Chevrolet inicia fabricação do Captiva EV no Brasil; híbrido plug-in está nos planos
Foto: Chevrolet

A General Motors no Brasil iniciou a montagem do Chevrolet Captiva EV no Ceará e, ao mesmo tempo, sinalizou a chegada de um terceiro modelo à fábrica até o fim de 2026. Nos bastidores, a principal aposta é que a novidade seja o aguardado Captiva híbrido plug-in, ampliando a presença da marca em um dos segmentos mais disputados do mercado.

A produção do Captiva EV começou oficialmente na Planta Automotiva do Ceará (PACE), localizada em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza. A unidade, que anteriormente abrigava a fábrica da Troller, passou a operar sob gestão da Comexport e se tornou peça importante nos planos da Chevrolet para veículos eletrificados na América do Sul.

O início das atividades do SUV elétrico acontece poucos meses após a nacionalização do Chevrolet Spark EUV. Com isso, a planta cearense passa a produzir dois modelos da marca e se torna a primeira instalação fora da China a montar ambos os veículos, reforçando o papel estratégico do Brasil dentro da operação global da GM.

Nesta etapa inicial, a produção ocorre pelo sistema SKD (Semi Knocked-Down). Nesse processo, os veículos chegam parcialmente montados da China, com carroceria, motor e diversos componentes já integrados. No Brasil, recebem acabamento final, montagem complementar, inspeções de qualidade e preparação para distribuição às concessionárias.

Chevrolet inicia fabricação do Captiva EV no Brasil; híbrido plug-in está nos planos
Foto: Chevrolet

Mais importante do que a chegada do Captiva EV, porém, foi o anúncio de uma terceira linha de produção prevista para entrar em operação entre setembro e outubro de 2026. A General Motors confirmou apenas que o futuro veículo utilizará uma tecnologia inédita para a Chevrolet no país, mas evitou revelar detalhes sobre o modelo.

Apesar do mistério, os indícios apontam para o Chevrolet Captiva PHEV. A versão híbrida plug-in do SUV já é vendida em mercados como Argentina e Uruguai, além de ter sido flagrada em testes no Brasil. Como utiliza a mesma plataforma do Captiva EV, sua produção local exigiria adaptações relativamente simples na estrutura já instalada na unidade cearense.

A movimentação também acompanha uma tendência observada no mercado brasileiro. Embora os veículos totalmente elétricos avancem rapidamente, os híbridos plug-in seguem atraindo consumidores que desejam experimentar a eletrificação sem abrir mão da autonomia proporcionada por um motor a combustão em viagens mais longas.

Segundo Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul, a expansão da operação será gradual e acompanhada pela evolução da demanda. O executivo afirmou que a empresa pretende incorporar novos produtos, tecnologias e capacidades produtivas ao longo dos próximos anos, fortalecendo a presença local da marca no segmento de eletrificados.

A expansão também terá reflexos diretos na geração de empregos. Com o início da montagem do Captiva EV, a PACE ampliará em aproximadamente 50% seu quadro atual de funcionários. Além disso, a estrutura da fábrica já está preparada para futuras expansões de capacidade produtiva.

Atualmente, a unidade possui capacidade para montar cerca de 20 mil veículos por ano, considerando Spark EUV e Captiva EV. De acordo com Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Comexport e acionista da planta, esse volume poderá mais que dobrar futuramente, chegando à marca de 50 mil veículos anuais conforme o crescimento da demanda.

Chevrolet inicia fabricação do Captiva EV no Brasil; híbrido plug-in está nos planos
Foto: Chevrolet

Outro fator que fortalece a operação é a localização estratégica do Ceará. A proximidade com o Porto do Pecém oferece vantagens logísticas importantes para a importação de componentes e, futuramente, até para exportações. Segundo executivos da GM, essa possibilidade ainda está sendo estudada, mas já faz parte das análises de longo prazo da companhia.

O Chevrolet Captiva EV vendido atualmente no Brasil chegou ao mercado em novembro de 2025 por R$ 199.990 na versão Premier. O modelo utiliza motor elétrico dianteiro de 201 cv e 31,6 kgfm de torque, alimentado por uma bateria LFP de 60 kWh. Pelo ciclo do Inmetro, a autonomia declarada é de 304 quilômetros, enquanto a aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 9,9 segundos.

Entre os equipamentos, o SUV oferece teto panorâmico, tampa traseira com acionamento elétrico, bancos traseiros reclináveis, banco do motorista com ajuste elétrico, rodas de 18 polegadas, iluminação ambiente, quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas e central multimídia de 15,6 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto. Há ainda câmera de visão 360 graus, quatro entradas USB, chave presencial e partida por botão.

O pacote de segurança também é um dos destaques. O sistema Chevrolet Intelligent Driving reúne controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, alerta de saída involuntária de faixa, frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, faróis adaptativos inteligentes e seis airbags. Caso o Captiva PHEV seja realmente escolhido para a nova linha de montagem, a expectativa é que mantenha uma lista de equipamentos bastante semelhante.

Baseado no chinês Wuling Starlight S, o futuro Captiva PHEV deverá utilizar um motor 1.5 aspirado de 106 cv associado a um propulsor elétrico, entregando potência combinada de 204 cv e torque de 31,6 kgfm. Dependendo da configuração, as baterias poderão ter até 20,5 kWh de capacidade, permitindo rodar cerca de 80 a 130 quilômetros no modo elétrico e alcançar aproximadamente 1.000 quilômetros de autonomia total.

Se a confirmação vier nos próximos meses, o Ceará poderá se tornar o principal polo da Chevrolet para veículos eletrificados na América do Sul, colocando a marca em posição mais forte diante da crescente ofensiva de fabricantes chinesas como BYD, GWM, Geely, GAC e MG.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui