A General Motors confirmou que avalia um novo hatch compacto da Chevrolet para a América do Sul e colocou até mesmo a produção no Brasil entre as possibilidades. O projeto ainda está em fase de estudos, mas representa um movimento importante da fabricante para disputar uma faixa do mercado de elétricos que ganhou força com modelos como BYD Dolphin Mini e Geely EX2.
A confirmação ocorreu durante viagem de Thomas Owsianski, presidente e diretor-geral da GM América do Sul, à China. O executivo assinou um protocolo de intenções com a SGMW, joint venture formada por SAIC Motor, General Motors e Guangxi Automobile Group, para avançar na avaliação de novos produtos para a região.
A GM, entretanto, não confirmou qual carro dará origem ao projeto, seu nome, especificações, data de lançamento ou fábrica. O Wuling Bingo Pro aparece como principal candidato, enquanto Joy e Celta são nomes relacionados ao futuro modelo por informações ainda não oficiais.

Wuling Bingo Pro é candidato ao novo Chevrolet
O Wuling Bingo Pro chama atenção porque pertence justamente à SGMW e possui porte compatível com o segmento que a Chevrolet pretende explorar.
Segundo a ficha técnica oficial do Wuling Bingo Pro publicada pela SGMW, o hatch vendido na China mede 4,05 metros de comprimento, 1,758 m de largura, 1,58 m de altura e 2,56 m de entre-eixos. São dimensões próximas às do Geely EX2 e superiores às de elétricos urbanos menores, como o BYD Dolphin Mini.
O modelo utiliza motor elétrico dianteiro de 65 kW, equivalentes a cerca de 88 cv, e 110 Nm de torque. A bateria é de 31,9 kWh nas configurações de 330 km e de 37,9 kWh nas versões de 403 km.
As autonomias declaradas seguem o ciclo chinês CLTC e, portanto, não representam uma futura autonomia brasileira. Caso o Bingo Pro seja escolhido para o projeto da Chevrolet, será necessário aguardar a configuração destinada ao país e sua eventual homologação pelo PBE Veicular do Inmetro.
Nas versões de maior autonomia, a SGMW informa ainda recarga rápida de 30% a 80% em 15 minutos, além da possibilidade de fornecer até 3,3 kW para equipamentos externos.
Joy ou Celta? GM ainda não confirmou o nome
O nome do futuro Chevrolet também permanece indefinido.
Informações anteriores relacionaram o projeto ao possível retorno do Celta, enquanto o GM Authority aponta outro nome conhecido: Joy. No Brasil, essa denominação foi utilizada nas versões de entrada da primeira geração do Onix em seus últimos anos de comercialização.
Se confirmado, o Joy retornaria com uma proposta completamente diferente, trocando o antigo compacto a combustão por um veículo 100% elétrico.
Por enquanto, porém, nem Joy nem Celta foram confirmados pela General Motors. A própria fabricante limita-se a definir o projeto como um hatch compacto inédito da Chevrolet.

Produção no Brasil também está em estudo
Outro ponto relevante é a possibilidade de fabricação nacional. Segundo Owsianski, “a produção no Brasil também está entre as possibilidades em análise”.
Isso não significa que o modelo já tenha uma fábrica definida.
O Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte, surge naturalmente como possibilidade porque já participa da estratégia de eletrificação da Chevrolet. Em junho, a própria GM confirmou a ampliação da operação cearense e afirmou que a unidade tem condições de incorporar novos produtos conforme a demanda evolui.
A informação pode ser conferida no comunicado oficial da Chevrolet sobre a expansão da operação no Ceará.
A fabricante, entretanto, não anunciou onde o futuro hatch seria produzido caso o projeto receba aprovação.
GM usa parceria chinesa para responder ao avanço dos elétricos
O aspecto mais interessante do projeto vai além do carro escolhido.
A General Motors está ampliando o uso de sua experiência industrial na China para acelerar a chegada de veículos eletrificados à América do Sul. Spark EUV e Captiva EV já demonstram essa estratégia e a operação brasileira começa a ganhar maior importância dentro desse processo.
Um hatch compacto representaria um passo diferente porque permitiria à Chevrolet buscar uma faixa potencialmente mais acessível e de maior volume.
É justamente nesse espaço que fabricantes chinesas ganharam relevância. O BYD Dolphin Mini e o Geely EX2, por exemplo, conseguiram volumes expressivos, aumentando a importância comercial dos elétricos compactos no país.
A situação cria uma inversão interessante: para responder ao avanço das próprias fabricantes chinesas, a GM pode recorrer justamente à estrutura que construiu na China ao longo de décadas.
Preço será mais importante que o nome
Ainda é cedo para dizer se o futuro hatch será um Chevrolet Joy, Celta ou receberá outra denominação. Também não existe preço oficial, portanto projeções próximas de R$ 120 mil não devem ser apresentadas como valor definido pela fabricante.
Caso o projeto avance, nome conhecido e produção brasileira poderão ajudar, mas não serão suficientes para garantir competitividade.
Preço, autonomia homologada pelo Inmetro, equipamentos e posicionamento diante de Dolphin Mini, Geely EX2 e outros elétricos compactos terão peso maior.
Por enquanto, a principal mudança é que o projeto deixou de ser apenas uma especulação: a GM confirmou que estuda um novo hatch compacto para a Chevrolet e admite produzi-lo no Brasil. A escolha do modelo, seu nome e a aprovação definitiva ainda serão os próximos passos.
