A saída do Renault Kwid E-Tech do mercado brasileiro marca o fim de uma das primeiras tentativas de oferecer um carro elétrico abaixo da faixa de R$ 100 mil no país. Lançado em 2022 e atualizado no segundo semestre de 2025, o compacto deixou de ser oferecido pela fabricante depois de enfrentar vendas reduzidas e uma concorrência cada vez maior entre elétricos de entrada.
A Renault confirmou o encerramento da oferta do modelo no Brasil em maio de 2026. Antes disso, o Kwid E-Tech já estava difícil de encontrar nas concessionárias. Em abril, o diretor comercial da Renault, Aldo Costa, havia informado que a comercialização estava suspensa e ainda não havia previsão de retorno.
O movimento também acontece durante uma reorganização da operação brasileira da Renault, agora mais próxima da Geely. A fabricante chinesa terá modelos produzidos no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), incluindo justamente o elétrico Geely EX2.
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Kwid E-Tech teve trajetória de quatro anos no Brasil
O Kwid E-Tech chegou às lojas brasileiras em 2022, inicialmente em um cenário bastante diferente do atual. Naquele momento, havia poucas opções de carros elétricos relativamente acessíveis e a Renault tentava ocupar antecipadamente esse espaço.
A situação mudou rapidamente com a expansão das fabricantes chinesas. Modelos como BYD Dolphin Mini e, posteriormente, Geely EX2 aumentaram a pressão sobre o compacto francês.
A Renault ainda tentou renovar o produto. Em outubro de 2025, o Kwid E-Tech recebeu uma atualização importante de design, interior e equipamentos. Mesmo renovado, continuou tabelado em R$ 99.990, tornando-se não apenas um dos elétricos mais baratos do país, mas também um dos automóveis novos sem pedal de embreagem mais acessíveis do mercado.
A atualização, porém, não foi suficiente para garantir uma permanência longa: a versão reestilizada ficou menos de sete meses em comercialização regular.

Vendas ajudam a explicar a decisão
Os números de emplacamentos ajudam a dimensionar a perda de espaço do Renault Kwid E-Tech no mercado brasileiro, embora a Renault não tenha atribuído oficialmente o encerramento da oferta exclusivamente ao desempenho comercial.
Segundo levantamento publicado pelo AUTOO, o Kwid E-Tech registrou apenas 215 emplacamentos no primeiro quadrimestre de 2026. No mesmo período, o Geely EX2 acumulou 6.076 unidades, enquanto o BYD Dolphin Mini chegou a 21.647 emplacamentos.
A diferença mostra como o segmento de elétricos de entrada mudou desde a estreia do Kwid. Além do preço, os consumidores passaram a encontrar alternativas com maior espaço interno, baterias de maior capacidade e pacotes tecnológicos mais completos.
Isso reduziu uma das principais vantagens que o Renault possuía quando chegou ao Brasil em 2022: atuar praticamente sem concorrentes diretos em sua faixa de mercado.
Kwid E-Tech tinha 185 km de autonomia
Na configuração mais recente, o Kwid E-Tech utilizava motor elétrico dianteiro de 65 cv e 11,5 kgfm, alimentado por uma bateria de íons de lítio de 26,8 kWh.
A autonomia homologada pelo Inmetro era de 185 km, segundo o padrão brasileiro de medição utilizado pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. Na prática, essa característica reforçava a proposta predominantemente urbana do compacto.
O modelo admitia recarga em corrente alternada pelo conector Tipo 2 e carregamento rápido em corrente contínua pelo padrão CCS2, com potência de até 30 kW.
Com 3,73 metros de comprimento e 2,42 metros de entre-eixos, continuava sendo essencialmente um subcompacto urbano, apesar das mudanças visuais e de equipamentos introduzidas na linha 2026.
O que muda para quem já tem um Kwid E-Tech?
O encerramento das vendas do Kwid E-Tech não significa o fim do atendimento aos veículos que já estão em circulação. As condições de garantia e as obrigações de pós-venda permanecem válidas conforme os termos estabelecidos pela Renault para o modelo.
Por isso, quem já possui um Kwid E-Tech deve continuar seguindo o plano de manutenção e as condições previstas no manual e na documentação de garantia do veículo.
Para quem pretendia comprar um Kwid E-Tech zero-quilômetro, a mudança é mais direta: o elétrico deixou de integrar a oferta regular da Renault no mercado brasileiro.
Geely EX2 ganha espaço na nova estratégia
Embora a retirada do Kwid E-Tech aconteça em um momento de expansão do Geely EX2 no Brasil, é importante separar os fatos confirmados da interpretação de mercado.
A Renault confirmou o encerramento da comercialização regular do Kwid elétrico, mas não anunciou oficialmente que o Geely EX2 seja seu substituto direto.
O que está confirmado é o aprofundamento da parceria entre as duas fabricantes. Segundo informações institucionais da Renault do Brasil, o Geely EX2 será produzido até o final de 2026 no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), juntamente com o híbrido plug-in Geely EX5 EM-i.
A parceria prevê o uso da estrutura industrial da Renault no Paraná para a produção de modelos da Geely e faz parte de uma estratégia mais ampla envolvendo as duas fabricantes no mercado brasileiro.
Isso coloca a retirada do Kwid E-Tech dentro de um momento de transformação da operação da Renault no país, mas, até agora, não existe confirmação oficial de uma relação direta de substituição entre Kwid E-Tech e Geely EX2.
O que ainda falta saber
A Renault ainda não anunciou um sucessor direto para o Kwid E-Tech na mesma faixa de preço. Também não há confirmação de que outro elétrico da marca assumirá imediatamente a posição de modelo de entrada que pertencia ao compacto.
Por enquanto, a consequência mais clara é a retirada de uma das poucas opções elétricas que chegaram a custar oficialmente menos de R$ 100 mil no Brasil.
O fim do Renault Kwid E-Tech também mostra como o mercado nacional de carros elétricos mudou em apenas quatro anos. O modelo chegou praticamente sem rivais equivalentes, viu a concorrência crescer rapidamente e encerra sua trajetória justamente quando Renault e Geely iniciam uma nova fase de produção conjunta de veículos eletrificados no país.
