O setor de carros elétricos ganhou mais um competidor de peso com a chegada do Leapmotor B10, utilitário esportivo chinês que desembarca prometendo mais espaço, tecnologia avançada e desempenho acima da média na categoria. O modelo chega cercado de expectativa depois de meses de pré-venda e tenta conquistar consumidores que ainda dividem opiniões entre carros elétricos, híbridos e modelos tradicionais a combustão.
Posicionado abaixo do C10 dentro da linha da marca chinesa controlada pela Stellantis, o B10 aposta em uma proposta mais racional, mas sem abrir mão de equipamentos modernos e visual futurista. O modelo é vendido no Brasil com preços partindo de R$ 155 mil para taxistas, R$ 162,6 mil para clientes com CNPJ e R$ 182.990 para compradores pessoa física.
Antes mesmo da estreia oficial nas concessionárias, o SUV já chamava atenção por um motivo curioso. A fabricante abriu a pré-venda do carro ainda durante o lançamento do C10, e muita gente precisou esperar mais de sete meses até as primeiras unidades finalmente chegarem às garagens brasileiras.

O valor inicial anunciado na pré-venda era de R$ 172.990, mas o preço subiu para R$ 182.990 no lançamento oficial realizado em São Paulo. Para reduzir a insatisfação de quem aguardou tanto tempo pelo carro, a marca criou uma bonificação de R$ 10 mil na troca do usado, mantendo na prática o valor prometido anteriormente.
A apresentação oficial aconteceu no Allianz Parque e coincidiu com o anúncio do patrocínio da Sociedade Esportiva Palmeiras pela Leapmotor. A ação ajudou a aumentar a visibilidade da marca chinesa no Brasil justamente em um momento de expansão acelerada do mercado de elétricos.
O B10 chega ao país em uma configuração única. Há apenas uma motorização, um conjunto mecânico e um padrão de acabamento interno, enquanto as opções de personalização ficam restritas às cores da carroceria. A estratégia simplifica a linha, mas também reduz possibilidades para quem busca versões mais completas ou diferenciadas.
Visualmente, o SUV segue a escola minimalista adotada por várias fabricantes chinesas recentes. A dianteira fechada, típica dos elétricos, traz iluminação totalmente em LED e luzes diurnas divididas em diferentes níveis. O conjunto transmite modernidade e faz o carro chamar atenção mesmo sem exageros visuais.
Confiras as dimensões do leapmotor B10
Apesar das comparações inevitáveis com modelos da BYD, o B10 tenta ocupar uma posição um pouco superior em tamanho e proposta. O SUV mede 4,51 metros de comprimento e possui 2,73 metros de entre-eixos, números maiores que os do Yuan Pro, um dos principais rivais chineses da categoria.
A largura de 1,88 metro também impressiona e contribui diretamente para a sensação de espaço interno. Na prática, os cinco centímetros extras em relação ao concorrente fazem diferença tanto para quem vai nos bancos traseiros quanto para o conforto geral da cabine.
O pacote tecnológico é um dos pontos mais fortes do utilitário. O B10 já sai de fábrica com controle adaptativo de velocidade, assistente de permanência em faixa, alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado traseiro e câmera com visão de 360 graus.
Mesmo recheado de assistências eletrônicas, o SUV também revela algumas ausências difíceis de entender na faixa de preço em que atua. O modelo não oferece bancos elétricos, tampa traseira com acionamento automático e nem limpador traseiro, itens encontrados em concorrentes híbridos e até em veículos mais baratos.
Outro detalhe que divide opiniões é o sistema de abertura e partida do carro. Em vez de chave presencial convencional, o B10 utiliza um cartão eletrônico que precisa ser aproximado em pontos específicos do veículo para liberar o acesso e permitir a partida do motor.
Na prática, o sistema acaba exigindo mais etapas no uso cotidiano. Abrir o carro, pegar algum objeto esquecido no banco e trancá-lo novamente pode se transformar em uma experiência menos prática do que em modelos convencionais equipados com chave presencial inteligente.
O porta-malas oferece 365 litros de capacidade, volume superior ao de alguns rivais elétricos compactos. Há ainda um compartimento inferior adicional para acomodar cabos de carregamento e objetos menores, embora o veículo não ofereça estepe, substituído por kit de reparo emergencial.
Conjunto mecânico
Na parte mecânica, o B10 utiliza motor elétrico instalado no eixo traseiro. O conjunto entrega 218 cavalos de potência e 24,5 kgfm de torque, números que colocam o SUV em posição competitiva dentro do segmento dos elétricos médios vendidos atualmente no país.
A aceleração também surpreende. Embora a fabricante divulgue um tempo de 0 a 100 km/h em oito segundos, medições independentes apontaram marca próxima de 7,3 segundos, desempenho melhor que alguns concorrentes diretos e suficiente para garantir respostas rápidas no trânsito urbano e rodoviário.
A velocidade máxima chega a 170 km/h, enquanto a suspensão traseira multilink reforça a proposta de conforto e estabilidade. Na dianteira, o modelo utiliza conjunto McPherson, combinação bastante comum entre utilitários esportivos dessa categoria.
O conjunto de baterias possui 56 kWh de capacidade. No carregamento rápido em corrente contínua, o SUV consegue atingir até 140 kW de potência, permitindo recuperar de 10% a 80% da carga em aproximadamente 18 minutos nas condições ideais.
Segundo dados oficiais, o alcance homologado é de 288 quilômetros pelo padrão do Inmetro. Em testes práticos realizados em uso misto, combinando cidade e estrada, o consumo apresentou resultados melhores que os divulgados oficialmente em algumas situações.
Após percorrer cerca de 126 quilômetros, o sistema ainda indicava 57% de bateria disponível. Considerando a projeção de autonomia restante, o alcance total estimado ficou próximo de 308 quilômetros, número superior ao divulgado pelo órgão brasileiro de homologação.
Interior
O acabamento interno é outro aspecto que chama atenção positivamente. Materiais macios ao toque aparecem em várias áreas das portas e do painel, criando uma sensação de refinamento que alguns concorrentes tradicionais ainda não conseguem entregar.

O teto panorâmico de grandes dimensões amplia a sensação de espaço na cabine, embora não tenha abertura elétrica. Passageiros traseiros contam ainda com saídas de ar dedicadas, entradas USB-A e USB-C e um espaço generoso para pernas, favorecido pelo entre-eixos amplo.
Na dianteira, o destaque fica para a central multimídia de 14,6 polegadas, responsável por praticamente todos os comandos do carro. Ajustes de espelhos, iluminação, condução e sistemas de assistência passam pela tela, solução moderna, mas que pode irritar quem prefere controles físicos tradicionais.
O Leapmotor B10 chega ao Brasil tentando equilibrar desempenho, espaço interno, tecnologia e custo-benefício em um mercado cada vez mais competitivo. Mesmo com alguns detalhes que ainda precisam amadurecer, o SUV mostra como as marcas chinesas estão elevando rapidamente o nível dos carros elétricos disponíveis no país.











