Testamos o BYD King em uma viagem; veja consumo, autonomia e recarga
Foto: Divulgação/BYD

Viajar longas distâncias com um carro híbrido ainda desperta curiosidade em muita gente, principalmente quando o assunto envolve consumo, autonomia e custos reais na estrada. Em um trajeto com um pouco mais de 632 km entre Dom expedito Lopes-PI e Beberibe-CE, o modelo mostrou que a combinação entre motor elétrico e combustão pode entregar números difíceis de acreditar no uso diário.

Antes de pegar a estrada, o carro saiu com 90% de bateria e tanque cheio. Todas as informações de consumo e gerenciamento de energia foram zeradas na central multimídia para que a medição refletisse exatamente o desempenho da viagem do início ao fim.

A condução foi configurada no modo híbrido com regeneração elevada de energia, priorizando o equilíbrio entre desempenho e economia. Durante quase todo o percurso, a velocidade média ficou próxima dos 100 km/h, usando piloto automático em boa parte da rodovia.

Testamos o BYD King em uma viagem; veja consumo, autonomia e recarga
Foto: Divulgação/BYD

Como foi a viagem com o BYD King

Nos primeiros 100 km, o consumo impressionou. O carro utilizou apenas cerca de 1,4 litro de gasolina, já que o sistema priorizou o uso da bateria enquanto o relevo permanecia mais plano e favorável ao funcionamento elétrico.


O comportamento do híbrido mudou conforme a viagem avançou. Com a redução gradual da carga elétrica, o motor a combustão começou a atuar com mais frequência, fazendo o consumo sair de números próximos de 50 km/l para médias entre 20 e 25 km/l ao longo da estrada.

Mesmo assim, os resultados continuaram positivos para um utilitário esportivo médio. A velocidade constante ajudou diretamente na eficiência, enquanto acelerações acima de 140 km/h derrubam de forma brusca a autonomia do conjunto híbrido.

A primeira parada aconteceu na cidade de Tauá-CE, na BR-020, o que tornou a pausa estratégica para esticar as pernas, tomar um café e recuperar parte da bateria sem gerar custo adicional durante o trajeto.

A recarga começou com o carro em aproximadamente 35% de bateria. Em poucos minutos de parada, o sistema conseguiu recuperar quase 10% da carga, mostrando como pequenas pausas podem ajudar na economia geral da viagem.

Na estrada, o desempenho do modelo não deixou a desejar. Mesmo em retomadas e ultrapassagens, o conjunto híbrido mostrou respostas rápidas, entregando aceleração consistente sem exigir grandes esforços do motor a combustão.

Depois de cerca de 300 km percorridos, o consumo médio seguia surpreendente. O carro havia utilizado aproximadamente 11 litros de combustível, mantendo médias próximas de 30 km/l, alternando automaticamente entre energia elétrica e gasolina conforme a necessidade.

Ainda com pouca infraestrutura de recarga encontrada pelo caminho, não considero vantajoso carregar esse tipo de híbrido na maioria das viagens. O principal motivo está no tempo elevado de carregamento e no custo da energia em muitas estações.

A potência máxima de recarga em corrente alternada chega a 6,3 kW, exigindo até duas horas e meia para completar a bateria. Em viagens longas, esse tempo acaba sendo pouco prático para quem deseja manter ritmo constante na estrada.

Outro ponto levantado foi o preço da recarga foi na cidade de Canindé-CE. Em alguns carregadores, o valor do quilowatt ultrapassa R$ 3, tornando financeiramente mais vantajoso seguir utilizando gasolina do que permanecer parado aguardando a carga terminar.

Testamos o BYD King em uma viagem; veja consumo, autonomia e recarga
Foto: Divulgação/BYD

Após aproximadamente 37 minutos conectado, o híbrido recuperou cerca de 20% de bateria, com gasto próximo de R$ 6. A estratégia permitiu melhorar novamente a eficiência energética para os quilômetros finais até Beberibe-CE.

Outro momento que evidenciou a vantagem do sistema híbrido aconteceu em um longo congestionamento na rodovia. Mesmo parado com ar-condicionado ligado em 21 graus, o carro permaneceu funcionando praticamente sem consumir gasolina.

Enquanto veículos tradicionais costumam elevar bastante o gasto de combustível nesse cenário, o híbrido utilizou majoritariamente a bateria. Isso garantiu conforto dentro da cabine sem impacto significativo no consumo total da viagem.

Ao final dos 632 km percorridos entre Dom expedito Lopes-PI e Beberibe-CE, o resultado consolidou a proposta do modelo: apenas 26 litros de gasolina consumidos, duas recargas realizadas no caminho e uma autonomia que reforça como os híbridos plug-in estão mudando a lógica das viagens rodoviárias no Brasil.

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