A Hyundai prepara uma das suas investidas mais importantes no mercado chinês de veículos eletrificados com o lançamento do inédito Ioniq V. Desenvolvido especificamente para a China, o sedã combina design futurista, tecnologias locais e novas opções de propulsão para ajudar a marca a recuperar espaço no maior mercado de carros elétricos do planeta.
Mais do que um novo modelo, o Ioniq V simboliza uma mudança estratégica da fabricante sul-coreana. O projeto faz parte de um plano que prevê o lançamento de 20 veículos eletrificados na China nos próximos cinco anos, em uma tentativa de reverter a forte queda de participação da empresa diante do avanço das marcas chinesas.
Produzido pela Beijing Hyundai Motor Company, parceria formada entre Hyundai e BAIC, o sedã foi concebido dentro da filosofia “Na China, para a China e para o mundo”. A estratégia prevê que o veículo também seja exportado futuramente para mercados como Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina.
O visual chama atenção pela proposta retrô-futurista. Com carroceria baixa e alongada, perfil fastback, portas sem moldura, maçanetas embutidas e iluminação em LED ultrafina, o modelo inaugura a nova linguagem de design chamada “The Origin”, criada para diferenciar a próxima geração de elétricos da marca.

As dimensões reforçam sua proposta de sedã médio-grande. São 4,90 metros de comprimento e 2,90 metros de entre-eixos, medidas que o colocam acima do Sonata em espaço interno. A arquitetura elétrica permite melhor aproveitamento da cabine, ampliando o conforto para passageiros e bagagens.
O nome V não tem relação com o número romano cinco. Na verdade, deriva de Venus, conceito apresentado recentemente no Salão de Pequim e que serviu de base para o modelo de produção. Os protótipos e a versão final revelam poucas diferenças, mostrando a fidelidade da Hyundai ao projeto original.
No interior, a digitalização é praticamente total. O painel é dominado por uma enorme tela panorâmica de 27 polegadas com resolução 4K, responsável por concentrar instrumentos, multimídia e diversas funções do veículo. O ambiente ainda conta com projeção de informações no para-brisa, iluminação ambiente e sistema de áudio imersivo.
A cabine foi projetada para reduzir ao máximo os comandos físicos. Grande parte das funções pode ser acionada por voz através de uma assistente virtual avançada, enquanto o processador Snapdragon de última geração garante respostas rápidas e integração entre entretenimento, navegação e recursos do automóvel.
O conjunto tecnológico também evidencia a forte influência da indústria chinesa. O Ioniq V utiliza baterias da CATL, sistemas de computação da Qualcomm, soluções de inteligência artificial e processamento de dados da ByteDance e tecnologias de navegação desenvolvidas pela Baidu, criando um ecossistema totalmente conectado.
Na área de segurança e condução assistida, o modelo adota um pacote de nível 2+, desenvolvido pela empresa Momenta. O sistema oferece navegação assistida em rodovias, recursos avançados para circulação urbana e funções automatizadas de estacionamento, ampliando o nível de automação disponível ao motorista.
A plataforma é baseada na arquitetura modular E-GMP, já utilizada em outros modelos eletrificados do grupo, mas recebeu adaptações específicas para o mercado chinês. O sistema elétrico de 800 volts permite carregamento ultrarrápido e posiciona o sedã entre os projetos mais avançados da categoria.
A Hyundai confirmou versões totalmente elétricas e também variantes de autonomia estendida. Nessa configuração, um pequeno motor a combustão não movimenta as rodas, funcionando apenas como gerador para recarregar as baterias. A solução segue uma tendência que cresce rapidamente na China e já é utilizada por fabricantes locais de destaque.
Com autonomia superior a 600 quilômetros no ciclo chinês, motores de até 228 cavalos e uma combinação inédita de design, conectividade e eletrificação, o Ioniq V surge como peça central da reconstrução da Hyundai no país. O início das vendas está previsto para o último trimestre do ano e pode marcar uma nova fase para a marca no competitivo mercado chinês.











