A fábrica da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul, entrou em uma nova fase com a produção do Chevrolet Sonic 2027. O SUV cupê compacto é um dos principais lançamentos recentes da marca no Brasil e também representa uma importante atualização tecnológica da operação industrial gaúcha.
O projeto faz parte do investimento de R$ 1,2 bilhão anunciado pela GM para o complexo de Gravataí, valor destinado à preparação da fábrica para um veículo inédito e à atualização dos produtos fabricados na unidade. O aporte integra o ciclo de R$ 7 bilhões previsto pela companhia para o Brasil entre 2024 e 2028.
O Sonic foi desenvolvido sob liderança da engenharia da GM América do Sul e utiliza uma arquitetura modular global. Com 4,23 metros de comprimento, 1,77 m de largura e 1,53 m de altura, posiciona-se abaixo do Tracker e entra na disputa entre SUVs compactos e modelos de proposta cupê.
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Produção começa com bobinas de aço
Antes de o Chevrolet Sonic assumir a forma encontrada nas concessionárias, sua produção começa com grandes bobinas de aço. As chapas passam por equipamentos de corte e seguem para a área de estampagem, onde prensas industriais moldam componentes que formarão a carroceria.
Boa parte desse processo é automatizada. Robôs movimentam as chapas e posicionam os componentes nas diferentes etapas, enquanto operadores acompanham a produção e realizam verificações.
Essa combinação entre automação e trabalho humano permite que a mesma fábrica produza diferentes veículos com elevado grau de padronização.

684 robôs trabalham na construção das carrocerias
Uma das áreas mais avançadas é o Body Shop, setor responsável pela formação da estrutura do automóvel. São 684 robôs trabalhando nos processos de montagem das carrocerias.
A modernização realizada para receber o Sonic permite que os equipamentos identifiquem qual veículo está passando pela linha e utilizem os componentes correspondentes. Isso é especialmente importante porque Gravataí também está ligada à produção de modelos da família Onix.
A fábrica utiliza ainda sistemas digitais, câmeras e aplicações de inteligência artificial para acompanhar diferentes etapas. A própria GM classifica Gravataí como uma operação de manufatura 4.0, com centenas de robôs e sistemas integrados.
Inteligência artificial ajuda no controle de qualidade
A tecnologia não está restrita à movimentação de peças. Sistemas automatizados verificam posicionamento, soldagem e dimensões da carroceria ao longo da produção.
Na área de medição, scanners e equipamentos de inspeção analisam componentes e estruturas completas para identificar eventuais desvios antes que o veículo avance para pintura e montagem.
Esse controle é especialmente importante em automóveis modernos, nos quais pequenas diferenças de posicionamento podem afetar desde o acabamento externo até a instalação de sensores e sistemas eletrônicos.
O uso de inteligência artificial também fez parte do próprio desenvolvimento do Sonic. Segundo a Chevrolet, ferramentas de IA e machine learning foram utilizadas desde as etapas iniciais de engenharia e design do projeto.
Peças plásticas também são produzidas em Gravataí

A fabricação envolve ainda uma área dedicada aos componentes de polímero. Peças como para-choques e diferentes acabamentos externos são moldadas e preparadas dentro do complexo industrial.
Dependendo da configuração produzida, equipamentos automatizados realizam operações específicas para cada veículo, incluindo a preparação dos pontos destinados aos sensores de estacionamento.
Depois disso, carroceria e componentes seguem para as etapas responsáveis pela montagem mecânica.
Sonic ganha motor, suspensão e interior
É na linha de montagem que o Chevrolet Sonic começa a assumir definitivamente a forma de um automóvel completo.
Conjuntos como motor, transmissão, suspensão e freios são acoplados à carroceria, enquanto outras estações recebem bancos, carpetes, chicotes elétricos, iluminação e acabamentos internos.
Mesmo com o alto nível de automação, a participação dos funcionários permanece fundamental, principalmente nas operações que exigem montagem, inspeção e ajustes.
Equipamentos autônomos também circulam pela fábrica transportando ferramentas e componentes. A estratégia reduz deslocamentos desnecessários dos operadores e melhora a ergonomia durante o trabalho.
Investimento de R$ 1,2 bilhão modernizou Gravataí
A preparação para o Sonic exigiu uma ampla atualização da fábrica. O investimento de R$ 1,2 bilhão anunciado pela General Motors foi direcionado justamente à produção do novo veículo e à modernização do complexo.
A aposta vai além do mercado brasileiro. Desde o anúncio inicial do projeto, a GM confirmou que o veículo produzido em Gravataí também teria vocação para exportação regional.
O Sonic é estratégico porque coloca a Chevrolet em uma faixa altamente competitiva do mercado. Segundo a fabricante, o segmento no qual o modelo atua representa quase um quarto das vendas de automóveis no país.
Gravataí já superou 5 milhões de veículos
Inaugurada em 2000, a fábrica gaúcha começou sua trajetória produzindo o Chevrolet Celta. Posteriormente recebeu outros modelos importantes, incluindo Prisma, Onix e Onix Plus.
Em julho de 2026, a General Motors anunciou que o complexo atingiu a marca de 5 milhões de veículos produzidos, consolidando Gravataí como uma das unidades industriais mais importantes da companhia na América do Sul.
Agora, o Chevrolet Sonic passa a representar o novo ciclo dessa história.
O que muda para a Chevrolet no Brasil
Mais do que acrescentar outro modelo ao catálogo, o Sonic amplia a atuação da Chevrolet em um segmento no qual a fabricante ainda não possuía um produto com essa proposta específica.
Com produção nacional e uma fábrica preparada para altos volumes, o modelo também coloca Gravataí no centro da estratégia regional da GM.
Para o consumidor brasileiro, o resultado dessa modernização será percebido principalmente na chegada de um novo concorrente ao mercado de SUVs compactos. Para a indústria, o Sonic mostra como automação, inteligência artificial e trabalho humano estão sendo combinados para aumentar flexibilidade e controle de qualidade nas fábricas nacionais.
