Jeep vai renovar Renegade, Compass e Commander e já prepara nova fase no Brasil
Foto: Stellantis

A ofensiva da Stellantis para os próximos anos no Brasil deixou claro que a eletrificação finalmente começará a ganhar força dentro das marcas mais populares do grupo. Em um evento voltado a investidores nesta quarta-feira (21), a companhia revelou parte da estratégia que irá guiar Fiat, Jeep e Ram até 2030, com direito a novas gerações, SUVs inéditos, picapes renovadas e a estreia dos primeiros híbridos plenos nacionais da fabricante.

No centro desse plano aparece a Jeep, que passará por uma das maiores transformações desde o início da produção em Goiana (PE). Renegade, Compass e Commander terão novas gerações e formarão a base da renovação completa da marca no país. Os três utilitários esportivos devem abandonar a antiga plataforma Small Wide, utilizada desde 2015, para adotar arquiteturas mais modernas e preparadas para eletrificação.

A principal novidade técnica será justamente a chegada do sistema híbrido pleno BioHybrid. Diferente dos híbridos leves já vistos em alguns modelos nacionais da Stellantis, esse conjunto permitirá que o veículo se movimente usando apenas eletricidade em determinadas situações, elevando eficiência energética, desempenho e autonomia. A estratégia mostra que a fabricante decidiu priorizar híbridos leves e híbridos plenos no Brasil, deixando elétricos e híbridos plug-in em segundo plano.

O novo Compass será o primeiro a liderar essa mudança. A geração mais recente do SUV já está em circulação na Europa desde 2025 e utiliza a plataforma STLA Medium, estrutura mais moderna que substitui a veterana Small Wide. A base promete melhorias importantes em estabilidade, conforto, espaço interno e capacidade de eletrificação, servindo também para os futuros Renegade e Commander.


Jeep vai renovar Renegade, Compass e Commander e já prepara nova fase no Brasil
Foto: Stellantis

Na prática, o Compass crescerá consideravelmente. O SUV passará a medir 4,55 metros de comprimento, avanço de 15 centímetros em relação ao modelo atual, enquanto o entre-eixos chegará a 2,79 metros. O porta-malas também evolui para 550 litros, além do aumento no espaço para as pernas dos passageiros traseiros, reforçando a proposta mais familiar do utilitário.

As versões com tração integral ainda terão atributos importantes para uso fora de estrada. A distância do solo alcança 200 milímetros e a capacidade de travessia em áreas alagadas chega a 470 milímetros. Mesmo mais sofisticado, o Compass seguirá preservando parte da tradição aventureira que consolidou a imagem da Jeep no Brasil ao longo dos últimos anos.

Na Europa, o SUV já oferece motores híbridos leves, híbridos plug-in e versões totalmente elétricas. Porém, para o mercado brasileiro, a Stellantis estuda uma adaptação mais alinhada à realidade local. O objetivo é utilizar conjuntos flex e ampliar a eficiência sem elevar excessivamente os custos, tornando os híbridos mais acessíveis dentro do segmento de SUVs médios.

O sistema BioHybrid deve nascer inspirado na tecnologia usada pela nova geração do Cherokee nos Estados Unidos. Por lá, o conjunto reúne um motor 1.6 turbo com dois motores elétricos, entregando mais de 210 cavalos de potência. No Brasil, porém, a tendência é que a marca substitua o propulsor pelo conhecido 1.3 turbo T270 flex, criando um conjunto adaptado ao etanol e com desempenho superior aos 200 cavalos.

Além da força, o consumo será um dos grandes argumentos da nova motorização. No Cherokee norte-americano, o conjunto híbrido registra médias próximas de 18 km/l e autonomia superior a 900 quilômetros. A expectativa é que os futuros Jeep nacionais avancem bastante nesse quesito, especialmente diante da pressão exercida pelos SUVs chineses eletrificados.

O Renegade também passará por uma transformação profunda. O modelo continuará sendo global e voltará inclusive a mercados onde deixou de ser vendido nos últimos anos, como América do Norte e Europa. O novo projeto terá desenho mais quadrado, reforçando referências aos clássicos da Jeep e seguindo uma identidade visual inspirada em utilitários robustos da marca.

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Foto: Jeep Amazonas Analia Franco N

Na Europa, o SUV compacto deverá ganhar até uma versão totalmente elétrica com potência próxima de 240 cavalos e autonomia estimada em cerca de 480 quilômetros. No Brasil, entretanto, a prioridade continuará sendo o sistema híbrido flex BioHybrid, além de versões híbridas leves baseadas no motor 1.0 turbo T200 já utilizado em outros modelos da Stellantis.

O Commander será o último integrante dessa renovação. Previsto para chegar entre 2029 e 2030, o SUV manterá a proposta de sete lugares, mas ganhará personalidade mais própria em relação ao Compass. O modelo deverá se aproximar visualmente de utilitários maiores da Jeep, como Grand Cherokee e Grand Wagoneer, ampliando o apelo familiar e sofisticado.

Outro nome importante confirmado no planejamento é o Avenger. O SUV compacto será produzido em Porto Real (RJ), ao lado dos modelos da Citroën, utilizando a plataforma Smart Car. Ele será o único Jeep nacional fora do complexo de Goiana e deve atuar como porta de entrada da marca, convivendo com o futuro Renegade dentro da linha brasileira.

Enquanto a Jeep prepara sua revolução tecnológica, a Fiat também terá papel central na estratégia da Stellantis. O grupo confirmou oficialmente o novo Argo inspirado no Grande Panda europeu, encerrando rumores sobre o retorno do Uno. O hatch começará a ser produzido em Betim (MG) ainda este ano e será uma das estrelas das comemorações de 50 anos da fabricante italiana no Brasil.

A Fiat ainda prepara uma nova geração de SUVs nacionais, incluindo futuros Pulse e Fastback, além do inédito projeto Grizzly. Paralelamente, Strada e Toro já têm sucessoras confirmadas, enquanto a Ram Rampage também passará por atualizações. Com isso, a Stellantis deixa claro que pretende acelerar sua presença em segmentos estratégicos e ampliar participação na América do Sul até o fim da década.

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