A Renault revelou oficialmente a linha 2027 do Kwid na Índia, mercado que historicamente serve de base para o desenvolvimento do hatch vendido no Brasil. A atualização é discreta, mas confirma boa parte das mudanças já vistas nos protótipos flagrados em testes em território nacional. As novidades se concentram no acabamento, no interior e em pequenos retoques visuais, enquanto a plataforma e o conjunto mecânico permanecem praticamente inalterados.
O lançamento também reforça a expectativa de que o Kwid brasileiro receba uma reestilização leve nos próximos meses. Durante os últimos flagras, unidades camufladas circulavam próximas ao complexo industrial da Renault, indicando alterações pontuais na dianteira, na traseira e na cabine. A expectativa é que a linha 2027 estreie no Brasil ainda em 2026, preservando a estratégia de baixo custo que fez do modelo um dos principais representantes da marca no segmento de entrada.
Visualmente, a Renault optou por preservar a identidade do Kwid. O hatch passa a adotar o novo logotipo bidimensional da fabricante, já utilizado em modelos como Kardian e Boreal, tanto na dianteira quanto na tampa do porta-malas. Também há uma nova grafia para o nome “Kwid”, acabamento plástico escurecido ao redor dos faróis e calotas redesenhadas para as rodas de aço de 14 polegadas.
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Os faróis divididos permanecem os mesmos, com luzes diurnas em LED na parte superior e projetores halógenos instalados no para-choque. Na traseira, as lanternas mantêm o formato externo, mas receberam um novo arranjo interno. Diferentemente do modelo brasileiro atual, a versão indiana continua sem iluminação em LED nas lanternas e, em algumas configurações, sequer oferece limpador e desembaçador do vidro traseiro.
Interior recebe as principais novidades
É na cabine que estão as mudanças mais perceptíveis. O Kwid passa a utilizar um novo volante de três raios, semelhante ao empregado no SUV Kiger vendido na Índia, agora equipado com comandos integrados para o sistema multimídia. A alteração elimina os tradicionais controles posicionados atrás do volante, solução adotada pela Renault há muitos anos e frequentemente criticada por ergonomia.
A central multimídia de 8 polegadas permanece, mas recebe uma nova moldura de acabamento. O sistema continua compatível com Android Auto e Apple CarPlay por conexão com fio. O painel de instrumentos segue parcialmente digital, enquanto ar-condicionado manual, vidros elétricos e bancos revestidos em tecido permanecem sem alterações significativas.
As dimensões também continuam iguais. O hatch mede 3,73 metros de comprimento, 2,42 metros de entre-eixos, 1,58 metro de largura, 1,47 metro de altura, mantém 184 mm de vão livre do solo e porta-malas de 279 litros, características que seguem favorecendo o uso urbano.

Na segurança, a Renault ampliou a oferta de equipamentos nas versões mais caras do mercado indiano. A configuração topo de linha passa a oferecer seis airbags, enquanto a versão de entrada continua equipada com dois airbags frontais. O pacote ainda inclui controle eletrônico de estabilidade, monitoramento da pressão dos pneus, câmera de ré, sensores de estacionamento, assistente de partida em rampas e acesso sem chave, dependendo da versão.
O que muda para o Kwid brasileiro
Sob o capô, não há novidades. O Kwid indiano continua equipado com motor 1.0 aspirado de três cilindros, calibrado para entregar 69 cv e 9,4 kgfm de torque, associado ao câmbio manual de cinco marchas ou ao automatizado AMT, disponível apenas naquele mercado. No Brasil, a tendência é que seja mantido o conhecido 1.0 flex, que gera até 71 cv e 10 kgfm de torque com etanol, sempre ligado à transmissão manual de cinco velocidades.
Os protótipos brasileiros indicam que a Renault seguirá praticamente a mesma receita apresentada na Índia. Além do novo emblema, já foram vistos exemplares com antena tipo barbatana no lugar da tradicional haste dianteira, novas rodas e alterações concentradas nas lanternas e no para-choque dianteiro. Ao contrário das especulações iniciais, o hatch não deverá adotar o visual inspirado no Kwid E-Tech, preservando a identidade da versão a combustão.
A atualização chega em um momento importante para o compacto. Próximo de completar uma década no mercado brasileiro, o Kwid segue como um dos modelos mais relevantes da Renault no segmento de entrada, disputando compradores principalmente com Fiat Mobi e Citroën C3. Ao apostar em melhorias pontuais, novos equipamentos e um interior mais moderno, a fabricante busca manter o hatch competitivo sem elevar significativamente seus custos de produção ou seu posicionamento de preço.











