A movimentação da BYD nos bastidores da Fórmula 1 começou a ganhar força nas últimas semanas e já coloca a fabricante chinesa no centro de uma das principais especulações do automobilismo mundial. Maior produtora de carros elétricos do planeta, a empresa avalia criar sua própria equipe na categoria e vê em Christian Horner o nome ideal para liderar o projeto desde o início.
As conversas se intensificaram após encontros realizados em Cannes, na França, onde Horner esteve com Stella Li, vice-presidente da BYD. Segundo informações publicadas pelo site PlanetF1, as reuniões trataram de diferentes possibilidades de entrada da montadora no grid, incluindo desde acordos tecnológicos até a formação de uma escuderia própria.
O interesse da empresa chinesa não surgiu agora. Durante o Grande Prêmio da China, realizado em março, Stella Li já havia admitido contatos com Stefano Domenicali, diretor executivo da Fórmula 1. Na ocasião, a executiva deixou claro que a categoria é vista pela BYD como uma plataforma estratégica para exposição global e desenvolvimento tecnológico.
A fabricante entende que a Fórmula 1 atravessa uma nova fase, cada vez mais conectada à eletrificação, sustentabilidade e inovação industrial. Internamente, a avaliação é de que participar do campeonato pode fortalecer a imagem da marca em mercados considerados prioritários, como Europa, Oriente Médio e América Latina.
Nos bastidores, a companhia chegou a analisar a compra de 24% das ações da Alpine pertencentes à Otro Capital. A ideia inicial era entrar na categoria por meio de uma participação societária, mas a BYD concluiu que ter controle limitado do projeto não atenderia aos planos de expansão que pretende desenvolver dentro do automobilismo.
Com isso, ganhou força a possibilidade de repetir um modelo semelhante ao adotado pela Cadillac, que estreou na Fórmula 1 em 2026 com uma operação própria. A BYD passou então a estudar a criação de uma equipe totalmente nova, algo que abriria caminho para a entrada da marca de luxo Yangwang como braço esportivo do grupo.
Nesse cenário, Christian Horner aparece como peça central da operação. O dirigente britânico deixou a Red Bull em julho de 2025, encerrando uma trajetória de duas décadas na equipe austríaca. Sob seu comando, a escuderia se transformou em uma das maiores forças da Fórmula 1 moderna e acumulou títulos mundiais com Sebastian Vettel e Max Verstappen.
Desde sua saída, Horner vem mantendo reuniões frequentes com Domenicali e também com Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA. Entre os assuntos discutidos estaria justamente a possibilidade de formação de uma 12ª equipe no grid, tema que passou a ganhar força após a entrada oficial da Cadillac no campeonato.
A aproximação entre Horner e BYD aumentou ainda mais depois de relatos de encontros do britânico com Wang Chuanfu, diretor executivo da fabricante chinesa. Embora nenhuma das partes confirme oficialmente as negociações, a presença conjunta em eventos recentes alimentou rumores sobre um projeto já em desenvolvimento nos bastidores.
A própria Stella Li não esconde o entusiasmo pela categoria. Em declarações recentes, afirmou que a Fórmula 1 representa paixão, cultura e sonho para milhões de pessoas ao redor do mundo. Segundo ela, a competição também serviria como um ambiente ideal para colocar à prova a tecnologia desenvolvida pela montadora chinesa.
A resistência histórica da Fórmula 1 à entrada de novas equipes também parece menor neste momento. Quando a Andretti tentou ingressar no grid, enfrentou forte oposição comercial e política. Agora, porém, dirigentes da FIA indicam que uma proposta considerada estratégica pode receber apoio, principalmente se ampliar mercados importantes para o campeonato.
Mohammed Ben Sulayem já declarou publicamente que uma equipe chinesa teria enorme potencial comercial para a categoria. O dirigente ressaltou que a Fórmula 1 não precisa simplesmente preencher vagas no grid, mas sim receber projetos capazes de fortalecer a sustentabilidade financeira e a longevidade do esporte.
A possível chegada da BYD representa mais do que apenas uma nova equipe. Ela simboliza a entrada definitiva das gigantes chinesas da eletrificação no principal palco do automobilismo mundial. Enquanto a empresa acelera investimentos em baterias, mobilidade elétrica e expansão internacional, a Fórmula 1 observa atentamente um movimento que pode transformar o equilíbrio industrial e tecnológico da categoria nos próximos anos.











