GWM Tank 300 mostra em Fernando de Noronha para que serve o V2L na prática

O GWM Tank 300 está sendo usado no projeto Protect Paradise, em Fernando de Noronha, para mostrar uma aplicação prática da tecnologia V2L. Recarregado com energia solar, o SUV híbrido plug-in fornece eletricidade a equipamentos de reciclagem e também participa da logística reversa de embalagens de vidro.

Autonomia, potência e tempo de recarga costumam concentrar as atenções quando se fala em carros eletrificados. Mas algumas tecnologias presentes nesses veículos permitem utilizar a bateria para outras finalidades. É o caso do V2L (Vehicle-to-Load). Afinal, para que esse recurso serve fora da ficha técnica?

Uma resposta prática está sendo demonstrada em Fernando de Noronha. O GWM Tank 300, híbrido plug-in, passou a integrar o projeto Protect Paradise, desenvolvido pela Green Mining, e utiliza a energia armazenada em sua bateria para alimentar equipamentos empregados em ações de reciclagem. O SUV também participa da coleta de embalagens de vidro em estabelecimentos da ilha.

A operação chama atenção porque mostra uma utilização do veículo que vai além do deslocamento. Nesse caso, a bateria funciona também como uma fonte móvel de eletricidade.

O que é V2L e para que ele serve?

V2L é a sigla para Vehicle-to-Load. De forma simples, a tecnologia permite retirar energia armazenada na bateria do veículo para alimentar equipamentos elétricos externos compatíveis.

Em Fernando de Noronha, essa possibilidade foi integrada à estrutura do Protect Paradise. O projeto possui um contêiner de reciclagem abastecido por painéis solares, e o Tank 300 é recarregado com a eletricidade produzida no local. Depois, a energia armazenada na bateria pode ser utilizada pelos equipamentos durante as atividades realizadas fora da estrutura fixa.

Isso ganha importância porque as ações podem ser levadas a escolas, eventos e outros pontos do arquipélago. Em vez de depender exclusivamente de uma fonte de eletricidade instalada no local da atividade, o próprio veículo acompanha a operação.

GWM Tank 300 mostra em Fernando de Noronha para que serve o V2L na prática
Foto: GWM/Divulgação

Na prática, o Tank 300 passa a funcionar como uma fonte móvel de eletricidade para os equipamentos utilizados nessas ações, reduzindo a necessidade de recorrer a um gerador convencional no local.

Isso não significa, porém, que qualquer aparelho possa simplesmente ser conectado a qualquer veículo com V2L. A aplicação depende da capacidade disponibilizada pelo sistema, das características do automóvel e das exigências dos equipamentos que receberão a energia.

Energia do sol passa pela bateria do Tank 300

Um aspecto interessante da operação está no caminho percorrido pela eletricidade. Primeiro, os painéis solares instalados no contêiner produzem energia. Essa eletricidade é utilizada para recarregar o Tank 300. A bateria do SUV armazena a energia e, posteriormente, o V2L permite fornecê-la aos equipamentos externos.

GWM Tank 300 mostra em Fernando de Noronha para que serve o V2L na prática
Foto: GWM/Divulgação

O fluxo pode ser resumido em painéis solares → veículo → equipamentos de reciclagem.

É justamente essa capacidade de transportar energia que diferencia a aplicação. O contêiner continua sendo o ponto de geração e recarga, enquanto o automóvel permite levar parte da energia armazenada para onde a atividade será realizada.

Mais do que simplesmente mostrar que um carro pode alimentar aparelhos, o exemplo ajuda a explicar uma característica dos veículos eletrificados que nem sempre recebe tanta atenção quanto autonomia ou desempenho: a bateria pode assumir outras funções quando o sistema do veículo foi projetado para isso.

SUV também participa da coleta de garrafas

O papel do GWM Tank 300 no Protect Paradise não se limita ao fornecimento de eletricidade.

O veículo também foi incorporado à logística reversa das embalagens de vidro. O SUV é utilizado para recolher garrafas em bares e restaurantes parceiros em Fernando de Noronha. Depois da coleta, o material entra na operação da Green Mining e segue para reciclagem no continente.

Assim, o mesmo automóvel desempenha duas funções distintas: transporta materiais e pessoas envolvidos na operação e, quando necessário, disponibiliza energia para equipamentos externos.

É uma aplicação que ajuda a colocar a eletrificação em uma perspectiva diferente. Nem toda inovação de um híbrido plug-in ou elétrico precisa estar relacionada diretamente a acelerar mais, consumir menos ou aumentar a autonomia.

Tecnologia ajuda, mas não faz a reciclagem sozinha

O uso do V2L também precisa ser colocado em perspectiva. Ter um veículo capaz de transportar material e fornecer eletricidade facilita parte da operação, mas não resolve sozinho o desafio da reciclagem.

As embalagens precisam ser separadas corretamente nos estabelecimentos, recolhidas, transportadas e encaminhadas para a indústria recicladora. A própria Green Mining explica que seu sistema de logística reversa acompanha o material coletado até o encaminhamento para reciclagem.

GWM Tank 300 mostra em Fernando de Noronha para que serve o V2L na prática
Foto: GWM/Divulgação

Sem essas etapas, a tecnologia presente no automóvel tem alcance limitado.

Os números ajudam a dimensionar o projeto. Desde o início da atuação em Fernando de Noronha, mais de 7,5 toneladas de plástico e 12,7 toneladas de vidro foram encaminhadas para reciclagem. Também foram produzidos localmente mais de 30 mil objetos a partir de materiais reaproveitados.

O caso de Fernando de Noronha, portanto, oferece uma resposta interessante para quem pergunta se o V2L possui utilidade além de demonstrações ou atividades de lazer.

No Protect Paradise, o recurso deixa de ser apenas mais uma sigla na lista de equipamentos. A bateria que movimenta o Tank 300 também passa a transportar eletricidade até os pontos onde ela é necessária. É uma aplicação específica, mas que mostra como um veículo eletrificado pode desempenhar funções que vão além de simplesmente levar seus ocupantes de um lugar para outro.

Aline Costa
SOBRE O AUTOR

Aline Costa

Estudante de Jornalismo pela Faculdade RSA, em Picos (PI), Aline Costa é cofundadora e redatora do Falando de Carros, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos sobre o universo automotivo, incluindo notícias, comparativos, avaliações, lançamentos, mercado de veículos e informações para consumidores.Apaixonada por automóveis, Aline reúne experiência prática no setor, com trajetória ligada à venda de veículos e ao atendimento de clientes, conhecimento que contribui para uma abordagem mais próxima da realidade dos compradores. Sua vivência no mercado automotivo auxilia na análise de modelos, versões, preços, condições comerciais e tendências da indústria.Ao lado de Josean Santos, fundador do Falando de Carros, participa da administração e do desenvolvimento editorial do portal, buscando oferecer informações claras, responsáveis e relevantes para quem deseja conhecer melhor o mercado de carros no Brasil.Seu trabalho tem como objetivo unir conhecimento jornalístico e experiência prática, produzindo conteúdos baseados em informações confiáveis, com foco em ajudar os leitores a tomar decisões mais conscientes na escolha de um veículo.