Com o avanço dos carros elétricos no Brasil, cresce também o interesse por sistemas de energia solar capazes de abastecer esses veículos sem depender da rede elétrica. A combinação entre geração fotovoltaica e mobilidade elétrica tem se mostrado uma alternativa cada vez mais atraente para quem busca reduzir gastos com energia no longo prazo.
Tomando como referência o BYD Dolphin SE, equipado com bateria de 45,1 kWh, é possível estimar quanto de energia seria necessário para realizar uma recarga completa diariamente. Embora o cálculo considere o carregamento de 0% a 100%, especialistas recomendam utilizar até cerca de 80% da capacidade da bateria para preservar sua vida útil.
Na prática, a quantidade de energia consumida para carregar o veículo é superior à capacidade nominal da bateria. Isso acontece porque o processo de conversão da corrente elétrica durante a recarga gera perdas. Considerando uma perda média de 15%, a demanda energética sobe para aproximadamente 53,06 kWh por carga completa.
Se o proprietário realizar uma recarga diária, o consumo mensal destinado exclusivamente ao carro elétrico alcançará cerca de 1.591,8 kWh. Com esse número em mãos, torna-se possível dimensionar corretamente um sistema fotovoltaico capaz de suprir toda essa necessidade energética ao longo do mês.
Para o cálculo da geração solar, foram considerados módulos fotovoltaicos de 620 watts, uma média de irradiação solar diária de 5,3 horas, comum em grande parte das regiões Norte e Nordeste, além de uma eficiência operacional de 80%, já descontando perdas provocadas por temperatura, sujeira, cabeamento e outros fatores.
Com esses parâmetros, cada painel solar seria capaz de gerar aproximadamente 2,63 kWh de energia por dia. A partir desse resultado, basta dividir a necessidade diária do veículo pela produção individual de cada módulo para descobrir o tamanho ideal do sistema fotovoltaico.
O resultado aponta a necessidade de cerca de 20 painéis solares de 620 watts para compensar integralmente o consumo de um Dolphin SE carregado diariamente. Esse conjunto seria capaz de gerar energia suficiente para abastecer o veículo sem custos adicionais na conta de luz.
Além dos módulos fotovoltaicos, o sistema também exige equipamentos complementares para funcionar corretamente. Entre eles estão os microinversores, responsáveis por converter a energia gerada pelos painéis em eletricidade utilizável na residência. A recomendação é utilizar cinco microinversores com potência entre 2.000 e 2.250 watts.
Cada microinversor pode atender quatro painéis solares, permitindo que todo o conjunto opere com eficiência máxima. Essa configuração também oferece vantagens em monitoramento e desempenho, principalmente em situações de sombreamento parcial ou diferenças de geração entre os módulos.
No aspecto financeiro, os 20 painéis solares representam um investimento aproximado de R$ 14 mil, considerando um valor médio de R$ 700 por unidade. Já os cinco microinversores somam cerca de R$ 12,5 mil, tomando como base um custo médio de R$ 2.500 por equipamento.
A estrutura de fixação, trilhos, cabeamento e demais acessórios adicionam aproximadamente R$ 4,5 mil ao projeto. Somando os equipamentos principais, o investimento chega próximo de R$ 31 mil antes da instalação e dos processos técnicos necessários.
Quando são incluídos serviços como elaboração do projeto, homologação junto à concessionária e mão de obra especializada, o custo total do sistema sobe para cerca de R$ 36,5 mil. Esse valor considera um cenário extremo, em que o carro recebe uma recarga completa todos os dias do ano.
Caso o motorista utilize apenas 80% da bateria regularmente, o investimento necessário pode cair para aproximadamente R$ 29,5 mil. Em um uso mais moderado, consumindo cerca de metade da capacidade da bateria, o custo do sistema pode ficar próximo de R$ 21,3 mil. Considerando uma autonomia média de cerca de 300 quilômetros por carga e recargas diárias, o retorno financeiro do projeto pode ocorrer em aproximadamente dois anos e três meses. Depois desse período, a economia tende a se prolongar por décadas, já que os painéis solares modernos possuem vida útil superior a 25 anos e podem manter elevados níveis de eficiência por até 30 anos.










