A Ferrari encontrou uma maneira pouco convencional de aproximar seus carros modernos da experiência dos esportivos clássicos. A nova 12Cilindri Manuale recupera dois elementos que haviam desaparecido dos lançamentos recentes de Maranello: uma alavanca em grelha e o pedal de embreagem.
A novidade, porém, não representa simplesmente o retorno do antigo câmbio manual. Por baixo da experiência criada para o motorista continua existindo uma transmissão automatizada de dupla embreagem, controlada eletronicamente. A Ferrari desenvolveu o sistema para reproduzir parte da interação de uma caixa manual sem abandonar a arquitetura moderna do carro.
O lançamento acontece justamente quando a fabricante também começa uma nova fase com o elétrico Luce, mostrando que Maranello pretende explorar caminhos bastante diferentes dentro da mesma gama.
Leia também
- Primeiro elétrico da Ferrari, Luce entrega 1.050 cv e cabine futurista
- Ferrari F80 Aperta aparece em testes pelas ruas de Maranello
- Papa Leão XIV conhece Ferrari Luce, primeiro elétrico da marca italiana
12Cilindri Manuale não tem câmbio manual convencional
É justamente aqui que está a principal diferença em relação aos rumores que circularam antes da apresentação.
A 12Cilindri Manuale possui alavanca e pedal de embreagem, mas os comandos são interpretados eletronicamente e trabalham sobre a transmissão de dupla embreagem do automóvel. Portanto, classificá-la simplesmente como uma Ferrari com “câmbio manual tradicional” seria tecnicamente impreciso.
A proposta está mais relacionada à experiência de condução. O motorista volta a participar das trocas utilizando movimentos semelhantes aos encontrados em esportivos manuais, enquanto a eletrônica administra o funcionamento da transmissão.
A edição terá produção limitada a 1.499 unidades, reforçando seu posicionamento como uma interpretação especial da 12Cilindri.

V12 aspirado continua sendo a grande atração
Se a transmissão ganhou uma solução incomum, o motor preserva uma receita bastante tradicional da Ferrari.
De acordo com as especificações oficiais da Ferrari para a 12Cilindri, o modelo utiliza um V12 aspirado de 6,5 litros, capaz de entregar 830 cv a 9.250 rpm e atingir rotação máxima de 9.500 rpm. O torque máximo é de 678 Nm, aproximadamente 69,1 kgfm.
Na 12Cilindri convencional, esse conjunto trabalha com uma transmissão DCT de oito marchas.
O desempenho também ajuda a dimensionar a proposta: a Ferrari informa 0 a 100 km/h em 2,9 segundos, 0 a 200 km/h em menos de 7,9 segundos e velocidade máxima superior a 340 km/h.
Ferrari procura recuperar uma interação mais analógica
A chegada da Manuale é particularmente interessante porque ocorre em uma indústria cada vez mais dependente de eletrificação, software e automatização.
Nesse contexto, a Ferrari não abandonou a tecnologia moderna para reconstruir literalmente um carro do passado. Em vez disso, utilizou eletrônica e uma transmissão contemporânea para recriar elementos da experiência que desapareceram dos modelos atuais.
É uma abordagem diferente de simplesmente instalar novamente uma caixa manual convencional.
Também ajuda a explicar por que a Manuale não deve ser interpretada como uma mudança geral na estratégia da fabricante. Trata-se de uma edição limitada direcionada a um público específico, enquanto a Ferrari continua desenvolvendo simultaneamente modelos a combustão, híbridos e agora também elétricos.

Luce e 12Cilindri mostram duas Ferrari diferentes
O contraste com o Ferrari Luce é inevitável.
Enquanto o primeiro elétrico de produção da fabricante representa uma ruptura tecnológica, a 12Cilindri Manuale utiliza V12 aspirado, alavanca em grelha e pedal de embreagem para recuperar sensações associadas a outras épocas da marca.
Isso não significa que a Manuale tenha sido criada como uma “resposta” às críticas recebidas pelo Luce. A proximidade entre os lançamentos torna a comparação interessante, mas não há base suficiente para estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre os dois projetos.
Na prática, eles mostram duas estratégias convivendo dentro da mesma Ferrari: explorar novas formas de propulsão sem abandonar produtos de nicho voltados aos clientes que ainda valorizam a experiência mecânica tradicional.
A 12Cilindri Manuale talvez seja justamente o exemplo mais curioso dessa combinação. Ela parece analógica para quem dirige, mas depende de bastante tecnologia para produzir essa sensação.
