Andei no Citroën Basalt Dark Turbo e descobri o que ninguém te conta sobre o SUV cupê
Foto: Champion Peugeot E Citroën 0km

O crescimento do Citroën Basalt no mercado brasileiro ajuda a explicar por que a marca francesa voltou a ganhar relevância em um segmento dominado por utilitários esportivos compactos. O modelo virou peça importante dentro da estratégia da fabricante ao unir preço competitivo, espaço interno generoso e um visual que chama atenção nas ruas sem exageros.

Na nova série Dark Edition, o Basalt aposta justamente na aparência mais agressiva para atrair consumidores que querem um carro com presença visual diferenciada. A edição especial traz acabamento escurecido, detalhes vermelhos espalhados pela carroceria e um conjunto que reforça a proposta mais esportiva do utilitário.

A dianteira concentra boa parte da identidade do modelo. A grade frontal escurecida, os emblemas em preto e os elementos vermelhos chamados de André Red remetem ao fundador da Citroën, André Citroën, personagem histórico que marcou a indústria automobilística pela ousadia tecnológica e pelo design inovador da marca francesa.

Andei no Citroën Basalt Dark Turbo e descobri o que ninguém te conta sobre o SUV cupê
Foto: Champion Peugeot E Citroën 0km

Mesmo pertencendo ao mesmo grupo da Fiat, Jeep e Peugeot, o Basalt não utiliza a mesma base estrutural do Fiat Fastback. O utilitário foi desenvolvido sobre a plataforma CMP, originalmente criada pelo antigo grupo Peugeot-Citroën, embora em uma configuração simplificada voltada aos mercados emergentes como o brasileiro.


Na prática, essa arquitetura mais enxuta permitiu que o Basalt chegasse ao mercado com preços inferiores aos de muitos concorrentes diretos. A versão de entrada equipada com motor aspirado parte da faixa dos R$ 95 mil, enquanto a Dark Edition ultrapassa os R$ 115 mil dependendo dos opcionais e das combinações de pintura.

As tonalidades de cinza disponíveis elevam ainda mais o valor final do veículo, principalmente quando combinadas com teto preto. Ainda assim, o Basalt tenta compensar isso oferecendo um porte avantajado, boa altura em relação ao solo e um conjunto visual que entrega sensação de carro maior do que realmente é.

Os 209 milímetros de vão livre ajudam bastante na rotina brasileira, principalmente em quebra-molas altos, entradas de garagem desniveladas e ruas mal conservadas. Os ângulos de entrada e saída também favorecem o uso urbano sem aquele receio constante de raspar para-choque ou parte inferior da carroceria.

O desenho traseiro em estilo cupê é um dos pontos que mais dividem opiniões. Além do visual mais moderno, o formato inclinado dispensa limpador traseiro porque, segundo a engenharia da marca, o fluxo de ar consegue remover parte da sujeira acumulada no vidro durante o movimento do veículo.

Na prática, isso funciona parcialmente. Em uso diário, especialmente após longos períodos estacionado sob chuva ou poeira, a sujeira permanece acumulada no vidro traseiro. É um detalhe simples, mas que incomoda parte dos proprietários que preferem soluções mais tradicionais para limpeza da traseira.

A Dark Edition mantém praticamente os mesmos equipamentos da versão Shine, mudando basicamente o pacote visual. As rodas de 16 polegadas escurecidas ajudam a reforçar o aspecto esportivo, enquanto os pneus 205/60 colaboram para preservar o conforto e absorver melhor as irregularidades do asfalto brasileiro.

A suspensão traseira utiliza eixo de torção e freios a tambor, soluções simples e comuns na categoria. Ainda assim, o acerto feito pela engenharia brasileira da Stellantis merece destaque porque entrega um equilíbrio convincente entre estabilidade e conforto, especialmente em ruas esburacadas e viagens rodoviárias.

O Basalt consegue rodar de forma macia sem passar sensação excessiva de carro mole. Em curvas, mantém comportamento previsível e transmite segurança acima da média entre utilitários compactos de entrada, algo que mostra a experiência da engenharia nacional em adaptar suspensões para a realidade brasileira.

Apesar dos elogios ao conjunto mecânico, o pós-venda ainda aparece como um ponto sensível nas discussões envolvendo a Citroën. Relatos em plataformas de reclamação citam falhas elétricas, problemas de atendimento e dificuldades em algumas concessionárias, situação que ainda afeta a imagem da marca junto ao consumidor.

Ao mesmo tempo, muitos proprietários relatam satisfação com o veículo e destacam justamente o baixo custo de manutenção e o conforto diário como diferenciais positivos. O contraste mostra que a experiência de compra e assistência depende muito da qualidade da rede autorizada em cada região do país.

Debaixo do capô está um dos motores mais conhecidos da Stellantis atualmente. O propulsor 1.0 turbo de três cilindros entrega até 130 cavalos com etanol e torque de 20,4 kgfm já em baixas rotações, combinação que garante respostas rápidas tanto na cidade quanto em retomadas de estrada.

Por ser utilizado em diversos modelos da Fiat, Peugeot e Citroën, o motor tende a ter manutenção mais acessível no futuro. Além disso, o grande volume de produção ajuda a aumentar a confiança do mercado, já que defeitos graves em larga escala gerariam impactos enormes para o grupo automotivo.

O câmbio automático do tipo continuamente variável trabalha com sete marchas simuladas e prioriza suavidade no uso urbano. Um dos destaques está na redução das vibrações típicas de motores três cilindros, graças ao sistema que desacopla parcialmente a transmissão em paradas rápidas no trânsito.

Andei no Citroën Basalt Dark Turbo e descobri o que ninguém te conta sobre o SUV cupê
Foto: Champion Peugeot E Citroën 0km

Dentro da cabine, o Basalt entrega espaço interno acima da média para a categoria. O entre-eixos de 2,64 metros favorece quem viaja no banco traseiro, inclusive adultos altos, enquanto o assoalho relativamente confortável permite acomodar três passageiros sem sofrimento excessivo em trajetos médios.

O porta-malas é um dos maiores trunfos do utilitário. São 490 litros de capacidade, volume suficiente para viagens familiares completas, malas grandes, bolsas e objetos extras sem necessidade de reorganizar tudo a cada parada. Para motoristas de aplicativo, isso acaba sendo um diferencial importante.

Foi justamente esse conjunto de espaço, economia e custo operacional relativamente baixo que aproximou o Basalt da categoria Black da Uber. A posterior retirada do modelo da categoria gerou forte reação dos motoristas, principalmente daqueles que compraram o carro pensando em maior retorno financeiro.

Mesmo oferecendo bom conforto, o Basalt não possui acabamento sofisticado típico de carros premium. Há muito plástico rígido nas portas e no painel, ausência de itens mais refinados e falta de tecnologias avançadas de assistência à condução, como frenagem autônoma ou alerta de permanência em faixa.

Em compensação, a central multimídia evoluiu bastante desde o lançamento do modelo. A tela de 10,25 polegadas trabalha de forma rápida, o Android Auto sem fio conecta com agilidade e os comandos físicos do ar-condicionado ajudam na ergonomia, algo cada vez mais raro em carros atuais.

O pacote de segurança, porém, permanece simples para os padrões mais modernos. O Basalt conta com airbags frontais e laterais, câmera de ré e sensores traseiros, mas deixa de fora assistências eletrônicas avançadas que hoje começam a aparecer em concorrentes mais caros do segmento.

No fim das contas, o Citroën Basalt Dark Edition mostra exatamente qual é sua proposta: entregar muito espaço, visual chamativo, mecânica eficiente e custo competitivo sem tentar parecer um utilitário esportivo de luxo. E talvez seja justamente essa honestidade do projeto que explique o crescimento do modelo nas vendas brasileiras.

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