A expansão da Toyota em Sorocaba marca uma das maiores mudanças da indústria automotiva brasileira nos últimos anos. A montadora japonesa confirmou a inauguração de sua segunda fábrica na cidade para novembro de 2026, consolidando o município paulista como principal centro industrial da marca no Brasil e um dos polos mais estratégicos da América Latina.
O novo complexo industrial nasce dentro do ciclo de investimentos de R$ 11 bilhões planejado pela empresa até 2030. O projeto foi desenhado para ampliar a produção nacional, reduzir emissões no processo fabril e preparar a operação brasileira para uma nova geração de veículos híbridos e eletrificados.
Mais do que ampliar espaço físico, a Toyota promove uma profunda reorganização de sua estrutura produtiva no país. A companhia encerra definitivamente as operações da fábrica de Indaiatuba, aberta em 1998, transferindo toda a produção do Corolla sedã para Sorocaba até o fim de junho de 2026.

Com isso, Sorocaba passa a concentrar praticamente toda a operação de automóveis da fabricante no Brasil. Hoje, a unidade já produz Corolla Cross e Yaris Cross, mas a nova fase do complexo incluirá também a futura geração da família Corolla, incluindo sedã, utilitário esportivo e até uma picape intermediária inédita.
Internamente chamada de Projeto 150D, a nova picape híbrida da Toyota já circula em testes e utilizará a mesma base estrutural do Corolla Cross. O modelo será posicionado para disputar mercado com Fiat Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e futuras rivais que chegam ao país a partir de 2026.
A expansão adicionará cerca de 160 mil metros quadrados de área construída ao complexo industrial paulista. Somadas, as estruturas de Sorocaba passarão de 145 mil m² para aproximadamente 305 mil m², elevando a capacidade anual de produção para perto de 270 mil veículos.
A Toyota estima abrir cerca de 2 mil novos empregos diretos com a ampliação das operações. Atualmente, aproximadamente 6,5 mil funcionários trabalham nas unidades brasileiras da marca, e a centralização produtiva deve gerar ganhos logísticos, operacionais e ambientais relevantes para a companhia.
Segundo Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, a nova unidade representa um movimento estratégico de longo prazo voltado ao crescimento sustentável da marca no país. De acordo com o executivo, a expansão fortalece a competitividade da empresa e prepara a operação nacional para o futuro da mobilidade híbrida.
A nova planta recebeu equipamentos modernos e foi projetada com foco em eficiência energética, redução de desperdícios e menor emissão de poluentes durante a fabricação. A estrutura também foi preparada para produzir veículos equipados com sistemas híbridos flex, tecnologia que a Toyota considera essencial para o mercado brasileiro.
A mudança encerra um ciclo histórico em Indaiatuba, cidade responsável por um dos capítulos mais importantes da indústria automotiva nacional. Foi ali que a Toyota nacionalizou o Corolla e criou a primeira fábrica da América Latina capaz de produzir automóveis híbridos flex em larga escala.
Ao longo de quase três décadas, mais de 1 milhão de veículos foram fabricados na unidade de Indaiatuba. A planta tinha capacidade para produzir até 70 mil carros por ano e se tornou símbolo da consolidação da Toyota entre os sedãs médios mais vendidos do mercado brasileiro.
A reorganização industrial também ocorre após um período delicado para a montadora no Brasil. Em 2025, uma forte tempestade destruiu parte da fábrica de motores de Porto Feliz, vizinha de Sorocaba, afetando temporariamente a produção nacional. Agora, com a nova estrutura, a Toyota busca fortalecer sua operação, ampliar exportações para a América do Sul e iniciar uma nova fase de crescimento no país.










