A BYD está prestes a dar um passo estratégico importante no mercado brasileiro ao lançar o Atto 2 DM-i, utilitário esportivo híbrido plug-in flex que chega com a missão de ampliar significativamente a participação da marca no segmento mais disputado do país. O modelo será apresentado oficialmente em 9 de junho e inaugura uma nova fase da fabricante chinesa no Brasil.
Embora seja derivado do Yuan Pro elétrico vendido atualmente no país, a nova versão híbrida adotará uma identidade própria. Em vez de manter o nome já conhecido pelos consumidores brasileiros, a BYD optou por chamá-lo de Atto 2 DM-i, alinhando a nomenclatura nacional ao padrão utilizado em outros mercados internacionais.
A mudança não acontece por acaso. A fabricante enxerga no novo SUV um potencial muito maior de vendas do que a versão totalmente elétrica, que registrou pouco mais de 1,3 mil unidades comercializadas em 2026. Com motorização flex, preço mais competitivo e produção nacional, a expectativa é transformar o modelo em um dos principais produtos da empresa.
A importância do lançamento é tão grande que o Atto 2 DM-i será o primeiro híbrido flex da BYD produzido no Brasil. A montagem ocorrerá na fábrica de Camaçari, na Bahia, inicialmente em regime de conjuntos semidesmontados, reforçando a estratégia de nacionalização da marca e reduzindo a dependência das importações.

O objetivo é claro: disputar espaço diretamente com líderes de mercado como Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross, Honda HR-V e Jeep Renegade. Além disso, o modelo também deverá enfrentar o Toyota Yaris Cross, atualmente o único utilitário esportivo híbrido eletrificado de grande volume na categoria.
Entre os diferenciais, o Atto 2 aposta na tecnologia híbrida plug-in, permitindo rodar apenas com eletricidade e realizar recargas externas. Essa característica o coloca em posição única dentro do segmento, oferecendo uma solução intermediária entre os híbridos convencionais e os veículos totalmente elétricos.
O conjunto mecânico utiliza a conhecida tecnologia DM-i da BYD. O sistema combina um motor 1.5 aspirado de quatro cilindros, agora adaptado para funcionar com gasolina e etanol, com um propulsor elétrico de 197 cv. Dependendo da configuração escolhida, a potência combinada poderá chegar a 166 cv ou 212 cv, enquanto o torque permanece em expressivos 30,6 kgfm.
As versões também se diferenciam pela capacidade das baterias. A opção de entrada utiliza um conjunto de aproximadamente 7,8 kWh, enquanto a variante mais completa emprega uma bateria de cerca de 18 kWh. No padrão europeu de medição, a autonomia elétrica varia entre 40 km e 90 km, números que deverão ser ajustados quando o veículo for homologado pelo Inmetro.
Quando bateria e tanque estão completamente abastecidos, a BYD projeta alcance total próximo de 1.000 quilômetros. Na configuração mais potente, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em apenas 7,5 segundos, desempenho que supera inclusive alguns utilitários esportivos compactos com proposta esportiva vendidos atualmente no mercado brasileiro.

As dimensões também colocam o modelo entre os principais concorrentes da categoria. São 4,31 metros de comprimento, 1,83 metro de largura, 1,67 metro de altura e entre-eixos de 2,62 metros. O porta-malas oferece 425 litros de capacidade, garantindo bom aproveitamento para famílias e viagens.
Visualmente, o Atto 2 DM-i mantém praticamente o mesmo desenho do Yuan Pro elétrico. As mudanças externas ficam concentradas em ajustes aerodinâmicos discretos e na inclusão da saída de escapamento, necessária para acomodar o sistema híbrido. No interior, destaque para a central multimídia giratória, painel digital e conectividade sem fio para smartphones.
A expectativa do mercado é que os preços fiquem abaixo dos atuais R$ 182.990 cobrados pelo Yuan Pro elétrico. As projeções apontam valores próximos aos praticados pelo sedã King, posicionando o novo SUV na faixa entre R$ 170 mil e R$ 180 mil, exatamente onde se concentra uma parcela importante dos consumidores que buscam migrar para veículos eletrificados.
A confiança da BYD no projeto é tão elevada que executivos da marca afirmam que o Atto 2 DM-i tem potencial para se tornar o veículo mais vendido da fabricante no Brasil, superando inclusive o Dolphin Mini. Se alcançar os resultados esperados, o modelo será peça fundamental para que a empresa cumpra sua meta de crescer 50% em vendas e atingir cerca de 180 mil emplacamentos no país ao longo de 2026.










