A Hyundai iniciou uma nova fase de ajustes técnicos em seus motores no Brasil, com foco em adequar a linha equipada com o 1.0 TGDI às exigências mais rigorosas do Proconve L8. A mudança atinge diretamente os modelos HB20, HB20S e Creta, que terão redução de potência em nome de eficiência ambiental e enquadramento regulatório. O movimento não ocorre de forma isolada, mas acompanha uma tendência global de readequação mecânica diante de regras mais rígidas de emissões e tributação.
A principal alteração está na recalibração do motor 1.0 turbo da família Smartstream, que hoje entrega até 120 cv. Com a nova configuração, esse número passa a 115 cv tanto com gasolina quanto com etanol, enquanto o torque permanece inalterado em 17,5 kgfm. A redução foi apresentada pela marca durante o lançamento do novo i20, que já chega ao mercado brasileiro com esse ajuste incorporado.
Segundo informações apuradas no setor automotivo, a decisão não está ligada a limitações de engenharia, mas sim a uma combinação de fatores regulatórios e estratégicos. Além das exigências ambientais do Proconve L8, a Hyundai também busca adequar seus produtos às regras do IPI Verde, sistema que redefine a tributação com base em eficiência energética e emissões.
Esse ajuste no motor também reflete uma reorganização mais ampla da indústria automotiva, que vem revisando potências e calibrações para evitar faixas tributárias mais altas. A redução de 5 cv, embora pareça pequena, tem impacto direto na classificação fiscal dos veículos, o que influencia custos e competitividade no mercado brasileiro.

IPI Verde e a estratégia tributária por trás da redução de potência
A mudança promovida pela Hyundai está diretamente ligada ao novo modelo de tributação conhecido como IPI Verde, dentro do programa Mover do governo federal. O sistema estabelece diferentes faixas de cobrança de imposto de acordo com potência, eficiência e tecnologia embarcada, criando incentivos para motores mais eficientes.
Na prática, veículos com até aproximadamente 115,6 cv ficam isentos do adicional de IPI. Já modelos entre esse limite e cerca de 142 cv passam a pagar acréscimo de 0,75 ponto percentual, o que encarece o produto final. A partir daí, as alíquotas sobem progressivamente conforme a potência aumenta.
Com o motor recalibrado para 115 cv, o conjunto da Hyundai permanece dentro da faixa mais favorável, evitando o impacto tributário extra. Essa estratégia não é exclusiva da marca sul-coreana e já foi adotada por outras montadoras que atuam no Brasil, especialmente em motores 1.0 turbo.
O objetivo central não é apenas reduzir emissões, mas também manter competitividade de preço. Em um mercado altamente sensível a variações de custo, pequenas mudanças de potência podem representar diferença relevante no valor final ao consumidor, principalmente em segmentos como hatchs e SUVs compactos.
HB20, HB20S e Creta: o que muda na prática
Na linha Hyundai, a recalibração será aplicada ao HB20, HB20S e ao SUV Creta nas versões equipadas com o motor 1.0 TGDI. Esses modelos passarão a oferecer 115 cv de potência em qualquer tipo de combustível, substituindo o antigo acerto de até 120 cv com etanol.
Apesar da redução numérica, a marca mantém o torque de 17,5 kgfm disponível a partir de baixas rotações, o que preserva a sensação de dirigibilidade no uso urbano e rodoviário. A transmissão automática de seis marchas também permanece sem alterações, garantindo continuidade no comportamento dinâmico.

O HB20 e o HB20S seguem com duas versões principais do motor turbo dentro da linha 2027, associadas a níveis de acabamento como Limited e Platinum. Já o Creta mantém a oferta do 1.0 TGDI nas versões intermediárias, enquanto as configurações mais caras seguem com o motor 1.6 turbo.
Esse propulsor 1.6 TGDI, inclusive, também passou por ajustes recentes e já atende às normas do Proconve L8 sem necessidade de redução tão significativa. Ele entrega cerca de 176 cv com gasolina e até 173 cv com etanol, mantendo foco em desempenho superior dentro da gama.
Eficiência, consumo e ajustes técnicos adicionais
Além da mudança de potência, a Hyundai já vinha promovendo melhorias técnicas no conjunto mecânico dos seus modelos. No Creta reestilizado, por exemplo, o motor recebeu coletor de escape integrado ao cabeçote, válvula termostática eletrônica e bomba de óleo com controle eletrônico, elementos que aumentam a eficiência térmica.
Essas melhorias também contribuíram para ajustes nos números de consumo. No HB20 e HB20S 1.0 TGDI, o desempenho médio com gasolina chega a cerca de 13 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada. No Creta, os números ficam em torno de 12 km/l no ciclo urbano e 12,7 km/l em rodovias.
O conjunto mecânico permanece baseado na arquitetura de três cilindros com injeção direta e comando por corrente metálica, característica da família Smartstream. Mesmo com a redução de potência, a estrutura do motor não foi alterada de forma significativa.
Esses ajustes reforçam a estratégia da Hyundai de priorizar eficiência energética sem comprometer a durabilidade ou a experiência de condução, alinhando o produto às exigências regulatórias mais recentes do mercado brasileiro.
Tendência do mercado e impacto na indústria automotiva
A movimentação da Hyundai não é um caso isolado. Outras montadoras também vêm promovendo recalibrações semelhantes em motores turbo para se enquadrar nas novas regras de emissões e tributação. Esse cenário já foi observado em modelos da Chevrolet, Volkswagen e Stellantis.
A tendência é que motores como o 1.3 turbo e o 1.0 T200 também passem por ajustes semelhantes nos próximos ciclos de atualização. Em alguns casos, a redução de potência é acompanhada de melhorias de eficiência, mantendo o desempenho prático praticamente inalterado.
No caso do novo i20, que serviu como base para essa nova fase da Hyundai, a marca já aplica a configuração de 115 cv nas versões automáticas, enquanto mantém opções aspiradas em versões de entrada. Isso reforça a estratégia de adaptação gradual ao novo cenário regulatório brasileiro.
Com isso, HB20, HB20S e Creta seguem o mesmo caminho, antecipando uma mudança estrutural no mercado automotivo nacional. Mais do que uma simples redução de potência, trata-se de uma reorganização completa da forma como os veículos são desenvolvidos, tributados e posicionados no Brasil.










