MG4 Urban e MG S5 ganham produção nacional em fábrica da GM no Ceará
Foto: MG/Divulgação

A estratégia de expansão da MG Motor no Brasil acaba de ganhar um capítulo decisivo. Depois de meses de especulações e de um período inicial focado exclusivamente na importação de veículos, a fabricante sino-britânica confirmou oficialmente que começará a montar carros em território nacional. A operação marca a entrada da marca em uma nova fase no país e reforça a crescente disputa pelo mercado brasileiro de veículos elétricos, atualmente liderada por grupos que também aceleram investimentos locais.

A produção acontecerá na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza. A unidade foi antecipada como destino da marca ainda no fim de 2025 e agora teve sua utilização confirmada oficialmente. O complexo pertence à Comexport, empresa que adquiriu a antiga fábrica da Troller em 2024 e a transformou em um moderno centro produtivo multimarcas voltado para veículos eletrificados.

Até 2021, o local era operado pela Ford e responsável pela fabricação do Troller T4. Após a aquisição, a Comexport promoveu uma ampla modernização da estrutura. Todos os equipamentos foram substituídos, cerca de 35% dos componentes utilizados na renovação são nacionais, áreas degradadas foram recuperadas e a planta teve sua área ampliada para 600 mil metros quadrados. Ao todo, aproximadamente R$ 400 milhões foram investidos na transformação da unidade.

Com a reestruturação concluída, a capacidade instalada da fábrica passou a permitir a montagem de até 80 mil veículos por ano. O projeto foi concebido para funcionar como um polo automotivo compartilhado, capaz de atender diferentes fabricantes simultaneamente. Atualmente, a General Motors já utiliza a estrutura para a montagem dos modelos Chevrolet Spark EUV e Captiva EV, ambos produzidos a partir de kits importados da China.

Agora, a MG Motor se junta oficialmente ao complexo industrial cearense. Segundo informações confirmadas pela própria Comexport, a marca utilizará um galpão independente dentro da planta para realizar suas operações. O início das atividades está previsto para ocorrer entre o final de 2026 e os primeiros meses de 2027, embora exista expectativa de que os primeiros veículos montados localmente cheguem ao mercado ainda durante o segundo semestre de 2026.

MG4 Urban e MG S5 ganham produção nacional em fábrica da GM no Ceará
Foto: MG/Divulgação

O sistema adotado seguirá o modelo SKD (Semi Knocked-Down), no qual os veículos chegam parcialmente desmontados da China e passam pela montagem final no Brasil. A estratégia permite acelerar o início da produção, reduzir custos logísticos, aumentar a disponibilidade de veículos e minimizar os impactos da retomada gradual do Imposto de Importação para carros elétricos, que chegará novamente a 35%.

Os primeiros modelos escolhidos para a operação nacional serão o hatch elétrico MG4 Urban e o SUV elétrico MG S5. Ambos já fazem parte da estratégia da fabricante para ampliar sua presença no mercado brasileiro. Enquanto o MG4 será lançado como uma das principais novidades da marca em 2026, o MG S5 já é comercializado no país por meio de importação direta da China.

Considerado peça-chave da ofensiva da empresa, o MG4 Urban foi desenvolvido para disputar espaço diretamente com BYD Dolphin, Geely EX2 e outros hatches elétricos compactos que ganharam força nos últimos anos. A produção nacional é vista internamente como um passo estratégico para aumentar a competitividade do modelo e ampliar sua participação em um dos segmentos mais disputados da eletrificação brasileira.

O hatch será oferecido com motor elétrico dianteiro e duas configurações de bateria. A versão de entrada utilizará um conjunto de 42,8 kWh, suficiente para alcançar até 323 km de autonomia no ciclo WLTP. Em medições equivalentes às realizadas pelo Inmetro, a expectativa é de alcance próximo dos 230 km. Já a opção superior contará com bateria de 53,9 kWh e autonomia estimada em aproximadamente 415 km pelo padrão internacional.

Na configuração equipada com a bateria menor, o modelo utiliza motor elétrico de 150 cv e torque de 25,5 kgfm. Segundo dados divulgados pela fabricante, o hatch acelera de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos e atinge velocidade máxima de 160 km/h. O sistema de recarga aceita potência de até 11 kW em corrente alternada (AC) e até 82 kW em corrente contínua (DC).

Em dimensões, o MG4 Urban também pretende se destacar. O hatch mede 4,39 metros de comprimento, 1,84 metro de largura, 1,55 metro de altura e possui entre-eixos de 2,75 metros. O porta-malas acomoda até 471 litros, volume superior ao encontrado em diversos concorrentes da categoria e um dos principais argumentos do modelo para conquistar consumidores que buscam mais espaço interno.

O segundo modelo da operação será o MG S5, SUV médio construído sobre a mesma plataforma modular MSP utilizada pelo MG4. Atualmente vendido no Brasil com preços a partir de R$ 195.800, o utilitário representa a aposta da fabricante em um dos segmentos mais importantes do mercado. Dependendo da configuração, o modelo oferece potência de até 305 cv e torque de 35,6 kgfm, sempre com tração traseira.

Entre os números de desempenho, o SUV pode acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 6,3 segundos. A autonomia homologada pelo Inmetro chega a 351 quilômetros, enquanto o carregamento rápido permite recuperar a bateria de 10% a 80% em cerca de 26 minutos. Há ainda versões equipadas com motor traseiro de 170 cv e 25,5 kgfm, alimentadas por bateria de 49 kWh, capazes de cumprir a mesma autonomia oficial.

O pacote tecnológico também está entre os destaques do MG S5. O modelo oferece sistema One Pedal Drive, sete airbags, teto solar panorâmico, abertura elétrica do porta-malas sem uso das mãos, assistentes avançados de condução, frenagem autônoma de emergência, alerta de tráfego cruzado e assistente de permanência em faixa. O porta-malas pode alcançar capacidade de até 1.141 litros, reforçando sua proposta familiar.

A chegada da produção nacional faz parte de um plano mais amplo da MG Motor para consolidar sua presença no Brasil. Além de ampliar a competitividade frente a rivais como BYD e GWM, a empresa trabalha para expandir sua rede para cerca de 70 concessionárias até o fim do ano. Com montagem local, maior disponibilidade de veículos e redução da dependência das importações, a marca busca se posicionar entre os protagonistas da nova fase da indústria automotiva brasileira e do crescimento dos veículos elétricos no país.

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