Flagra revela Renault Boreal híbrido 4×4 em testes no Brasil; confira os detalhes

Renault Boreal híbrido é flagrado em testes no Brasil com novo sistema E-Tech de 48 volts e tração integral elétrica. SUV deve estrear em 2027 com cerca de 180 cv e foco em enfrentar rivais eletrificados

Antes de seguir a estratégia de eletrificação anunciada para o mercado brasileiro, o Renault Boreal ainda precisa consolidar sua posição em um dos segmentos mais disputados da indústria. Desde o lançamento, o SUV médio enfrenta concorrentes que já oferecem versões híbridas ou eletrificadas, cenário que levou a fabricante francesa a acelerar o desenvolvimento de uma nova motorização. Agora, os primeiros testes em rodovias brasileiras indicam que essa mudança está mais próxima de se tornar realidade.

Protótipos do Renault Boreal híbrido foram flagrados em testes pelo canal Carona com Adriel, com imagens divulgadas pelo Autos Segredos. A principal novidade está escondida sob uma estrutura metálica instalada na traseira do veículo, solução típica de veículos em desenvolvimento para acomodar equipamentos de medição e, principalmente, o conjunto elétrico que será responsável por estrear uma inédita tecnologia híbrida da Renault no Brasil. A expectativa é que o modelo chegue ao mercado no primeiro semestre de 2027.

Sistema híbrido aposta em tração integral sem eixo cardã

Ao contrário dos sistemas híbridos leves convencionais, que normalmente substituem apenas o alternador por um motor-gerador para auxiliar o propulsor a combustão, o Boreal utilizará uma arquitetura mais sofisticada. A tecnologia E-Tech Hybrid de 48 volts combinará o conhecido motor 1.3 TCe Flex com um motor elétrico instalado diretamente no eixo traseiro, eliminando a necessidade de um eixo cardã para oferecer tração integral sob demanda.

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Esse propulsor elétrico traseiro desenvolve 31 cv e 8,9 kgfm de torque e possui transmissão própria de duas marchas. Na prática, o sistema poderá alternar automaticamente entre tração dianteira, traseira ou integral conforme as condições de aderência e a demanda de potência. Em determinadas situações, também será possível desacoplar o motor a combustão, permitindo que o SUV entre no chamado modo “velejar”, reduzindo o consumo de combustível.

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Foto: Estoril

O conjunto continuará utilizando o motor 1.3 turbo flex, que entrega 163 cv com etanol e 156 cv com gasolina, ambos com 27,5 kgfm de torque. Com a assistência elétrica, a potência combinada deverá ficar próxima dos 180 cv, mantendo o câmbio automatizado de dupla embreagem (EDC) de seis marchas já utilizado nas versões atuais.

Além do ganho em desempenho, o novo sistema promete respostas mais rápidas nas retomadas, melhor capacidade de tração em pisos de baixa aderência e redução nas emissões de poluentes. A bateria de íons de lítio de 48 volts, com capacidade de 0,84 kWh, será recarregada pelas frenagens regenerativas e pelo próprio motor a combustão, dispensando carregamento externo.

A chegada dessa tecnologia já havia sido antecipada pela própria Renault. Em entrevista ao podcast CBN Autoesporte, Ariel Montenegro, presidente da Renault Geely Brasil, confirmou que o Boreal será o primeiro modelo nacional da marca a receber um sistema híbrido com funcionamento considerado “inovador”, embora, na ocasião, não tenha detalhado a arquitetura mecânica.

A estratégia acompanha uma mudança importante no mercado brasileiro. Rivais diretos como Toyota Corolla Cross, GWM Haval H6, BYD Song Pro, BYD Song Plus e Jeep Compass já oferecem algum nível de eletrificação, tornando praticamente obrigatória a evolução tecnológica do Boreal para permanecer competitivo na faixa entre R$ 180 mil e R$ 220 mil.

Os protótipos também indicam que as alterações visuais serão discretas. A tendência é que a Renault preserve praticamente todo o desenho externo do SUV, concentrando as mudanças na parte inferior da carroceria para acomodar o motor elétrico traseiro e reposicionar o sistema de escapamento. Externamente, apenas novos emblemas deverão identificar a versão eletrificada.

Na Europa, a Renault prepara ainda uma variante híbrida plena equipada com motor 1.8 eletrificado, mas essa configuração ainda não foi confirmada para o Brasil. Por enquanto, a prioridade da marca é lançar o Boreal equipado com o novo sistema híbrido leve de 48 volts, tecnologia que também deverá servir de base para futuros lançamentos nacionais, incluindo a futura picape Niagara.

O desempenho comercial do Renault Boreal ganhou força em 2026 e reforça a aposta da marca no segmento de SUVs médios. Em junho, o modelo alcançou 1.547 emplacamentos, seu melhor resultado desde o lançamento, com alta de 24,4% sobre maio, quando registrou 1.244 unidades.

No acumulado do ano, o utilitário já soma 6.323 veículos vendidos, consolidando uma trajetória de crescimento antes mesmo da chegada da aguardada versão híbrida. Se a nova motorização confirmar as expectativas, o Boreal tende a ampliar sua competitividade diante de rivais consolidados como Jeep Compass, BYD Song, GWM Haval H6 e Toyota Corolla Cross, em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro.

Josean Santos
SOBRE O AUTOR

Josean Santos

Josean Santos é estudante de Jornalismo, redator, colaborador e cofundador do Falando de Carros. Atua na produção de conteúdo digital desde 2008, com experiência em jornalismo, comunicação e criação de conteúdos para a internet, especialmente relacionados ao setor automotivo.Graduado em História pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e estudante de Jornalismo, possui trajetória profissional ligada ao trânsito, à mobilidade urbana e ao mercado automotivo. Desde 4 de setembro de 2012, atua como agente de trânsito em Picos, no Piauí, acumulando experiência prática em temas como legislação de trânsito, segurança viária e mobilidade.Ao longo da carreira, participou de projetos editoriais voltados ao universo dos veículos e já colaborou com sites especializados em automóveis. No Falando de Carros, contribui com a produção de notícias, análises e conteúdos informativos sobre lançamentos, preços, mercado automotivo e tendências do setor, unindo experiência prática, conhecimento técnico e apuração jornalística.