Os SUVs compactos mudou muito na última década, mas poucos modelos conseguiram permanecer relevantes por tanto tempo quanto o Nissan Kicks. Agora rebatizado de Nissan Kait, o utilitário tenta sobreviver em um segmento cada vez mais competitivo apostando justamente naquilo que o tornou popular: espaço interno generoso, mecânica simples e conforto acima da média para o uso urbano.
A mudança de nome aconteceu junto da chegada da nova geração global do Kicks ao Brasil. Como os dois modelos passaram a conviver nas concessionárias, a Nissan decidiu diferenciar o SUV antigo para evitar confusão entre produtos de categorias, preços e propostas diferentes. Assim surgiu o Kait, embora na prática ele continue sendo, essencialmente, o mesmo Kicks lançado na época das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
Mesmo depois de dez anos de mercado, a estrutura do carro permanece praticamente intacta. Plataforma, motor, câmbio e grande parte da mecânica seguem iguais, enquanto as novidades ficaram concentradas no visual, em alguns equipamentos e em pequenos ajustes de acabamento. A estratégia da Nissan foi modernizar a aparência sem mexer naquilo que já conquistou fama de confiável e barato de manter.

Na dianteira, o Kait ganhou para-choque redesenhado, capô mais alto, grade inédita e novos faróis de LED em todas as versões. A traseira também mudou, com lanternas redesenhadas e iluminação em LED, além da placa reposicionada para o para-choque. Apesar das alterações, a lateral praticamente entrega a idade do projeto, já que a carroceria central continua quase idêntica à do antigo Kicks.
A linha 2026 passou a contar com seis versões diferentes. A gama começa na Active, voltada principalmente para vendas diretas e público PcD, passando pelas configurações Sense, Sense Plus, Advance e Advance Plus, até chegar à Exclusive, que concentra os equipamentos mais sofisticados. A ideia da Nissan é ocupar desde a faixa dos SUVs compactos mais acessíveis até versões intermediárias de modelos maiores.
Debaixo do capô, todas as versões usam o conhecido motor 1.6 aspirado aliado ao câmbio automático CVT. São 113 cavalos com etanol e 110 com gasolina, além de torque de até 15,1 kgfm. O conjunto perdeu um pouco de força em relação ao antigo Kicks por causa das novas regras de emissões, mas a diferença prática é quase imperceptível no uso diário.
A proposta do conjunto mecânico continua sendo priorizar suavidade e durabilidade. Sem turbocompressor e sem injeção direta, o motor mantém construção simples, manutenção acessível e funcionamento bastante linear. O câmbio CVT trabalha com rotações baixas na maior parte do tempo e entrega respostas suaves, característica que agrada especialmente motoristas de aplicativo e quem roda muito na cidade.
Outro destaque continua sendo o espaço interno. Com 2,62 metros de entre-eixos e cerca de 4,30 metros de comprimento, o Kait oferece cabine ampla para pernas, cabeça e ombros. O SUV acomoda quatro adultos com conforto acima da média da categoria e ainda entrega um porta-malas de 432 litros, um dos maiores entre os concorrentes compactos.
A ergonomia também segue como ponto forte. A posição de dirigir é elevada, os bancos são confortáveis e o carro possui muitos comandos físicos, algo cada vez mais raro nos modelos atuais. O volante tem ajuste de altura e profundidade, enquanto os vidros grandes ajudam na sensação de amplitude e melhoram bastante a visibilidade durante manobras e no trânsito urbano.
Por outro lado, o interior mostra sinais claros da idade do projeto. O acabamento ficou mais simples que no antigo Kicks, abandonando os revestimentos de tecido no painel e apostando em muito plástico rígido. Algumas versões ainda deixam de oferecer itens esperados para a faixa de preço, como bancos revestidos em material sintético e ar-condicionado digital.

A central multimídia de 9 polegadas, exclusiva das versões mais caras, também gera críticas. Apesar do espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, o sistema aparenta pouca integração com o restante do carro e apresenta comandos confusos. Em algumas situações, funções exibidas na tela sequer funcionam corretamente, transmitindo sensação de improviso.
Na segurança, o Kait Advance Plus traz seis airbags, frenagem automática de emergência e assistente de permanência em faixa nas versões mais completas. Já a configuração Exclusive adiciona câmera 360 graus, piloto automático adaptativo, monitor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado. Ainda assim, parte dos recursos avançados ficou restrita apenas ao topo da linha.
Na condução, o Kait Advance Plus mantém exatamente o comportamento que ajudou a torná-lo popular no Brasil. A direção leve, o bom diâmetro de giro e a suspensão confortável fazem do Kite um carro extremamente fácil de dirigir. Mesmo sendo maior que alguns rivais compactos, ele continua muito agradável em ruas apertadas, estacionamentos e trajetos urbanos diários.
No fim das contas, o Nissan Kait Advance Plus 2026 não tenta esconder sua origem. Ele continua sendo o velho Kicks com visual atualizado, pequenas melhorias e uma nova identidade comercial. Ainda assim, justamente por preservar suas principais qualidades — conforto, espaço, robustez e dirigibilidade simples — o modelo segue tendo argumentos fortes para continuar relevante em um mercado cada vez mais disputado.











