Honda City Touring 2026: vale a pena? Veja nossa avaliação
Foto: CB MAR Comercio DE Veiculos

O Honda City Touring segue ocupando um espaço cada vez mais raro no mercado brasileiro. Em um cenário dominado por telas enormes, recursos de entretenimento e discursos voltados ao estilo de vida, o sedã da Honda aposta em algo que parece estar desaparecendo: foco na experiência de dirigir. E é justamente essa característica que mais chama atenção após uma semana de convivência com o modelo.

Logo nos primeiros quilômetros, o City sedan transmite uma sensação de ergonomia difícil de encontrar atualmente. A posição de dirigir é excelente, com amplo ajuste do volante, banco baixo e comandos posicionados de forma intuitiva. O resultado é uma conexão imediata entre motorista e carro, algo que muitas fabricantes vêm deixando em segundo plano.

A dirigibilidade também merece destaque. O sedã responde rapidamente aos comandos, contorna curvas com precisão e transmite confiança ao volante. Em contrapartida, a suspensão privilegia essa sensação de controle e acaba repassando mais vibrações do asfalto para a cabine, especialmente em pisos irregulares, algo perceptível nas ruas brasileiras.

Sob o capô está o conhecido motor 1.5 de injeção direta, que entrega 126 cavalos de potência e trabalha em conjunto com um câmbio automático do tipo CVT com simulação de sete marchas. O conjunto prioriza eficiência energética e suavidade no uso diário, embora não ofereça o vigor nas retomadas que muitos consumidores encontram em motores turbo.


Na cidade, o desempenho é suficiente para a grande maioria dos motoristas. As acelerações são adequadas para o trânsito urbano e o baixo peso do veículo ajuda nas respostas. Já em ultrapassagens rodoviárias, a ausência da sobrealimentação exige mais planejamento, principalmente quando o carro está carregado.

Honda City Touring 2026: vale a pena? Veja nossa avaliação
Foto: CB MAR Comercio DE Veiculos

Se existe um ponto praticamente incontestável no City, ele é o consumo de combustível. Os números de eficiência continuam entre os melhores da categoria, tanto com etanol quanto com gasolina. Mesmo utilizando um tanque relativamente pequeno, de 44 litros, o sedã consegue oferecer autonomia compatível com viagens e uso diário sem preocupações.

O espaço interno continua sendo uma das grandes virtudes do modelo. Passageiros traseiros encontram boa área para pernas e cabeça, além de saídas de ventilação, portas USB-C e apoio de braço central. O porta-malas de 519 litros reforça a vocação familiar e supera muitos utilitários esportivos vendidos na mesma faixa de preço.

No acabamento, o City alterna pontos positivos e limitações. Há revestimentos macios ao toque em algumas áreas, mas boa parte da cabine utiliza plástico rígido. Ainda assim, a montagem é sólida, sem folgas aparentes, transmitindo sensação de durabilidade acima da média encontrada entre concorrentes.

Os bancos revestidos em couro legítimo ajudam a elevar a percepção de qualidade. O volante tem dimensões menores, ótima empunhadura e diversos comandos integrados. Sensores de chuva, iluminação automática, retrovisores rebatíveis eletricamente e partida remota complementam um conjunto bastante completo para a categoria.

A central multimídia segue uma filosofia simples e funcional. Compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, ela prioriza facilidade de uso em vez de impressionar pelo tamanho. O ar-condicionado digital de duas zonas mantém controles físicos, uma solução prática que continua agradando quem valoriza ergonomia.

Honda City Touring 2026: vale a pena? Veja nossa avaliação
Foto: CB MAR Comercio DE Veiculos

Outro destaque está nos pequenos detalhes pensados para o uso cotidiano. O ajuste rápido da intensidade da iluminação do painel, a base de carregamento por indução, o sistema Brake Hold e os diversos porta-objetos mostram uma preocupação com a experiência do motorista que nem sempre recebe atenção nos lançamentos mais recentes.

Na segurança, o City Touring apresenta um pacote robusto. São airbags frontais, laterais e de cortina, além de controle de estabilidade, controle de tração e assistente de partida em rampa. O conjunto é reforçado pelo Honda Sensing, que inclui frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de permanência em faixa e piloto automático adaptativo.

Nem tudo, porém, funciona de maneira perfeita. O sistema LaneWatch, que exibe imagens da câmera lateral ao acionar a seta, entrega qualidade apenas razoável e pode atrapalhar a visualização do mapa na central multimídia. Além disso, alguns detalhes simples, como iluminação nos quebra-sóis, ficaram de fora do projeto.

O maior desafio do Honda City Touring atualmente talvez não esteja em suas qualidades ou defeitos, mas sim no preço. Na faixa dos R$ 153 mil, o sedã enfrenta concorrência externa e até interna, com utilitários esportivos atraindo consumidores pelo visual mais robusto. Ainda assim, para quem valoriza conforto, eficiência, espaço e prazer ao dirigir, o City continua sendo uma das referências entre os sedãs compactos vendidos no Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui