Insulfilm permitido: qual película pode usar no carro, limites, multa e regras do Contran
Foto: Localiza seminovos/Divulgação

Colocar película nos vidros do carro parece uma modificação simples, mas escolher apenas pelo nome comercial — G5, G20, G35 ou G70 — pode levar o motorista ao erro. A legislação brasileira não analisa somente a película: em determinadas áreas, o que importa é a transmitância luminosa do conjunto formado pelo vidro e pela película.

Isso significa que uma película anunciada como G70 não garante automaticamente que o carro ficará dentro da lei. O vidro original já pode reduzir parte da passagem de luz e, depois da instalação, o conjunto precisa continuar atendendo ao limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

As regras também mudaram nos últimos anos. Atualmente, existe uma diferença importante entre os vidros considerados indispensáveis à condução e aqueles que não interferem diretamente no campo de visão do motorista.

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Qual insulfilm é permitido atualmente?

A principal referência é a Resolução Contran nº 960/2022, posteriormente modificada pela Resolução nº 989/2022.

A regra atual estabelece transmitância luminosa mínima de 70% no para-brisa e nas demais áreas envidraçadas indispensáveis à dirigibilidade, incluindo as áreas laterais dianteiras que fazem parte do campo de visão do motorista.

Nos vidros que não interferem nessas áreas indispensáveis, a transmitância pode ficar abaixo de 70%, desde que o veículo seja equipado com espelhos retrovisores externos nos dois lados.

Na prática:

Área do veículoRegra
Para-brisamínimo de 70% de transmitância nas áreas exigidas
Laterais dianteiras indispensáveis à conduçãomínimo de 70%
Laterais traseiraspodem ter transmitância inferior a 70%, observadas as condições da norma
Vidro traseiropode ter transmitância inferior a 70% quando atendidas as condições previstas
Vidros do tetoexcluídos dos limites de transmitância previstos no art. 4º

A mudança é relevante porque ainda existem conteúdos que informam que os vidros traseiros obrigatoriamente precisam manter 28% de transmitância. Esse era o texto original da Resolução 960, mas o inciso foi alterado pela Resolução Contran nº 989/2022.

Com a alteração, a transmitância pode ser inferior a 70% nos vidros que não interferem nas áreas envidraçadas indispensáveis à dirigibilidade, desde que o veículo seja dotado de espelhos retrovisores externos em ambos os lados.

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Fonte: Imagem gerada por IA

G5, G20, G35 e G70: o que esses números significam?

No mercado, é comum encontrar películas identificadas por números como G5, G20, G35, G50 e G70. De maneira simplificada, essa nomenclatura comercial costuma ser usada para indicar quanto de luz a película deixa passar.

Assim, uma G5 é muito mais escura que uma G70.

O problema é tratar essa identificação comercial como se fosse a própria medição exigida pela legislação.

Para a fiscalização, o ponto decisivo nas áreas com limite obrigatório é a transmitância luminosa efetivamente encontrada no conjunto vidro-película.

Imagine um vidro que já não transmite 100% da luz. Acrescentar sobre ele uma película anunciada como 70% pode fazer o resultado final ficar abaixo dos 70% necessários naquela área.

Por isso, simplesmente pedir “G70” ao instalador não é a maneira mais segura de verificar a legalidade.

G20 é permitido?

Depende de onde a película será instalada.

Uma película G20 não serve para uma área na qual o conjunto vidro-película precisa manter pelo menos 70% de transmitância luminosa.

Nos vidros que não interferem nas áreas indispensáveis à dirigibilidade, porém, a Resolução 989 permite transmitância inferior a 70%, desde que sejam cumpridas as demais condições da regulamentação, inclusive a existência dos retrovisores externos exigidos.

Portanto, dizer simplesmente que “G20 é proibido no Brasil” é uma generalização incorreta.

E o insulfilm G5?

O raciocínio é semelhante.

Por ser extremamente escura, uma G5 não atende uma área em que sejam obrigatórios pelo menos 70% de transmitância luminosa.

Nos vidros não indispensáveis à dirigibilidade, a regulamentação atual não estabelece aquele antigo piso geral de 28%.

Isso não significa, porém, que qualquer aplicação seja automaticamente regular. Continuam valendo as demais exigências da Resolução Contran 960/2022 e suas alterações.

Além da questão legal, uma película muito escura pode diminuir bastante a visibilidade através daquele vidro em ambientes pouco iluminados.

Por que uma G70 ainda pode dar problema?

Esse é um dos detalhes mais importantes para quem pretende instalar película.

O limite legal não deve ser interpretado simplesmente pelo número escrito na embalagem.

Suponha que determinada película deixe passar 70% da luz. Se o vidro original também possui alguma redução de transmitância, o resultado do conjunto poderá ser inferior ao necessário.

É justamente por isso que uma instalação profissional precisa considerar vidro + película, e não apenas o filme isoladamente.

Se houver dúvida, a avaliação técnica da transmitância é muito mais confiável do que tentar descobrir se a película está regular apenas olhando o vidro.

Insulfilm permitido: qual película pode usar no carro, limites, multa e regras do Contran
Foto: Moura/Divulgação

Como a fiscalização verifica a transparência?

A Resolução Contran 960 prevê a utilização de medidor de transmitância luminosa para a verificação dos índices estabelecidos pela regulamentação.

O equipamento mede quanta luz consegue atravessar a área envidraçada.

Isso também explica por que comparar dois carros visualmente pode enganar. Cor do interior, iluminação ambiente, tonalidade original do vidro e tecnologia utilizada na película mudam bastante a percepção de quem olha de fora.

O que parece claro pode estar irregular, enquanto duas películas visualmente semelhantes podem apresentar resultados diferentes na medição.

Película com bolhas pode dar multa?

Bolhas não devem ser tratadas apenas como um defeito estético.

A Resolução 960 proíbe películas com bolhas nas áreas críticas de visão do condutor e nas áreas envidraçadas indispensáveis à dirigibilidade.

O problema é simples: bolhas e deformações podem distorcer a imagem vista através do vidro e prejudicar a visibilidade.

Se a película começou a apresentar esse tipo de deterioração, especialmente no para-brisa ou nos vidros laterais dianteiros, o correto é providenciar a substituição.

Película espelhada é permitida?

Não. A regulamentação proíbe a aplicação de película refletiva nas áreas envidraçadas do veículo.

Esse ponto é diferente da tonalidade escura.

Uma película pode ser escura sem ser refletiva. Por isso, não basta observar somente quanto o filme escurece o vidro; sua tecnologia e características também precisam atender às exigências regulamentares.

Qual é a multa por insulfilm irregular?

O descumprimento das regras relativas às áreas envidraçadas pode enquadrar o veículo nas disposições do artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro.

A infração correspondente é grave, com:

  • multa de R$ 195,23;
  • 5 pontos na CNH;
  • retenção do veículo para regularização, conforme a situação constatada.

Por isso, economizar na instalação escolhendo uma película sem procedência ou confiar somente na indicação informal de tonalidade pode acabar saindo mais caro.

Película mais clara pode proteger melhor do calor?

Sim. Esse é outro erro comum.

Escurecimento e rejeição de calor não são exatamente a mesma coisa.

Películas automotivas modernas podem utilizar diferentes materiais e tecnologias para reduzir radiação solar e ultravioleta sem depender exclusivamente de uma tonalidade extremamente escura.

É possível, portanto, encontrar uma película relativamente clara com desempenho térmico superior ao de um filme escuro mais simples.

Na hora da compra, vale analisar separadamente características como transmitância luminosa, rejeição de energia solar e proteção contra radiação ultravioleta, sempre verificando como o fabricante realizou essas medições.

Película comum, carbono ou cerâmica: qual escolher?

As películas básicas normalmente priorizam preço e redução de luminosidade. Podem funcionar bem quando o objetivo é simplesmente diminuir a incidência solar e criar alguma privacidade.

Películas de carbono costumam ocupar uma faixa intermediária, enquanto produtos que utilizam tecnologia cerâmica são vendidos principalmente pela capacidade de controlar calor mantendo maior transparência óptica.

Isso não significa que toda película cerâmica seja automaticamente superior. Qualidade do produto, especificações verificáveis e instalação são tão importantes quanto o material anunciado.

Para quem dirige bastante à noite, uma película de boa qualidade e mais clara pode ser uma escolha melhor do que simplesmente procurar o vidro mais escuro possível.

Quanto custa colocar insulfilm?

Não existe um preço único.

O valor varia conforme tamanho e quantidade dos vidros, modelo do veículo, marca da película, tecnologia empregada, garantia oferecida e dificuldade da instalação.

Películas convencionais costumam ocupar a faixa mais acessível, enquanto filmes de carbono, cerâmicos, de controle térmico avançado ou de segurança podem custar várias vezes mais.

Por isso, comparar orçamentos apenas pelo preço final é pouco útil. Pergunte qual produto será instalado, quais são suas especificações, qual garantia é oferecida e se o instalador verifica a conformidade do conjunto vidro-película.

Como saber se o insulfilm do seu carro está irregular

Alguns sinais merecem atenção:

  • película muito escura no para-brisa;
  • laterais dianteiras com forte redução de visibilidade;
  • bolhas nas áreas de visão do motorista;
  • película refletiva;
  • deformações que distorcem a imagem;
  • filme descascando ou deteriorado;
  • ausência das identificações exigidas onde aplicáveis;
  • dificuldade excessiva para enxergar através dos vidros à noite.

A aparência, entretanto, não substitui uma medição quando existe dúvida sobre a transmitância.

Como fazer a película durar mais

O primeiro cuidado começa na instalação. Poeira, preparação inadequada do vidro e aplicação mal executada aumentam o risco de defeitos.

Depois da instalação, siga o prazo recomendado pelo profissional antes de movimentar os vidros, porque o adesivo ainda passa por um período de cura.

Na limpeza, evite materiais abrasivos e produtos incompatíveis com o filme. Esponjas ásperas e objetos pontiagudos podem riscar a superfície ou levantar as bordas.

Também vale observar regularmente o aparecimento de bolhas, descolamento ou alteração visual.

Erros mais comuns ao escolher insulfilm

O principal é acreditar que quanto mais escuro, melhor será a proteção térmica.

Outro erro é comprar apenas pela nomenclatura G5, G20 ou G70 sem considerar o resultado final no vidro.

Também é comum encontrar motoristas seguindo a antiga informação de que todos os vidros traseiros precisam obrigatoriamente ter 28% de transmitância mínima. Essa regra foi modificada.

Por fim, não escolha película apenas porque outro carro utiliza a mesma tonalidade. Os vidros originais podem possuir características diferentes.

Vale a pena colocar película no carro?

Para boa parte dos motoristas, sim. Uma película adequada pode melhorar o conforto visual e térmico, reduzir parte da radiação solar que chega à cabine e proporcionar mais privacidade.

O segredo é não transformar escurecimento no único critério de escolha.

Quem dirige muito à noite deve prestar atenção especial à visibilidade. Já quem busca principalmente conforto térmico pode obter resultado melhor investindo em tecnologia de controle solar do que escolhendo simplesmente a película mais escura disponível.

E, independentemente da opção, o primeiro requisito deve ser a conformidade com a legislação.

Perguntas frequentes sobre insulfilm permitido

Qual é o insulfilm permitido no para-brisa?

Nas áreas do para-brisa abrangidas pela regra de transmitância, o conjunto formado pelo vidro e pela película deve manter pelo menos 70% de transmitância luminosa. Portanto, não é suficiente comprar uma película identificada comercialmente como G70 e presumir que o resultado será legal. O vidro original também interfere na medição. Uma instalação adequada precisa considerar o resultado final.

Pode colocar G20 nos vidros traseiros?

A legislação atual permite transmitância inferior a 70% nos vidros que não interferem nas áreas indispensáveis à dirigibilidade, desde que o veículo possua os espelhos retrovisores externos exigidos e cumpra as demais condições regulamentares. A antiga exigência geral de pelo menos 28% nesses vidros foi alterada pela Resolução Contran 989/2022.

G5 é proibido?

Não é correto afirmar que a denominação G5 é proibida em absolutamente qualquer vidro. Ela não pode fazer com que uma área sujeita ao mínimo obrigatório de 70% fique abaixo desse limite. Para as áreas não indispensáveis à dirigibilidade, a regulamentação atual admite transmitância inferior a 70%, observadas as demais exigências.

G70 é sempre legalizado?

Não. A regulamentação considera a transmitância do conjunto vidro-película nas áreas em que existe limite mínimo. Como o próprio vidro pode absorver parte da luz, adicionar uma película comercialmente classificada como G70 pode resultar em transmitância final inferior a 70%. Por isso, a nomenclatura comercial não substitui uma medição técnica.

Pode usar película espelhada?

Películas refletivas são proibidas pela regulamentação do Contran. É importante diferenciar uma película escura de uma refletiva: são características diferentes. Antes da instalação, confirme as especificações do produto e não se baseie apenas em aparência ou nome comercial.

Insulfilm com bolha dá multa?

A Resolução Contran 960 proíbe películas com bolhas nas áreas críticas de visão do condutor e nas áreas envidraçadas indispensáveis à dirigibilidade. Além da questão legal, as deformações podem prejudicar a visão através do vidro, especialmente à noite ou sob chuva.

Qual é a multa por película irregular?

A irregularidade relacionada às regras das áreas envidraçadas pode configurar infração grave, com multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e medida administrativa de retenção do veículo para regularização, conforme o enquadramento aplicável.

Película cerâmica pode ser clara e mesmo assim reduzir calor?

Sim. A capacidade de controlar energia solar não depende exclusivamente de tornar o vidro muito escuro. Tecnologias modernas conseguem oferecer controle térmico mantendo maior passagem de luz. Por isso, ao comparar películas, observe os dados técnicos do fabricante em vez de avaliar apenas a tonalidade.

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