Carros elétricos vivem boom em 2026 e vendas disparam no país
Foto: Grupo NEW Motors

O mercado brasileiro de carros elétricos compactos mudou de patamar depois da chegada do novo Geely EX2 Pro. O modelo chinês desembarcou prometendo espaço de utilitário esportivo, desempenho acima da média e preço mais próximo de hatches populares, criando uma combinação que rapidamente chamou atenção de consumidores, motoristas de aplicativo e até concorrentes diretos.

A proposta do EX2 ficou ainda mais forte porque ele apareceu exatamente entre dois fenômenos da eletrificação nacional: o BYD Dolphin Mini e o BYD Dolphin. Custando entre R$ 123 mil e R$ 136 mil, ele ocupa uma faixa estratégica que mistura preço relativamente acessível com porte superior ao dos rivais.

O impacto inicial foi imediato. A fabricante recebeu cerca de 12 mil pedidos em pouco tempo, mas não conseguiu acompanhar o ritmo da demanda. Muitos compradores acabaram enfrentando filas de espera superiores a 90 dias, situação que gerou críticas e mostrou que a marca talvez não esperasse um sucesso tão rápido no país.

Por R$ 123 mil, Geely EX2 Pro vira ameaça real aos elétricos da BYD
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Mesmo com os atrasos, o Geely EX2 virou um dos assuntos mais comentados do segmento elétrico. Em abril, o modelo ultrapassou a marca de 3 mil unidades emplacadas, registrando o melhor resultado da história recente da fabricante chinesa no Brasil e consolidando sua presença entre os elétricos mais procurados do momento.


Curiosamente, a chegada do modelo não derrubou as vendas da BYD. Pelo contrário. O crescimento do interesse pelos elétricos compactos acabou ajudando todo o segmento. O Dolphin aumentou suas vendas mensais e o Dolphin Mini praticamente dobrou a média de emplacamentos em comparação ao ano anterior.

Isso mostra uma movimentação interessante do mercado brasileiro. Em vez de uma fabricante roubar clientes da outra, os chineses estão ampliando o interesse do consumidor pelos veículos elétricos. Quanto mais opções surgem, maior fica a curiosidade do público em conhecer e comparar esse tipo de carro.

Principais detalhes do visual e dimensões

Visualmente, o Geely EX2 aposta numa identidade mais moderna e menos caricata que muitos chineses antigos. A dianteira tem iluminação totalmente em LED, linhas limpas e aparência robusta. Mesmo sendo um hatch compacto, ele transmite um ar de utilitário esportivo urbano, principalmente pela altura elevada em relação ao solo.

A traseira é um dos pontos mais elogiados do projeto. As lanternas horizontais lembram modelos mais sofisticados e dão ao carro uma aparência mais refinada. O desenho tenta fugir da simplicidade excessiva encontrada em compactos tradicionais e aproxima o EX2 de modelos mais caros visualmente.

Apesar disso, existem cortes claros de custo na versão Pro. As rodas de aço com calotas acabam chamando atenção negativamente em um carro acima dos R$ 120 mil. Em um mercado acostumado a exigir rodas de liga leve até em carros populares, esse detalhe ainda incomoda bastante parte dos consumidores.

O tamanho também ajuda o modelo a se destacar. São 4,14 metros de comprimento e entre-eixos de 2,65 metros, medidas muito próximas de utilitários esportivos compactos vendidos no Brasil. Na prática, ele entrega espaço interno maior que vários elétricos da mesma faixa de preço.

Outro diferencial importante está na largura. O Geely EX2 é mais largo que o BYD Dolphin Mini e até supera o Dolphin convencional nesse aspecto. Isso melhora a sensação de espaço interno e deixa o carro mais confortável para passageiros no banco traseiro durante viagens urbanas ou trajetos mais longos.

A plataforma utilizada pela fabricante foi pensada justamente para reduzir custos de produção sem comprometer o espaço interno. A estrutura usa menos peças e simplifica a montagem, permitindo oferecer um carro maior sem elevar drasticamente o preço final ao consumidor brasileiro.

Na China, essa estratégia já deu resultado. O EX2 ultrapassou diversos concorrentes e terminou entre os elétricos compactos mais vendidos do país. Em um mercado extremamente competitivo e gigantesco, isso acabou fortalecendo a imagem do modelo também no Brasil.

No porta-malas, o Geely EX2 entrega um dos maiores diferenciais da categoria. São 375 litros de capacidade, número muito superior ao encontrado nos rivais elétricos compactos. Para famílias, motoristas de aplicativo e taxistas, isso muda completamente a praticidade no dia a dia.

O espaço é suficiente para acomodar malas grandes, mochilas e bagagens sem sacrificar os bancos traseiros. Em concorrentes menores, muitas vezes parte da carga precisa ir no banco traseiro ou até no banco dianteiro, algo que o EX2 praticamente elimina.

Além disso, o modelo ainda possui um pequeno compartimento dianteiro sob o capô. O chamado “porta-malas frontal” oferece mais 70 litros extras, permitindo guardar cabos de carregamento, mochilas ou objetos menores sem ocupar o compartimento principal traseiro.

Debaixo do assoalho está um dos pontos mais criticados do carro: a ausência de estepe. O modelo utiliza apenas kit de reparo emergencial para pneus. Embora isso esteja se tornando comum em elétricos modernos, ainda gera insegurança para quem passa muito tempo rodando nas ruas.

Motorização

Na motorização, o Geely EX2 também surpreende. O motor elétrico entrega 116 cavalos e torque imediato típico dos eletrificados. Na prática, ele acelera melhor que alguns concorrentes diretos e consegue oferecer respostas rápidas principalmente no trânsito urbano.

O desempenho acaba ajudado pelo peso relativamente contido para um elétrico. O modelo é mais leve que alguns rivais maiores, permitindo aceleração mais eficiente e consumo energético interessante. O resultado é um carro esperto nas arrancadas e agradável no uso diário.

A suspensão traseira independente também chama atenção positivamente. Enquanto muitos compactos apostam em soluções mais simples, o EX2 utiliza sistema multibraço, melhorando estabilidade, conforto e comportamento dinâmico em curvas e irregularidades do asfalto.

Outro ponto forte está na autonomia. A bateria de 39,4 kWh entrega alcance oficial próximo de 289 quilômetros pelo padrão brasileiro. Em uso urbano moderado, alguns testes indicam números ainda maiores dependendo da forma de condução e do trânsito.

O carregamento rápido também virou argumento importante. O Geely EX2 aceita potência de até 70 kW em corrente contínua, superando alguns rivais diretos. Isso permite recuperar boa parte da bateria em poucos minutos durante paradas rápidas em estrada ou centros urbanos.

Inteiror do Geely EX2

Por dentro, o acabamento tenta equilibrar simplicidade com aparência moderna. Há bastante plástico rígido, mas os bancos revestidos em material sintético passam sensação mais sofisticada do que muitos compactos convencionais vendidos atualmente no Brasil.

Por R$ 123 mil, Geely EX2 Pro vira ameaça real aos elétricos da BYD
Foto: Grupo NEW Motors

O espaço traseiro é satisfatório para adultos, embora o assoalho elevado típico dos elétricos deixe os joelhos um pouco mais dobrados. Ainda assim, o aproveitamento interno agrada e consegue acomodar passageiros com conforto razoável dentro da proposta urbana do veículo.

A versão Pro perde diversos equipamentos em relação à Max. Ficam de fora assistentes de condução, piloto automático adaptativo, frenagem automática, sistema de som superior, câmera 360 graus e carregador de celular por indução, itens presentes na configuração mais cara.

Mesmo assim, o conjunto geral faz o Geely EX2 parecer um dos elétricos mais equilibrados do mercado brasileiro atualmente. Ele combina espaço interno amplo, desempenho eficiente, porta-malas generoso e preço competitivo em um momento em que os consumidores começam finalmente a olhar os elétricos com menos desconfiança.

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