A Fiat aproveitou as comemorações de seus 127 anos para apresentar oficialmente dois dos projetos mais importantes de sua estratégia global para os próximos anos. Batizados de Grizzly e Grizzly Fastback, os novos SUVs ampliam a família derivada do Grande Panda e inauguram uma nova etapa da marca na Europa, ao mesmo tempo em que antecipam a renovação da linha de utilitários esportivos destinada a mercados como América Latina, África e Oriente Médio. A chegada ao Brasil já foi confirmada pela Stellantis, embora os modelos devam adotar outras denominações comerciais.
A revelação ocorreu antes mesmo da estreia pública da dupla, marcada para o Salão do Automóvel de Paris, em outubro. Apesar de a Fiat ainda preservar parte das especificações técnicas, as imagens oficiais permitem identificar uma proposta bastante diferente daquela adotada nos atuais Pulse e Fastback. O foco agora está em veículos maiores, com visual mais sofisticado e arquitetura preparada para diferentes tipos de motorização.
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Plataforma inédita amplia possibilidades de eletrificação
Grizzly e Grizzly Fastback utilizam a plataforma Smart Car, evolução da arquitetura CMP da Stellantis desenvolvida para suportar motores a combustão, híbridos leves e elétricos. A mesma base já serve de estrutura para modelos como Citroën Aircross e Basalt, mas os novos Fiat receberam carrocerias próprias e um projeto voltado para um posicionamento superior dentro da marca.
O Grizzly mede aproximadamente 4,40 metros de comprimento e aposta em um formato tradicional de SUV, priorizando espaço interno e uso familiar. Já o Grizzly Fastback chega aos 4,50 metros e combina linhas de cupê com maior capacidade para bagagens, oferecendo até 600 litros de porta-malas na configuração europeia.
Embora compartilhem componentes estruturais com outros veículos do grupo, ambos exibem identidade visual exclusiva. A dianteira traz faróis formados por módulos de LEDs com desenho inspirado em pixels, integrados à grade frontal, enquanto a traseira adota lanternas horizontais com a mesma assinatura luminosa. As proporções também diferem dos modelos da Citroën, especialmente na coluna traseira, na linha do teto e no desenho das superfícies da carroceria.
No interior, a Fiat abandona parte da linguagem utilizada no Grande Panda e apresenta um ambiente mais moderno. O painel possui formas retas, a central multimídia fica posicionada em destaque no alto do console e o console central de dois níveis cria novos espaços para acomodação de objetos. Freio de estacionamento eletrônico, partida por botão e acabamento mais refinado reforçam a proposta de evolução em relação aos SUVs compactos atuais da marca.
Para o mercado europeu, a fabricante confirmou versões equipadas com motor a gasolina, conjunto híbrido leve e variante totalmente elétrica. As configurações eletrificadas terão potência de até 145 cv, enquanto os modelos elétricos utilizarão baterias de diferentes capacidades, conforme a versão escolhida. A oferta de transmissões incluirá opções manuais e automáticas.
Brasil receberá versões adaptadas à realidade local
A estratégia da Stellantis prevê a comercialização da dupla também na América Latina, aproveitando a estrutura industrial já existente para veículos baseados na plataforma Smart Car. No Brasil, entretanto, os modelos deverão passar por adaptações técnicas e mecânicas para atender às características do mercado nacional.
A expectativa é que os futuros SUVs utilizem motores já conhecidos da linha nacional da Fiat, como o 1.0 turbo T200 e o 1.3 turbo T270, ambos associados à evolução do sistema híbrido leve que a Stellantis prepara para ampliar sua oferta de veículos eletrificados no país. Essa solução permite reduzir consumo e emissões sem elevar significativamente os custos de produção.
A chegada dos novos SUVs faz parte do ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões anunciado pela Stellantis para a América do Sul até o fim da década. O plano contempla uma ampla renovação do portfólio da Fiat, incluindo os sucessores naturais de Pulse e Fastback, além de outros lançamentos construídos sobre a plataforma Smart Car.
Ainda não há uma data oficial para o início das vendas no Brasil, já que os primeiros exemplares serão produzidos inicialmente na fábrica de Kenitra, no Marrocos, para abastecer Europa e Oriente Médio. A expectativa do setor é que os futuros SUVs nacionais cheguem entre 2027 e 2028, ocupando uma faixa de mercado acima dos modelos atuais e marcando uma nova fase da estratégia global da Fiat no segmento de utilitários esportivos.











