova versão Special Edition. A diferença de preço entre elas não é tão elevada, mas a configuração mais cara entrega uma lista mais ampla de equipamentos, incluindo pacote de assistência eletrônica mais completo e suspensão traseira multilink. No GS, a suspensão continua utilizando eixo de torção, solução mais simples e comum entre compactos.
Nas laterais, o hatch mantém rodas de liga leve aro 16 com pneus 195/60, além dos retrovisores com ajustes elétricos, rebatimento automático e iluminação de aproximação. A tecnologia NFC também continua disponível, permitindo substituir a chave física por cartão digital adquirido separadamente nas concessionárias. Apesar da proposta tecnológica, o Dolphin ainda mantém soluções tradicionais em alguns pontos.
Na traseira, o modelo preserva o visual limpo e minimalista, com assinatura luminosa horizontal e identificação “Build Your Dreams” ocupando boa parte da tampa do porta-malas. O compartimento oferece 250 litros de capacidade e ainda traz estepe temporário, algo que muitos concorrentes elétricos simplesmente abandonaram para priorizar redução de peso e espaço interno.
O conjunto mecânico permanece conhecido do consumidor brasileiro. O motor elétrico entrega 95 cavalos e 18,3 kgfm de torque, permitindo aceleração de zero a 100 km/h em cerca de 10,9 segundos. A velocidade máxima chega aos 160 km/h, desempenho suficiente para a proposta urbana e familiar do hatch elétrico da marca chinesa.
A bateria Blade de 44,9 kWh continua sendo um dos principais argumentos do carro. Segundo os números do Inmetro, a autonomia pode chegar a 291 quilômetros, resultado considerado competitivo dentro do cenário nacional. Além disso, o Dolphin mantém tração dianteira e um funcionamento extremamente silencioso, característica que ajudou a popularizar os elétricos entre consumidores urbanos.
Por dentro, o acabamento continua sendo um dos pontos fortes do modelo. Mesmo utilizando bastante plástico rígido, a cabine transmite sensação de qualidade graças às texturas diferenciadas, revestimentos macios em partes estratégicas e bancos revestidos em couro. O espaço traseiro também impressiona, principalmente pelo assoalho totalmente plano, favorecendo o conforto dos passageiros.

Os bancos largos e os cinco apoios de cabeça ajustáveis reforçam a proposta familiar do hatch. Ainda assim, alguns detalhes mostram que o Dolphin GS poderia oferecer mais. Faltam saídas de ar-condicionado para quem vai atrás e também iluminação traseira dedicada, itens que já aparecem em rivais mais recentes ou até em versões superiores da própria BYD.
Na dianteira, o interior aposta em aparência futurista e comandos pouco convencionais. O volante revestido em couro possui ajuste de altura e profundidade, enquanto a central multimídia giratória de 12,8 polegadas continua sendo um dos elementos mais chamativos do carro. O sistema oferece Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de câmera 360 graus com visualização tridimensional.
Outro destaque importante é a quantidade de equipamentos de conforto. O Dolphin GS traz carregador de celular por indução de 50 watts, freio eletrônico de estacionamento com função Auto Hold, seletor de marchas eletrônico e banco do motorista com ajustes elétricos. Os seis airbags seguem de série, reforçando a preocupação da marca com segurança estrutural.
O sucesso comercial também ajuda a explicar a força do modelo no Brasil. Nos primeiros meses de 2026, o Dolphin permaneceu como o segundo carro elétrico mais vendido do país, ficando atrás apenas do irmão menor, o BYD Dolphin Mini. Mesmo assim, a chegada do Geely EX5 acendeu um alerta, já que o rival registrou forte crescimento nas vendas mensais e passou a ameaçar diretamente a posição do hatch da BYD.
Hoje, o BYD Dolphin GS parte de R$ 149.990 e ainda aparece com campanhas agressivas nas concessionárias, incluindo bônus no usado e financiamento com taxa zero em condições específicas. Essa combinação entre preço competitivo, boa autonomia, cabine tecnológica e custo reduzido de utilização explica por que o modelo continua vendendo tanto, mesmo sem trazer grandes novidades na linha 2027.











