Primeiras impressões: Jetour T2 4x4 aposta motor elétrico traseiro para enfrentar o Tank 300
Foto: Jetour

A Jetour amplia sua presença no mercado brasileiro com a chegada do T2 XWD 4×4, nova versão topo de linha do SUV híbrido plug-in. Além de acrescentar tração integral inteligente ao modelo, a marca chinesa reforça sua proposta de unir desempenho elevado, autonomia generosa e aptidão para o fora de estrada, entrando em uma disputa direta com o GWM Tank 300 no segmento dos utilitários eletrificados de perfil aventureiro. O resultado é um SUV que preserva o conforto no asfalto, mas passa a oferecer uma capacidade off-road muito superior à da versão com tração dianteira.

Impressões do visual

O T2 continua chamando atenção pelo estilo inspirado nos tradicionais utilitários de aventura. As linhas retas, os para-lamas bem marcados e a carroceria praticamente vertical criam uma aparência robusta, mas sem exagerar nas proporções. Ao vivo, o SUV transmite menos imponência do que aparenta nas fotografias, principalmente graças ao capô relativamente baixo, que melhora a percepção das extremidades da carroceria e facilita a condução.

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A versão XWD 4×4 também recebe mudanças discretas, porém suficientes para diferenciá-la das configurações 4×2. As rodas de 20 polegadas ganham acabamento escurecido, assim como detalhes do rack de teto e do para-choque. O tradicional emblema i-DM passa a utilizar a cor vermelha, enquanto a inscrição XWD na tampa traseira identifica imediatamente a nova configuração com tração integral. Para quem procura um visual ainda mais exclusivo, a Jetour oferece a série Dark Knight, com pintura fosca e diversos elementos externos totalmente escurecidos.

Primeiras impressões: Jetour T2 4x4 aposta motor elétrico traseiro para enfrentar o Tank 300
Foto: Jetour

Outro ponto interessante é que o desenho quadrado não compromete tanto a dirigibilidade quanto poderia sugerir. A ampla área envidraçada, aliada ao capô baixo e aos grandes espelhos, facilita bastante as manobras urbanas. Mesmo medindo quase 4,80 metros de comprimento e mais de dois metros de largura, o T2 transmite uma sensação de controle maior do que a ficha técnica faz imaginar.

Motorização, desempenho e consumo

A principal evolução do T2 4×4 está sob a carroceria. O sistema híbrido plug-in mantém o motor 1.5 TGDI de ciclo Miller, mas incorpora um terceiro motor elétrico instalado no eixo traseiro, formando um conjunto composto por quatro propulsores. A Jetour divulga 597 cv e 91,7 kgfm como resultado da soma das potências e torques individuais, embora reconheça que ainda não exista uma metodologia oficial no Brasil para informar a potência combinada de veículos eletrificados.

Na prática, independentemente da metodologia utilizada, o desempenho impressiona. Mesmo pesando 2.362 kg — cerca de 250 kg a mais que a versão 4×2 — o SUV acelera de 0 a 100 km/h em apenas 5,5 segundos. A transmissão 3-DHT, desenvolvida especificamente para sistemas híbridos, trabalha de forma bastante eficiente na entrega de torque, proporcionando respostas rápidas principalmente nas retomadas e ultrapassagens.

Durante a condução em rodovia, a sensação predominante é de silêncio e suavidade. O isolamento acústico chama atenção e a abundância de torque faz o T2 ganhar velocidade com naturalidade, mesmo em velocidades de cruzeiro. A impressão é de que o conjunto trabalha sempre com folga, dispensando reduções frequentes ou acelerações mais intensas para manter o ritmo da viagem.

Apesar dos números expressivos, o desempenho percebido ao volante é menos explosivo do que os 597 cv podem sugerir. O peso elevado, a aerodinâmica típica de um SUV de linhas retas e a calibração mais progressiva da aceleração fazem com que o carro privilegie conforto e estabilidade em vez de entregar arrancadas abruptas, característica comum em muitos elétricos de alta potência.

Primeiras impressões: Jetour T2 4x4 aposta motor elétrico traseiro para enfrentar o Tank 300
Foto: Jetour

Outro destaque é a bateria CATL de 43,24 kWh, atualmente uma das maiores entre os híbridos plug-in vendidos no Brasil. Segundo os dados homologados pelo Inmetro, ela permite rodar até 106 quilômetros no modo totalmente elétrico. Já com o tanque de 70 litros abastecido, a autonomia combinada pode chegar a 1.300 quilômetros, ampliando significativamente o alcance em viagens longas.

Os números de eficiência também ajudam a justificar a proposta do conjunto híbrido. Conforme o Inmetro, o consumo equivalente é de 10,5 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada no funcionamento híbrido. Utilizando prioritariamente a energia elétrica, os índices equivalentes sobem para 26,1 km/l em percurso urbano e 22,1 km/l em rodovias, evidenciando que o desempenho elevado não impede o modelo de oferecer boa eficiência energética dentro da categoria.

Como é o 4×4 do Jetour T2? Funciona bem na terra?

É fora do asfalto que o T2 XWD 4×4 mostra por que a Jetour decidiu desenvolver uma versão específica para quem realmente pretende explorar trilhas. O sistema de tração integral inteligente XWD utiliza um motor elétrico exclusivo no eixo traseiro para distribuir torque de forma independente, eliminando a necessidade de um eixo cardã convencional. Na prática, isso permite respostas praticamente instantâneas sempre que há perda de aderência, sem que o motorista perceba atrasos na transferência de força entre os eixos.

O conjunto eletrônico é bastante completo. São oito modos de condução — Eco, Normal, Sport, Lama, Neve, Areia, Pedra e o modo X —, sendo este último capaz de identificar automaticamente o tipo de terreno e ajustar parâmetros como distribuição de torque, assistência da direção, sensibilidade do acelerador e atuação dos controles eletrônicos. Para quem não tem experiência em condução off-road, o modo automático acaba sendo um diferencial interessante por dispensar a escolha manual do programa ideal.

No percurso realizado em trilhas, com lama, areia, raízes, desníveis e trechos alagados, a impressão é de que o SUV enfrenta os obstáculos com enorme facilidade. O motorista praticamente precisa apenas escolher a trajetória correta, enquanto o sistema gerencia a tração de forma muito eficiente. A rigidez estrutural da carroceria também chama atenção, assim como o trabalho da suspensão independente, que absorve impactos sem transmitir batidas secas para a cabine, algo incomum em veículos voltados ao uso fora de estrada.

A capacidade off-road vai além da tração integral. O T2 oferece bloqueio eletrônico do diferencial traseiro, controle automático de descidas (HDC), modo de rastejamento (Crawl Mode), recurso Tank Turn para reduzir o raio de giro em terrenos estreitos e altura livre do solo de 205 mm. Os ângulos de entrada e saída são de 28° e 30°, respectivamente, enquanto a fabricante informa capacidade para atravessar áreas alagadas com até 700 mm de profundidade, graças também às proteções adicionais instaladas na bateria e na parte inferior da carroceria.

Interior e acabamento

A cabine acompanha a proposta premium do restante do veículo. Logo ao entrar, a sensação é de estar em um SUV de categoria superior, com amplo uso de materiais macios ao toque, revestimentos em tecido aveludado nas colunas e no teto, além de detalhes bem executados que evitam o excesso de elementos chamativos observado em alguns modelos chineses. O ambiente transmite sofisticação sem recorrer a soluções exageradas de design.

O espaço interno também merece destaque. O entre-eixos de 2,80 metros proporciona excelente área para os ocupantes do banco traseiro, enquanto o porta-malas mantém os 580 litros mesmo com a adoção da nova motorização. Há ainda soluções práticas, como porta-objetos distribuídos pela cabine, tomada elétrica, compartimentos adicionais na tampa do porta-malas e sistema de fechamento com sucção para evitar impactos bruscos.

Nem tudo, porém, é perfeito. A central multimídia concentra praticamente todas as funções do veículo, inclusive ajustes simples, como a regulagem dos retrovisores externos. Embora a interface seja moderna e ofereça diversas informações sobre o sistema híbrido e os modos off-road, a usabilidade exige um período de adaptação e pode acabar desviando a atenção do motorista durante a condução.

Primeiras impressões: Jetour T2 4x4 aposta motor elétrico traseiro para enfrentar o Tank 300
Foto: Jetour

Equipamentos

O pacote de equipamentos é um dos pontos fortes do T2 XWD 4×4. A lista inclui painel digital de 10,3 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, sistema de som Sony com 12 alto-falantes, carregador de celular por indução de 50 W, bancos dianteiros com ajustes elétricos, ventilação e memória, teto solar panorâmico e ar-condicionado digital de duas zonas.

Na segurança, o SUV entrega um pacote bastante completo de assistentes de condução. Estão presentes frenagem autônoma de emergência, piloto automático adaptativo, monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de desembarque seguro e a câmera de visão 540 graus, que permite visualizar inclusive a área sob o veículo durante obstáculos em trilhas. A Jetour oferece garantia de sete anos para o veículo e oito anos para a bateria e os motores elétricos, reforçando a confiança da marca no conjunto eletrificado.

Considerações finais

O Jetour T2 XWD 4×4 chega ao mercado brasileiro propondo uma combinação pouco comum entre desempenho de esportivo, autonomia de híbrido plug-in e verdadeira capacidade fora de estrada. A nova motorização amplia consideravelmente a versatilidade do SUV sem abrir mão do conforto que já era um dos pontos fortes da versão com tração dianteira.

Embora a central multimídia ainda apresente oportunidades de melhoria em ergonomia, o conjunto convence pela qualidade construtiva, pelo refinamento da cabine e, principalmente, pela eficiência do sistema XWD nas trilhas. Diante do que foi possível observar neste primeiro contato, o T2 4×4 mostra argumentos consistentes para disputar espaço diretamente com o GWM Tank 300 e se posiciona como uma das opções mais interessantes entre os SUVs híbridos plug-in de perfil aventureiro vendidos atualmente no Brasil.

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