Pedido dos fãs pode fazer Ferrari ressuscitar o câmbio manual no 12Cilindri
Foto: Ferrari

A Ferrari parece ter ouvido o recado de seus clientes mais tradicionais. Depois da repercussão controversa envolvendo a estreia da Luce, primeiro carro totalmente elétrico da história da fabricante italiana, surgem informações de que a marca prepara uma resposta que resgata justamente aquilo que muitos entusiastas consideram a essência dos esportivos de Maranello: motor V12 aspirado e câmbio manual.

A movimentação acontece em um momento delicado para a fabricante. Apesar do impressionante desempenho da Luce, seu visual futurista dividiu opiniões entre fãs e especialistas. As críticas chegaram até mesmo ao ex-presidente Luca Cordero di Montezemolo, que demonstrou publicamente sua insatisfação com o desenho adotado pela empresa para o novo elétrico.

Em termos de desempenho, a Luce está longe de ser um carro comum. O modelo utiliza quatro motores elétricos, sendo dois no eixo dianteiro e dois no traseiro, alcançando até 1.050 cavalos de potência no modo de máxima entrega. Com isso, acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e atinge velocidade máxima de 310 km/h.

Além da potência elevada, o esportivo elétrico oferece diferentes configurações de condução para priorizar autonomia, conforto ou desempenho. O motorista também pode ajustar a entrega de torque e o nível de regeneração de energia, recursos que reforçam o caráter tecnológico do modelo e mostram a nova direção da Ferrari na era da eletrificação.


Enquanto a Luce representa o futuro, a possível nova versão da 12Cilindri surge como uma homenagem direta ao passado. O cupê adota inspiração clara na lendária 365 GTB/4 Daytona, um dos modelos mais emblemáticos da marca. O resultado é uma carroceria marcada pelo capô extremamente longo, cabine recuada e proporções clássicas que remetem à década de 1960.

Embora carregue forte influência histórica, a Ferrari incorporou soluções modernas ao projeto. As maçanetas ficam embutidas na carroceria e utilizam sistema de sucção para garantir o fechamento perfeito das portas. Na traseira, as lanternas em LED aparecem em filetes discretos, enquanto as rodas de 21 polegadas reforçam a presença visual do modelo.

Sob o capô permanece um dos motores mais admirados produzidos atualmente pela indústria automotiva. Trata-se do V12 aspirado de 6,5 litros capaz de gerar 830 cavalos de potência e 69,1 kgfm de torque, atingindo rotações próximas das 9.500 rpm. Hoje ele trabalha em conjunto com um câmbio automatizado de dupla embreagem e oito marchas.

Segundo rumores divulgados por publicações internacionais, a Ferrari estaria desenvolvendo uma edição especial equipada com transmissão manual de três pedais. Caso se confirme, será o retorno de uma característica que desapareceu da linha da marca em 2012 e que continua sendo amplamente desejada por colecionadores e clientes mais puristas.

A expectativa é que a novidade seja apresentada durante uma próxima edição do Ferrari Cavalcade, evento exclusivo promovido pela fabricante para alguns dos seus clientes mais importantes. O modelo deverá ser produzido em quantidade extremamente limitada e destinado apenas a uma lista restrita de compradores selecionados pela própria empresa.

A pressão por um retorno ao câmbio manual não surgiu por acaso. O empresário e colecionador David Lee, um dos maiores clientes da Ferrari nos Estados Unidos, já manifestou diversas vezes seu desejo de voltar a ver modelos da marca equipados com transmissão mecânica. Recentemente, até Lewis Hamilton comentou que gostaria de participar da criação de uma Ferrari moderna inspirada na clássica F40 com câmbio manual.

O próprio chefe de desenvolvimento da fabricante, Gianmaria Fulgenzi, admitiu recentemente que existe demanda por veículos mais analógicos dentro da gama da empresa. Esse movimento acompanha uma tendência observada em projetos de nicho que valorizam a conexão entre carro e motorista, mesmo em um mercado cada vez mais dominado por eletrificação e transmissões automatizadas.

Mesmo com a adoção de uma caixa manual, o desempenho da 12Cilindri não deve sofrer alterações significativas. O esportivo continua acelerando de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos, alcança 200 km/h em apenas 7,9 segundos e chega aos 340 km/h de velocidade máxima. No Brasil, onde apenas uma unidade na cor Branco Ártico foi importada e vendida por cerca de R$ 7,9 milhões, a chegada dessa possível edição especial ainda permanece cercada de mistério.

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