A China iniciou uma das maiores campanhas de recall já registradas em sua indústria automotiva. Cerca de 4,3 milhões de veículos de diferentes fabricantes estão envolvidos em uma convocação relacionada à segurança dos sistemas de abertura das portas, especialmente em situações de acidente ou falha elétrica.
A lista reúne fabricantes como Tesla, Xiaomi, Leapmotor, Xpeng, Zeekr, Lynk & Co, Chery, Dongfeng, BAIC, Geely, FAW Hongqi e Genesis. A Tesla concentra, de longe, o maior número de unidades envolvidas, com quase 3 milhões de automóveis.
O problema ganhou importância com a popularização das maçanetas embutidas e dos comandos elétricos de abertura, bastante utilizados principalmente em carros elétricos modernos. A preocupação das autoridades é que, depois de uma colisão grave acompanhada de interrupção do sistema elétrico, os ocupantes ou equipes de resgate tenham dificuldade para localizar e utilizar o mecanismo mecânico de emergência.
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É importante destacar que o recall anunciado é referente ao mercado chinês e, neste momento, não significa uma convocação dos veículos comercializados no Brasil.
Tesla concentra quase 3 milhões de veículos
A Tesla é a fabricante com maior participação na campanha. São 2.975.910 veículos envolvidos, incluindo unidades dos Model 3 e Model Y produzidas na China e exemplares importados dos Model 3, Model X e Model S.
Segundo a documentação relacionada à campanha, a preocupação está na identificação e operação das maçanetas mecânicas internas utilizadas em emergências.

Em uma situação normal, o motorista e os passageiros utilizam os comandos elétricos das portas. O cenário muda quando uma colisão compromete o sistema de baixa tensão. Nesse caso, passa a ser necessário utilizar o mecanismo mecânico de emergência.
A dificuldade para encontrar rapidamente esse comando pode atrasar tanto a saída dos ocupantes quanto o trabalho das equipes de resgate.
Para solucionar o problema, a Tesla deverá instalar etiquetas de advertência indicando a localização dos mecanismos de emergência e realizar uma atualização remota do software.
A atualização acrescentará uma função capaz de baixar automaticamente os vidros após determinados acidentes, facilitando a saída dos passageiros ou o acesso ao interior do automóvel.
Xiaomi e Leapmotor também estão na lista
A convocação vai muito além da Tesla.
A Xiaomi terá 390.435 unidades do SU7 envolvidas, enquanto a Leapmotor convocará 371.200 exemplares dos C01 e C11. A Xpeng aparece logo depois, com 264.842 unidades dos G6, P7+ e X9.
| Fabricante | Veículos envolvidos |
|---|---|
| Tesla | 2.975.910 |
| Xiaomi | 390.435 |
| Leapmotor | 371.200 |
| Xpeng | 264.842 |
| Zeekr | 92.658 |
| Lynk & Co | 74.037 |
| Chery | 64.488 |
| Dongfeng | 53.452 |
| BAIC | 46.850 |
| Geely | 18.878 |
| FAW Hongqi | 11.908 |
| Genesis | 9 |
Os números e modelos fazem parte das informações relacionadas às campanhas registradas pelas fabricantes na China.
Por que as maçanetas elétricas preocupam?
As maçanetas embutidas ganharam espaço nos últimos anos porque ajudam a criar um visual mais limpo e podem contribuir, ainda que de forma limitada, para melhorar a aerodinâmica do veículo.
Existem diferentes soluções. Algumas maçanetas permanecem niveladas com a carroceria e se projetam quando o motorista se aproxima. Outras precisam ser pressionadas para permitir o acionamento.
Internamente, vários carros também substituíram a tradicional alavanca por botões ou comandos elétricos.
O problema aparece quando o sistema elétrico deixa de funcionar.
Nessas circunstâncias, o passageiro precisa recorrer ao mecanismo mecânico de emergência. Se ele estiver escondido, mal sinalizado ou exigir uma operação pouco intuitiva, a abertura da porta pode levar mais tempo justamente quando cada segundo é importante.
China muda regras das maçanetas a partir de 2027
A campanha acontece em meio a uma mudança mais ampla da regulamentação chinesa.
A China já publicou requisitos técnicos específicos para a segurança das maçanetas automotivas, estabelecidos pela norma obrigatória GB 48001-2026, elaborada sob responsabilidade do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027.
A regulamentação estabelece requisitos para que as portas disponham de solução mecânica de abertura. Internamente, os comandos também deverão ser visíveis, facilmente identificáveis e instalados em posições determinadas, reduzindo a dependência exclusiva de sistemas elétricos em situações de emergência. O conteúdo utilizado para a matéria também registra que os comandos internos deverão ficar a até 300 mm das bordas das portas.
Na prática, a mudança representa uma revisão de uma tendência de design que se espalhou rapidamente pela indústria de veículos elétricos.
O objetivo não é simplesmente abandonar recursos eletrônicos, mas garantir uma alternativa mecânica claramente acessível caso a alimentação elétrica do veículo seja interrompida.

Recall não foi anunciado para o Brasil
A presença de marcas que também atuam por aqui naturalmente levanta dúvidas entre consumidores brasileiros.
Entretanto, não há indicação de que esse mega recall chinês tenha sido estendido automaticamente aos veículos comercializados no Brasil. A campanha divulgada corresponde aos automóveis cobertos pelos registros e regras do mercado chinês.
Isso é particularmente relevante para marcas como Leapmotor, Zeekr, Chery e Geely, que já possuem produtos no mercado brasileiro.
No caso da Leapmotor, por exemplo, os modelos relacionados no levantamento chinês são C01 e C11, enquanto a operação brasileira utiliza outros produtos.
Mudança chinesa pode influenciar carros vendidos em outros países
Mesmo sendo uma regulamentação doméstica, a decisão chinesa pode ter consequências além de suas fronteiras.
A China se tornou um dos principais polos mundiais de desenvolvimento e fabricação de veículos elétricos. Diversos automóveis produzidos no país são exportados praticamente com o mesmo projeto para dezenas de mercados.
Se as fabricantes alterarem maçanetas, mecanismos mecânicos de emergência e sistemas eletrônicos para atender às novas exigências chinesas, essas modificações poderão acabar sendo incorporadas aos veículos destinados à exportação.
Por enquanto, porém, é necessário separar os dois assuntos: o recall de aproximadamente 4,3 milhões de veículos é uma campanha do mercado chinês, enquanto eventuais alterações nos carros destinados ao Brasil dependerão das decisões de cada fabricante e das especificações adotadas para os produtos vendidos por aqui.
