A Peugeot mexeu nos preços do 208 para a linha 2027, mas a mudança mais interessante talvez não esteja simplesmente nos descontos. Com a saída da versão Active, o hatch passou a ter apenas três configurações e criou uma distância considerável entre quem procura o modelo mais barato e quem não abre mão de motor turbo e câmbio automático.
O Peugeot 208 Style 1.0 MT custa R$ 93.990, enquanto o Allure Turbo 200 AT parte de R$ 119.990. São R$ 26 mil de diferença. Acima deles, o GT MHEV custa R$ 132.990. A nova estrutura, portanto, praticamente divide o 208 em três propostas distintas.
A questão para quem está pensando em comprar não é apenas quanto o 208 ficou mais barato. É entender o que efetivamente se recebe ao avançar de uma versão para outra.
Style combina mecânica simples com equipamentos pouco básicos
Por R$ 93.990, o Peugeot 208 2027 Style é a porta de entrada. O conjunto mecânico é conhecido: motor 1.0 Firefly aspirado de três cilindros, com até 75 cv e 10,7 kgfm, associado ao câmbio manual de cinco marchas.
A simplicidade mecânica contrasta com o pacote de equipamentos.
Mesmo sendo o 208 mais barato, o Style oferece ar-condicionado automático digital, central multimídia de 10,3 polegadas com espelhamento sem fio, câmera de ré de 150°, sensor de estacionamento traseiro, iluminação em LED e rodas de liga leve de 16 polegadas.

É justamente aí que está um dos argumentos dessa configuração. O comprador abre mão do turbo e do câmbio automático, mas não leva um carro deliberadamente simplificado em equipamentos para justificar o preço de entrada.
A conta muda bastante quando a transmissão automática passa a ser uma exigência.
Para ter turbo e câmbio automático, são R$ 26 mil a mais
Não existe mais uma Active entre Style e Allure. Com isso, quem não quiser o 208 manual precisa avançar diretamente dos R$ 93.990 para R$ 119.990.
O Allure troca o aspirado pelo 1.0 Turbo 200, associado ao câmbio automático CVT com sete marchas simuladas. A versão também acrescenta chave presencial, partida por botão, modo Sport, piloto automático e limitador de velocidade, além de rodas diamantadas de 16 polegadas e alterações no acabamento interno.
Isso torna o Allure uma espécie de divisão dentro da própria gama. Não é apenas um Style com alguns equipamentos extras: ele representa o ponto a partir do qual o consumidor encontra turbo e transmissão automática CVT no 208.
Há, porém, uma mudança importante no motor.
O Turbo 200 deixou para trás os 130 cv declarados anteriormente e aparece na linha 2027 com 115 cv, mantendo os 20,4 kgfm de torque.
A redução de potência máxima não significa, por si só, que o carro tenha perdido 15 cv em todas as situações de uso. Como o torque máximo foi preservado, a dimensão prática da mudança precisa ser verificada ao volante, especialmente em retomadas, ultrapassagens e acelerações em velocidades mais altas.

É um ponto que merece avaliação em teste, e não uma conclusão apenas pela ficha técnica.
GT MHEV cobra R$ 13 mil por tecnologia e segurança
Do Allure para o GT MHEV, a diferença cai para R$ 13 mil. O preço passa de R$ 119.990 para R$ 132.990.
Aqui, a lógica muda novamente.
O GT não entrega um grande salto de potência em relação ao Allure. Seu argumento está principalmente no sistema híbrido leve de 12 V e no pacote de equipamentos.
A assistência elétrica recupera energia durante frenagens e desacelerações e trabalha de forma complementar ao motor a combustão. Portanto, o MHEV não deve ser confundido com um híbrido pleno capaz de movimentar o veículo da mesma maneira que sistemas de maior tensão.
O GT também adiciona painel i-Cockpit 3D de 10 polegadas, faróis Full LED, alerta de colisão, frenagem automática de emergência, correção de permanência em faixa, detector de fadiga, reconhecimento de sinalização e câmera de 180°.
Nesse caso, os R$ 13 mil adicionais estão muito mais associados a segurança, tecnologia, acabamento e eletrificação leve do que a uma busca por potência superior.

Qual 208 faz mais sentido para cada comprador?
Os números oficiais de consumo ajudam a separar ainda mais as três propostas.
De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV/Inmetro), os dados apresentados para a linha mostram diferenças principalmente no uso urbano. No material consultado, o Style registra, com gasolina, 13,6 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada. O Allure Turbo faz 11,8 e 14 km/l, respectivamente, enquanto o GT MHEV chega a 12,9 km/l no ciclo urbano e 14 km/l no rodoviário.
Isso cria uma particularidade: nos números oficiais apresentados, a assistência elétrica beneficia principalmente o consumo urbano do GT quando comparado ao Allure, enquanto os dois registram o mesmo consumo rodoviário com gasolina.
No fim, os três 208 ficaram mais fáceis de separar pelo perfil de uso.
O Style concentra preço menor e um pacote interessante para quem aceita motor aspirado e câmbio manual. O Allure passa a ser praticamente a porta obrigatória para quem quer turbo e automático. Já o GT MHEV direciona seus R$ 13 mil adicionais principalmente para segurança, tecnologia e assistência elétrica.
A Peugeot reduziu os preços e simplificou a gama, mas isso não significa que a decisão tenha ficado igualmente simples. O valor inicial de R$ 93.990 chama atenção, porém os R$ 26 mil necessários para chegar ao primeiro 208 turbo automático mostram que, na linha 2027, o preço de entrada conta apenas uma parte da história.
