Em um mercado no qual muitos SUVs utilizam elementos aventureiros principalmente no visual, o GWM Tank 300 segue outro caminho. O modelo combina construção voltada ao uso fora de estrada, sistema híbrido plug-in de 394 cv e uma cabine sofisticada, tentando atender tanto quem enfrenta trilhas quanto quem pretende utilizá-lo diariamente na cidade.
Essa combinação é justamente o que diferencia o Tank 300 de boa parte dos SUVs eletrificados. O sistema híbrido não foi utilizado apenas para reduzir o consumo: o motor elétrico também participa de um conjunto desenvolvido para entregar desempenho e capacidade fora do asfalto.
Visual deixa clara a proposta
O Tank 300 não tenta esconder suas dimensões.
A carroceria alta, as linhas quadradas e os para-lamas pronunciados lembram utilitários tradicionais. Na dianteira, faróis em LED e uma grade de grandes dimensões reforçam a aparência robusta.
Na traseira, o estepe instalado externamente completa essa proposta.
Mas não se trata apenas de aparência. A arquitetura do veículo foi desenvolvida pensando em situações nas quais altura livre do solo, ângulos da carroceria e capacidade do sistema de tração realmente fazem diferença.
É justamente aí que começa a principal separação entre o Tank 300 e muitos SUVs urbanos.

Sistema híbrido entrega 394 cv
De acordo com as informações oficiais da GWM, o Tank 300 vendido no Brasil utiliza motor 2.0 turbo a gasolina combinado a um propulsor elétrico.
Juntos, eles entregam 394 cv de potência e 76,4 kgfm de torque.
| Item | GWM Tank 300 |
|---|---|
| Motor | 2.0 turbo + elétrico |
| Sistema | Híbrido plug-in |
| Potência combinada | 394 cv |
| Torque combinado | 76,4 kgfm |
| Câmbio | Automático de 9 marchas |
| Tração | 4×4 |
| Rodas | 18 polegadas |
Apesar do tamanho e do peso elevados, o desempenho é forte. De acordo com a fabricante, o Tank 300 acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos.
É um número incomum para um veículo construído prioritariamente pensando em robustez e capacidade fora de estrada.
Pode rodar somente com eletricidade
Segundo os dados oficiais da GWM, a bateria tem 37,1 kWh e permite que o Tank 300 realize parte dos deslocamentos sem utilizar diretamente o motor a combustão.
A autonomia elétrica divulgada varia conforme o ciclo de homologação utilizado. Por isso, é importante não tratar números obtidos em metodologias estrangeiras como se representassem necessariamente a autonomia reconhecida pelo Inmetro no Brasil.
Para quem possui carregador residencial, a lógica de utilização é semelhante à de outros híbridos plug-in: trajetos cotidianos podem aproveitar principalmente a bateria, enquanto o motor 2.0 permanece disponível para viagens e situações que exigem maior alcance.
O sistema admite recarga externa e amplia consideravelmente as possibilidades de utilização do conjunto eletrificado.
4×4 vai além do uso em estrada de terra
É fora do asfalto que o Tank 300 mostra uma de suas maiores diferenças.
O sistema Hi4-T mantém características mecânicas importantes para um veículo destinado a terrenos difíceis. O conjunto utiliza arquitetura longitudinal e sistema de tração integral preparado para distribuir força conforme as condições de aderência.
O SUV também conta com recursos de bloqueio de diferencial e diferentes modos de condução destinados a pisos de baixa aderência.
Isso permite enfrentar situações nas quais um SUV urbano com tração integral eletrônica poderia encontrar dificuldades.
Assistentes de descida e partida em rampas complementam o conjunto.
O resultado não transforma qualquer motorista em especialista em trilhas, mas oferece ferramentas mecânicas e eletrônicas realmente úteis quando o terreno fica complicado.
Suspensão busca equilibrar trilha e asfalto
Um veículo preparado para fora de estrada normalmente precisa fazer concessões no comportamento urbano.
No Tank 300, a GWM tentou reduzir esse compromisso.
As rodas de 18 polegadas permitem utilizar pneus com perfil adequado à proposta do veículo, enquanto a suspensão precisa conciliar curso suficiente para terrenos irregulares com estabilidade em rodovias.
Na cidade, o motorista continua percebendo que está conduzindo um utilitário grande e pesado. Não existe a mesma agilidade encontrada em SUVs menores construídos prioritariamente para o asfalto.
Em compensação, essa sensação de robustez faz parte da própria proposta do Tank.
Interior segue caminho oposto ao exterior
Se por fora o Tank 300 tenta parecer um utilitário clássico, por dentro a estratégia é diferente.
A cabine utiliza duas grandes telas, acabamento sofisticado e diversos recursos de conforto.
Os bancos dianteiros contam com ajustes elétricos e funções como ventilação e aquecimento. Há também iluminação ambiente, teto solar e diferentes possibilidades de configuração eletrônica.

A central multimídia oferece Android Auto e Apple CarPlay, enquanto o painel digital concentra as principais informações de condução.
O espaço traseiro também é bom para adultos, beneficiado pelas dimensões externas generosas.
Silêncio chama atenção para um off-road
O isolamento acústico é outro aspecto importante.
Um veículo alto, pesado e equipado com pneus voltados para diferentes tipos de piso poderia transmitir bastante ruído para a cabine. A GWM utiliza soluções específicas de isolamento para reduzir esse efeito.
Em deslocamentos realizados prioritariamente com o sistema elétrico, a ausência do funcionamento constante do motor 2.0 também contribui para uma experiência mais silenciosa.
Essa característica ajuda a explicar a personalidade dupla do Tank 300: visual e construção de utilitário tradicional, mas experiência interna próxima daquela encontrada em SUVs eletrificados mais sofisticados.
Segurança tem pacote amplo
O Tank 300 também utiliza eletrônica para facilitar a condução de um veículo de grandes dimensões.
O pacote inclui seis airbags, câmeras com visão 360 graus, sensores de estacionamento, monitoramento de ponto cego e diferentes sistemas de assistência ao motorista.
As câmeras são particularmente úteis em manobras urbanas e também podem ajudar fora de estrada, quando pedras, valetas ou obstáculos ficam fora do campo de visão direto do motorista.
Para um SUV desse tamanho, esses recursos deixam de ser apenas conveniência.
Porta-malas poderia aproveitar melhor o tamanho
Nem todas as dimensões externas se transformam em espaço para bagagem.
O porta-malas não está entre os maiores argumentos do Tank 300 considerando o tamanho da carroceria.
Os bancos traseiros podem ser rebatidos para aumentar a área disponível, mas famílias que viajam com muita bagagem devem observar esse ponto antes da compra.
Também existe uma consequência inevitável da proposta: trata-se de um veículo grande e pesado. Estacionamentos apertados e ruas estreitas não são seu ambiente mais confortável.
V2L amplia as possibilidades em viagens
Uma função interessante para o perfil aventureiro é o V2L, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos.
Em acampamentos, por exemplo, o sistema pode fornecer eletricidade para determinados aparelhos sem necessidade de um gerador independente.
É um daqueles equipamentos que provavelmente terá pouca utilidade para alguns proprietários, mas pode ser bastante conveniente justamente para quem pretende explorar a capacidade fora de estrada do veículo.
Tank 300 consegue unir duas propostas difíceis
O maior mérito do GWM Tank 300 está em não utilizar o estilo aventureiro apenas como elemento de design.
O modelo oferece 394 cv, sistema híbrido plug-in, tração 4×4, recursos específicos para terrenos difíceis e construção coerente com sua proposta off-road, ao mesmo tempo em que entrega uma cabine tecnológica e confortável.
Existem concessões. O peso é elevado, as dimensões complicam a utilização em espaços pequenos e o porta-malas poderia aproveitar melhor o porte externo.
Mesmo assim, o Tank 300 ocupa uma posição pouco comum no mercado brasileiro. Em vez de escolher entre um SUV eletrificado sofisticado e um utilitário preparado para enfrentar terrenos difíceis, ele tenta colocar as duas propostas no mesmo veículo.
