Após 28 anos, Toyota produz último Corolla em histórica fábrica
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O encerramento da produção do Toyota Corolla em Indaiatuba (SP) marca o fim de um dos capítulos mais importantes da indústria automotiva brasileira. Após quase três décadas de atividade, a fábrica responsável por nacionalizar o sedã mais vendido do mundo concluiu sua trajetória com a saída da última unidade do modelo, encerrando uma história iniciada em setembro de 1998 e que ajudou a consolidar a presença da Toyota no país.

O último Corolla produzido na unidade paulista deixou a linha de montagem durante uma cerimônia especial realizada para funcionários e colaboradores. O veículo, um Corolla Altis Premium HEV ano-modelo 2026, percorreu um tapete vermelho em uma despedida simbólica registrada por fotos e vídeos compartilhados nas redes sociais. O encerramento definitivo das atividades da fábrica está programado para os próximos dias.

Embora a despedida tenha sido carregada de simbolismo, o Toyota Corolla não deixará o mercado brasileiro. A produção do sedã foi transferida para Sorocaba (SP), cidade localizada a cerca de 60 quilômetros de Indaiatuba. A mudança faz parte de uma ampla reestruturação industrial da montadora japonesa, que busca concentrar suas operações em um único complexo fabril mais moderno e preparado para os próximos desafios tecnológicos.

A transferência representa a etapa final de um processo iniciado em 2024. Segundo a Toyota, a centralização da produção permitirá maior integração entre as linhas de montagem, melhor aproveitamento de recursos industriais e alinhamento às metas globais de eficiência e sustentabilidade. A estratégia também reduz custos operacionais e simplifica a logística da empresa no Brasil.

Após 28 anos, Toyota produz último Corolla em histórica fábrica
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A decisão de deixar Indaiatuba foi motivada principalmente pelas limitações estruturais da planta inaugurada há 28 anos. Adaptar suas instalações aos atuais padrões de arquitetura modular e aos processos de fabricação mais avançados exigiria investimentos elevados. Diante desse cenário, a fabricante optou por ampliar a operação de Sorocaba, considerada mais adequada para os futuros projetos da marca.

Para receber o Corolla, a Toyota construiu um novo pavilhão industrial dentro do complexo de Sorocaba. A expansão integra o pacote de investimentos de R$ 11 bilhões anunciado para o Brasil até 2030. Com a ampliação, a capacidade produtiva da unidade saltará dos atuais 170 mil para aproximadamente 270 mil veículos por ano, consolidando o local como principal centro de produção da empresa no país.

Além do sedã, Sorocaba já produz o Corolla Cross e o recém-lançado Yaris Cross. Nos próximos anos, o complexo também receberá uma nova geração do Corolla, prevista para estrear no mercado brasileiro com tecnologias mais avançadas de eletrificação. Entre as possibilidades estudadas pela marca está a adoção de sistemas híbridos plug-in flex, uma evolução da tecnologia híbrida flex que a empresa já domina no Brasil.

A expansão da fábrica também está diretamente ligada à chegada da inédita picape intermediária da Toyota. O modelo, atualmente em fase final de desenvolvimento e testes, deverá começar a ser produzido em série a partir de 2027. A caminhonete entrará em um dos segmentos mais disputados do mercado nacional, enfrentando concorrentes como Fiat Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e futuras rivais de Volkswagen e Renault.

As versões de entrada da nova picape deverão utilizar o conhecido motor 2.0 Dynamic Force flex aspirado da família Corolla. O propulsor entrega até 175 cv de potência e 20,8 kgfm de torque com etanol, trabalhando em conjunto com um câmbio CVT que simula dez marchas e utiliza engrenagem mecânica para melhorar o desempenho nas arrancadas.

Já as versões mais sofisticadas poderão estrear uma tecnologia inédita para a Toyota no Brasil. Trata-se do sistema híbrido flex plug-in (PHEV), que combina um motor 2.0 de ciclo Atkinson com propulsor elétrico. O conjunto, derivado da tecnologia utilizada pelo Prius em outros mercados, poderá alcançar cerca de 223 cv de potência combinada, substituindo os tradicionais motores a diesel normalmente presentes na categoria.

O fechamento da unidade de Indaiatuba não diminui sua relevância histórica. Pelo contrário. A fábrica foi responsável por nacionalizar o Toyota Corolla e tornou-se a primeira planta da América Latina a produzir um veículo híbrido flex em larga escala. Durante quase três décadas de operação, mais de um milhão de automóveis saíram de suas linhas de montagem.

Quando foi inaugurada, em 1998, a fábrica recebeu investimento inicial estimado em US$ 150 milhões. Instalada em uma área superior a 1,5 milhão de metros quadrados, possuía capacidade para produzir cerca de 12 mil veículos por ano. Ao longo do tempo, tornou-se um dos principais símbolos da expansão da indústria automotiva japonesa no Brasil.

A transição para Sorocaba também envolveu a reorganização da força de trabalho. A Toyota abriu aproximadamente 2 mil vagas na nova estrutura industrial e ofereceu aos funcionários oportunidades de realocação, além de programas de desligamento voluntário. O objetivo foi minimizar os impactos do encerramento das atividades em Indaiatuba e preservar o conhecimento acumulado ao longo dos anos.

Com os portões prestes a serem fechados definitivamente, o futuro da antiga fábrica ainda permanece indefinido. Nos bastidores do setor, existem especulações sobre o interesse de fabricantes chinesas que buscam iniciar produção local no Brasil. Caso isso aconteça, o movimento repetiria estratégias adotadas recentemente por BYD e GWM, que assumiram antigas instalações de Ford e Mercedes-Benz. Independentemente do destino do complexo, a despedida do último Corolla encerra uma era histórica da indústria nacional e abre espaço para uma nova fase da Toyota, marcada por eletrificação, expansão produtiva e novos modelos estratégicos para o mercado brasileiro.

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