O custo do seguro ainda é uma das principais dúvidas de quem pensa em migrar para um carro elétrico ou investir em um modelo importado. Em meio a muitas opiniões espalhadas pela internet, uma comparação prática entre dois veículos de categorias diferentes ajuda a mostrar que a realidade nem sempre acompanha os mitos que circulam entre consumidores.
A análise envolve o Leapmotor B10, utilitário esportivo elétrico recém-lançado no Brasil pelo grupo Stellantis, e o Tiggo 7 Sport, modelo já conhecido no mercado nacional. Embora possuam propostas distintas, ambos servem como referência para entender quanto realmente custa proteger veículos modernos por meio de uma apólice completa.
O levantamento foi realizado com base em cotações obtidas junto a seguradoras tradicionais do mercado. No caso do B10, as melhores propostas vieram da Porto Seguro e da Tokio Marine, incluindo cobertura contra colisão, incêndio e roubo, indenização integral pela tabela Fipe, assistência 24 horas sem limite de quilometragem e carro reserva por 15 dias.

A proteção também contempla cobertura para vidros, lanternas, faróis e retrovisores, além de danos materiais e corporais a terceiros de até R$ 150 mil. Com esse pacote, o seguro anual do Leapmotor B10 ficou em R$ 3.741,65 pela Porto Seguro e R$ 3.610,74 pela Tokio Marine, seguradora escolhida para a contratação.
Considerando que o utilitário possuía valor de mercado próximo de R$ 183 mil no momento da cotação, o seguro representa aproximadamente 1,97% do valor do veículo. Trata-se de um percentual que surpreende positivamente quando comparado ao que muitos consumidores imaginam pagar por um automóvel elétrico de tecnologia recente.
Um dos pontos que realmente chama atenção não está no preço da apólice, mas no valor da franquia. Como acontece com praticamente qualquer carro importado, as peças possuem custo mais elevado e isso acaba refletindo diretamente nos reparos. No B10, a franquia ficou em R$ 14 mil pela Porto Seguro e R$ 10.282 pela Tokio Marine.
Segundo a avaliação apresentada, essa característica não está ligada necessariamente ao fato de o veículo ser elétrico. Modelos de marcas premium, utilitários esportivos maiores e veículos de categorias superiores também costumam apresentar franquias semelhantes devido ao preço das peças e da mão de obra especializada.
A explicação passa pela própria realidade dos reparos atuais. Em colisões de média intensidade, muitas oficinas autorizadas substituem componentes inteiros em vez de realizar recuperações. Um simples impacto frontal pode exigir troca de para-choque, para-lama, conjunto óptico e outros itens, fazendo a conta ultrapassar facilmente os R$ 30 mil.
Na comparação direta, o Tiggo 7 Sport apresentou números ainda mais acessíveis. Com valor de tabela Fipe de R$ 132.952, a apólice foi calculada com cobertura de 100% da Fipe, assistência de 500 quilômetros, proteção para vidros e componentes externos, além de carro reserva por sete dias na Allianz e quinze dias na Porto Seguro.
Nessas condições, o seguro anual ficou em R$ 2.833 pela Allianz e R$ 2.478 pela Porto Seguro, podendo ser parcelado em seis vezes sem juros. Para um utilitário esportivo dessa faixa de preço, os valores são considerados competitivos e ajudam a derrubar a ideia de que proteger um veículo moderno exige gastos excessivos.
A diferença entre os dois modelos ficou próxima de R$ 1.100 por ano. O dado chama atenção porque o Leapmotor B10 custa cerca de R$ 50 mil a mais que o Tiggo 7 e utiliza um conjunto totalmente elétrico. Ainda assim, o valor adicional do seguro ficou longe de representar uma diferença considerada exagerada.
No caso das franquias do Tiggo 7, os números foram de R$ 9.200 pela Allianz e R$ 7.888 pela Porto Seguro. Como parte da produção do modelo já ocorre no Brasil e existe maior disponibilidade de componentes no mercado, os custos de reparação acabam sendo mais controlados quando comparados aos de alguns importados recém-chegados.
O perfil utilizado para as cotações foi o de um motorista de 50 anos residente em Guarulhos, com garagem em residência própria, dois filhos adultos que eventualmente utilizam o veículo e uso particular. Os números podem variar conforme idade, região, histórico e utilização do automóvel, mas mostram que, na prática, o seguro de um carro elétrico ou importado nem sempre é o vilão que muitos imaginam.










