BYD enfrenta relatos de falhas na suspensão e acende alerta entre consumidores
Foto: Divulgação/BYD

A rápida expansão da BYD no mercado brasileiro ajudou a popularizar os veículos elétricos no país, mas também trouxe à tona relatos de proprietários que enfrentam problemas mecânicos considerados preocupantes. Entre as reclamações mais recorrentes estão falhas envolvendo eixo, semieixo, direção e componentes da suspensão.

Embora os casos não representem a totalidade da frota da marca, a repetição de ocorrências semelhantes em diferentes estados acendeu um sinal de alerta entre consumidores. Os registros apontam para defeitos que surgem em veículos com diferentes níveis de quilometragem e tempo de uso.

Uma das situações relatadas envolve um proprietário de BYD Dolphin em Minas Gerais. Durante uma revisão programada, a própria concessionária identificou a necessidade de substituir componentes ligados ao eixo e à caixa de direção, mas a autorização para o serviço demorou meses para ser liberada.

Segundo o relato, o problema foi detectado ainda na revisão dos 80 mil quilômetros. No entanto, o veículo ultrapassou os 100 mil quilômetros sem que o reparo fosse realizado, gerando preocupação sobre a garantia e a segurança do automóvel.

Outro caso registrado no sul do país descreve uma falha estrutural mais grave. O proprietário afirma que o eixo traseiro do veículo apresentou uma rachadura sem que tivesse ocorrido colisão, acidente ou qualquer outro tipo de impacto que justificasse o dano.

A situação teria deixado o automóvel parado na concessionária por um longo período, enquanto o consumidor aguardava uma solução. Além do transtorno da imobilização do veículo, o cliente também relatou dificuldades relacionadas ao carro reserva.

Em outro registro, também envolvendo um Dolphin, a concessionária teria identificado um eixo traseiro torto após reclamações sobre alinhamento e comportamento irregular da suspensão. O proprietário afirma que o problema surgiu em um veículo ainda coberto pela garantia.

Segundo o consumidor, a condição não poderia ser considerada desgaste natural, especialmente por envolver uma peça estrutural essencial para a estabilidade e segurança do automóvel. O caso resultou em pedidos de substituição dos componentes afetados.

As reclamações relacionadas ao semieixo aparecem com frequência semelhante. Em Curitiba, um proprietário relatou que a peça quebrou e acabou provocando danos adicionais ao conjunto mecânico, deixando o veículo impossibilitado de circular normalmente.

Em Belo Horizonte, outro consumidor afirmou que o semieixo direito se rompeu enquanto realizava uma simples manobra. O veículo tinha cerca de 40 mil quilômetros rodados, quilometragem considerada baixa para uma falha desse tipo.

O cliente relatou ainda que o pedido de cobertura pela garantia foi recusado. A justificativa apresentada teria sido um suposto mau uso do veículo, argumento contestado pelo proprietário, que considera incompatível a quebra da peça com o estado geral do carro.

Problemas ligados à direção também aparecem entre as reclamações. Em um caso registrado na Paraíba, a proprietária descreve uma sequência de visitas à assistência técnica motivadas por ruídos persistentes na suspensão e na direção dianteira.

Ao longo de diversos atendimentos foram substituídos componentes como amortecedores, juntas de direção, coluna de direção elétrica e outros itens mecânicos. Apesar das intervenções, os barulhos continuaram surgindo, segundo o relato apresentado.

No Ceará, outro consumidor informou que precisou acionar o serviço de guincho após perceber vibrações, ruídos metálicos e um forte ronco mecânico durante a condução. O diagnóstico indicou problemas relacionados ao conjunto do eixo.

Além do custo do reparo, o proprietário relatou demora na chegada das peças. A dificuldade para reposição de componentes aparece em diferentes reclamações, tornando o tempo de espera um dos principais pontos de insatisfação dos clientes.

Especialistas do setor observam que o conjunto formado por eixo, semieixo, suspensão e direção está entre os componentes mais exigidos pelas condições das vias brasileiras. Buracos, desníveis e pavimentação irregular aumentam o desgaste dessas peças.

Ainda não existe confirmação oficial de que os problemas representem um defeito generalizado dos modelos da marca. No entanto, a quantidade de relatos semelhantes envolvendo BYD Dolphin, Yuan Plus e Song Pro mostra que o tema merece atenção de consumidores e da fabricante nos próximos anos.

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