O mercado de SUVs compactos vive uma disputa cada vez mais intensa no Brasil, e a Chevrolet decidiu reagir atualizando o Tracker para a linha 2027. O modelo chega mais tecnológico, reforça os sistemas de segurança e tenta manter distância dos novos rivais, inclusive do recém-lançado Sonic, que agora divide espaço dentro da própria marca. A estratégia é clara: oferecer mais equipamentos sem alterar a fórmula que transformou o utilitário em um dos carros mais vendidos da categoria.
A principal evolução do Chevrolet Tracker 2027 está no pacote de assistência à condução, agora chamado pela marca de Chevrolet Intelligent Driving. O sistema ganhou uma câmera de alta resolução instalada no para-brisa, capaz de ampliar em 40% a área de captação. Com isso, o SUV passa a identificar não apenas veículos, mas também pedestres e ciclistas em situações de risco.
A partir da versão LT, o Tracker passa a oferecer frenagem automática de emergência em baixa velocidade, alerta de colisão frontal e assistente ativo de permanência em faixa. O sistema consegue realizar pequenas correções na direção para evitar saídas involuntárias da pista, algo que antes era restrito a modelos mais caros do segmento.

Segundo a Chevrolet, o objetivo da nova calibração eletrônica é reduzir significativamente o risco de colisões traseiras e melhorar a condução em trajetos urbanos. As versões superiores ainda mantêm itens como alerta de ponto cego, sensores de monitoramento da pressão dos pneus e recursos adicionais de assistência que ampliam a sensação de segurança ao volante.
Outra mudança importante envolve o retorno do sistema Stop/Start nas versões equipadas com motor 1.0 turbo. O recurso desliga temporariamente o motor em semáforos e congestionamentos para reduzir consumo e emissões. A fabricante afirma que a tecnologia pode melhorar o rendimento urbano em até 0,5 km/l.
Desta vez, porém, a Chevrolet recalibrou o funcionamento do sistema para deixá-lo menos invasivo no uso diário. O software agora trabalha em conjunto com o sensor de climatização da cabine, evitando desligamentos quando o ar-condicionado precisa operar continuamente para manter a temperatura interna agradável. Também há um botão físico para desativação manual.
Na parte mecânica, o Tracker 2027 continua usando duas opções de motores turbo flex com injeção direta. As versões de entrada mantêm o 1.0 turbo de 115 cv e até 18,9 kgfm de torque, enquanto as configurações mais caras seguem com o 1.2 turbo de 141 cv e 22,9 kgfm. Em todas as opções, o câmbio automático de seis marchas permanece sem alterações.
A Chevrolet também reforçou o pacote de conectividade do SUV. Todas as versões passam a contar com oito anos gratuitos do plano OnStar Basics, que oferece diagnóstico remoto e integração com o aplicativo myChevrolet. Pelo celular, o motorista pode localizar o veículo, travar portas remotamente e acessar informações do carro em tempo real.
Além disso, os compradores recebem um período de testes do plano Protect, que inclui internet Wi-Fi embarcada e resposta automática em situações de acidente. A marca aposta nesses serviços para aumentar o valor agregado do Tracker em um segmento onde conectividade deixou de ser diferencial e passou a ser praticamente obrigatória.
Apesar das novidades tecnológicas, o visual do SUV mudou muito pouco. A única alteração externa relevante foi a chegada da nova cor Cinza Âmbar, substituindo o antigo Cinza Rush. As dimensões seguem exatamente as mesmas, com 4,30 metros de comprimento, entre-eixos de 2,57 metros e porta-malas com capacidade para 393 litros.
A gama continua dividida em cinco versões: Turbo AT, LT, LTZ, Premier e RS. A configuração de entrada mantém itens como seis airbags, faróis em LED, multimídia com projeção sem fio, câmera de ré e controle de cruzeiro. Já a LT concentra boa parte das novas assistências eletrônicas e adiciona painel digital e central multimídia maior.

Na LTZ, o Tracker passa a oferecer acabamento mais refinado, rodas de liga leve, ar-condicionado digital, bancos com revestimento premium, alerta de ponto cego e lanternas em LED. Acima dela aparecem as versões Premier e RS, ambas com motor 1.2 turbo e propostas distintas dentro da linha.
A Premier aposta em conforto e sofisticação, trazendo teto solar panorâmico, estacionamento automático, carregador de celular por indução e acabamento interno bicolor. Já a RS segue uma proposta mais esportiva, com detalhes escurecidos, grade em formato colmeia, rodas exclusivas e interior com acabamento integralmente preto.
Mesmo com a atualização, a Chevrolet ainda prepara uma mudança mais profunda para os próximos anos. Os primeiros híbridos flex nacionais da marca continuam em desenvolvimento e o Tracker deve ser o escolhido para estrear a tecnologia híbrida-leve de 48 volts no Brasil. O sistema utilizará um pequeno motor elétrico para auxiliar o propulsor a combustão em arrancadas e retomadas, buscando reduzir consumo e emissões sem alterar drasticamente a estrutura atual do SUV.











