Rodamos com o Nissan Kicks Sense 2026 e o ADAS entrega mais do que promete
Foto: Nissan Dahruj Braz Leme São Paulo, SP

O novo Nissan Kicks chegou ao mercado brasileiro cercado de expectativa por conta do pacote tecnológico mais avançado, do visual renovado e da promessa de oferecer uma condução mais inteligente. Mesmo na versão Sense, considerada a porta de entrada da linha, o utilitário esportivo aposta em uma lista ampla de assistências eletrônicas para justificar o preço elevado e tentar se posicionar entre os modelos mais modernos da categoria.

Na prática, o conjunto de recursos semiautônomos do Kicks entrega uma experiência que mistura pontos positivos e limitações evidentes. O carro até mostra evolução em relação à geração anterior, principalmente no refinamento eletrônico, mas ainda fica distante do comportamento mais sofisticado encontrado em rivais diretos e até em modelos menores de algumas marcas chinesas.

Logo nas primeiras avaliações, chama atenção a quantidade de ajustes disponíveis no sistema. O motorista pode configurar intensidade de vibração do volante, sensibilidade do assistente de faixa, frenagem automática de emergência, alerta de fadiga e até personalizar como o modo Eco interfere nos sistemas de condução.

Rodamos com o Nissan Kicks Sense 2026 e o ADAS entrega mais do que promete
Foto: Nissan Dahruj Braz Leme
São Paulo, SP

O menu é relativamente completo e permite alterar vários parâmetros do carro sem dificuldade. Existe também o alerta para objetos esquecidos no banco traseiro, recurso pensado principalmente para evitar distrações envolvendo bolsas, mochilas ou até crianças deixadas dentro do veículo após o fim da viagem.


O assistente de permanência em faixa é um dos sistemas mais importantes do pacote ADAS do Kicks e funciona apenas acima dos 60 km/h. Isso deixa claro que a proposta da Nissan foi priorizar uso em rodovias, embora o funcionamento na prática ainda apresente limitações perceptíveis em curvas mais longas.

Durante os testes, o sistema conseguiu corrigir o volante em algumas situações de saída involuntária da faixa. Em determinados momentos, o carro retornou corretamente ao centro da pista sem exageros na direção, comportamento importante para não assustar o motorista durante a condução.

Apesar disso, o desempenho não foi consistente. Em curvas mais acentuadas ou mudanças rápidas de trajetória, o sistema chegou a iniciar a correção, mas desistiu no meio do processo, liberando o volante e permitindo que o veículo continuasse saindo da faixa sem assistência ativa.

Outro ponto criticado foi o excesso de alertas sonoros. Mesmo após o motorista reassumir totalmente a direção, o carro continua emitindo avisos por vários segundos, algo que pode incomodar bastante em viagens mais longas ou em situações de teste frequente do sistema.

A regulagem de sensibilidade também não mostrou diferenças tão grandes quanto o esperado. Mesmo configurando o nível máximo de atuação, o comportamento do assistente de faixa continuou apenas razoável, sem mudanças realmente significativas na intensidade das correções feitas pelo volante.

Em alguns momentos mais críticos, o Kicks chegou a tocar a linha da pista mesmo tentando corrigir a trajetória. Isso gerou insegurança em trechos próximos a barreiras laterais e veículos ao lado, mostrando que o sistema ainda exige atenção constante e não transmite confiança para uma condução sem intervenção humana.

A centralização ativa de faixa, que realmente mantém o veículo alinhado sozinho no centro da pista, não está disponível nessa versão Sense. O recurso aparece apenas na configuração Platinum, a mais cara da linha, aproximando o Kicks de um comportamento semiautônomo mais completo.

A frenagem automática de emergência, por outro lado, mostrou funcionamento mais convincente. O sistema atua a partir de 5 km/h e promete detectar carros, pedestres e obstáculos à frente, ajudando a evitar acidentes ou ao menos reduzir a gravidade de impactos inevitáveis.

Segundo a própria Nissan, o sistema consegue reconhecer pedestres entre 10 e 80 km/h, embora o manual apresente informações contraditórias em outro trecho, citando limitações abaixo dos 60 km/h. Mesmo assim, o alerta de colisão demonstrou rapidez e eficiência durante aproximações bruscas do veículo à frente.

Os avisos visuais aparecem rapidamente no painel, acompanhados por alertas sonoros discretos, mas eficientes. Em uma situação de aproximação rápida de outro carro, o sistema identificou corretamente o risco e emitiu o alerta antes mesmo de qualquer reação manual do motorista.

A marca também explica que a frenagem automática pode ser cancelada caso o motorista vire o volante bruscamente para desviar do obstáculo. Nessa situação, o carro entende que a colisão está sendo evitada manualmente e deixa de interferir na frenagem.

Outro detalhe importante é que, caso o veículo consiga parar completamente sozinho, os freios permanecem acionados por apenas cerca de dois ou três segundos. Depois disso, o sistema libera automaticamente o carro, algo considerado inadequado para uma proposta mais moderna de assistência semiautônoma.

O controle de cruzeiro adaptativo, conhecido como ACC, funciona entre 30 e 144 km/h e utiliza radar frontal para controlar automaticamente a distância do veículo à frente. O sistema acelera e freia sozinho dentro de limites definidos pela programação eletrônica do carro.

Rodamos com o Nissan Kicks Sense 2026 e o ADAS entrega mais do que promete
Foto: Nissan Dahruj Braz Leme
São Paulo, SP

No trânsito urbano, o ACC apresentou comportamento equilibrado na maior parte do tempo. As retomadas de velocidade ocorreram de forma relativamente suave, sem acelerações exageradas, enquanto as frenagens variaram entre atuações confortáveis e intervenções mais bruscas em situações inesperadas.

Em congestionamentos leves, o sistema conseguiu acompanhar bem o fluxo, desacelerando gradualmente e retomando a velocidade sem trancos excessivos. Ainda assim, faltou o recurso conhecido como Stop and Go, presente em modelos mais sofisticados e esperado em um carro dessa faixa de preço.

Isso porque, ao parar completamente, o Kicks não volta a acelerar sozinho quando o trânsito anda novamente. O motorista precisa reativar manualmente o sistema, algo que reduz a praticidade em deslocamentos urbanos com muitas paradas.

O ACC também mostrou limitações em mudanças rápidas de faixa. Quando outro veículo invade parcialmente a trajetória do carro, o radar demora alguns instantes para entender a situação, exigindo reação manual do motorista para evitar aproximações perigosas.

A sensação geral é de um sistema apenas mediano. Não chega a ser ruim, mas também não impressiona pelo refinamento. Em modelos mais caros da própria categoria, as acelerações e frenagens costumam acontecer de maneira mais suave e previsível.

Outro recurso presente no Kicks é o sensor de fadiga. O sistema monitora o comportamento da direção acima dos 60 km/h e analisa pequenas correções no volante, desvios de faixa e oscilações de condução para identificar possíveis sinais de cansaço do motorista.

Quando detecta comportamento considerado irregular, o carro exibe um alerta no painel sugerindo uma pausa para descanso. É uma função simples, mas importante em viagens longas, principalmente para motoristas que passam muitas horas seguidas ao volante.

O farol alto automático também integra o pacote tecnológico. O recurso funciona apenas acima dos 40 km/h e alterna automaticamente entre farol baixo e alto dependendo das condições de iluminação da via e da presença de outros veículos.

Durante os testes noturnos, o sistema demorou mais do que o esperado para ativar o farol alto, principalmente em trechos parcialmente iluminados. Ainda assim, o funcionamento foi correto quando a estrada ficou realmente escura, desligando automaticamente ao identificar iluminação urbana.

A frenagem automática em manobras atua apenas em marcha à ré e abaixo dos 15 km/h. O sistema detecta obstáculos atrás do veículo e pode frear sozinho para evitar colisões em garagens, vagas apertadas ou manobras com pedestres circulando próximos ao carro.

Já o alerta de objetos no banco traseiro utiliza um funcionamento simples. Se as portas traseiras forem abertas antes da viagem, o carro entende que pode haver algo no banco traseiro e, ao desligar o motor, exibe um aviso para conferência do compartimento.

Mesmo oferecendo uma lista extensa de assistências eletrônicas, o novo Nissan Kicks Sense deixa a impressão de que poderia entregar mais pelo valor cobrado. Com preço próximo dos R$ 170 mil, o modelo já entra em uma faixa onde o consumidor naturalmente espera sistemas mais completos e refinados.

A ausência de itens como centralização ativa de faixa nas versões intermediárias, sensor de ponto cego e retomada automática do ACC acaba pesando negativamente. O resultado é um pacote tecnológico funcional, moderno em aparência, mas que ainda transmite sensação de evolução incompleta diante da concorrência atual.

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