O Honda City Touring ocupa uma posição cada vez menos comum no mercado brasileiro. Enquanto os SUVs concentram boa parte das atenções, o sedã mantém uma receita tradicional: carroceria baixa, bom espaço interno, motor aspirado e foco em eficiência e facilidade de condução.
Depois de uma semana de convivência com o modelo, algumas características ficaram mais evidentes. O City agrada pela ergonomia, consumo e aproveitamento interno, mas também mostra limitações importantes, principalmente nas retomadas e no preço cobrado pela versão Touring.
Posição de dirigir é um dos pontos fortes
A ergonomia chama atenção logo nos primeiros quilômetros. O banco permite uma posição relativamente baixa, o volante oferece boa amplitude de regulagem e os principais comandos ficam em locais intuitivos.
Durante a avaliação, o City também mostrou respostas previsíveis nas mudanças de direção. A carroceria baixa contribui para uma sensação diferente da encontrada em SUVs compactos, principalmente em curvas e mudanças rápidas de trajetória.
Existe, porém, uma contrapartida. Em pisos deteriorados, parte das irregularidades chega à cabine com maior intensidade. O acerto transmite controle ao motorista, mas não isola completamente buracos, remendos e imperfeições comuns nas cidades brasileiras.

Motor 1.5 prioriza eficiência
Segundo as especificações divulgadas pela Honda, o City Touring utiliza motor 1.5 DI i-VTEC flex aspirado, com injeção direta, associado ao câmbio automático CVT.
O conjunto entrega 126 cv de potência e até 15,8 kgfm de torque, enquanto a transmissão permite a simulação de sete marchas.
Na cidade, o desempenho atende bem à proposta. O baixo peso do sedã ajuda nas saídas e o funcionamento do CVT favorece acelerações progressivas.
A diferença para um motor turbo fica mais evidente nas retomadas. Em ultrapassagens, especialmente com passageiros e bagagem, é necessário pressionar mais o acelerador e permitir que o motor trabalhe em rotações elevadas.
Não chega a ser um problema para a proposta do City, mas é uma característica que merece ser considerada por quem está saindo de um automóvel turbo.
Consumo é uma das principais vantagens
Eficiência continua sendo um argumento importante do conjunto 1.5 aspirado com CVT.
Segundo os dados de etiquetagem do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV/Inmetro), o Honda City Sedan com motor 1.5 e transmissão CVT registra 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com etanol. Abastecido com gasolina, os valores homologados são de 13,1 km/l no ciclo urbano e 15,2 km/l no rodoviário.
Os números homologados são a referência mais adequada para comparar o City com outros veículos submetidos ao mesmo procedimento. No uso cotidiano, trânsito, velocidade, carga, relevo, utilização do ar-condicionado e maneira de dirigir podem alterar o resultado.
Durante uma avaliação, portanto, uma média obtida pelo computador de bordo deve ser tratada como resultado daquele percurso e não como substituta dos números padronizados de homologação.
O tanque possui 44 litros, segundo a ficha técnica da fabricante. A eficiência do conjunto ajuda a compensar essa capacidade relativamente contida.
Espaço traseiro continua sendo um diferencial
O City aproveita bem suas dimensões externas.
Passageiros traseiros encontram boa área para pernas, enquanto a versão Touring oferece recursos úteis para quem utiliza regularmente a segunda fileira, incluindo saídas de ventilação e conexões para dispositivos eletrônicos.
O apoio de braço central melhora o conforto quando apenas duas pessoas ocupam o banco traseiro.
Outro argumento importante é o compartimento de bagagens. A capacidade informada pela Honda é de 519 litros, volume que reforça a utilização familiar e favorece viagens.
É justamente a combinação entre espaço para passageiros e porta-malas que ainda dá sentido à carroceria sedã diante da popularização dos SUVs compactos.

Cabine privilegia ergonomia
O interior não tenta competir pela maior tela do segmento.
A central multimídia oferece integração com Android Auto e Apple CarPlay, enquanto diferentes funções continuam acessíveis por comandos dedicados. Durante a convivência, essa disposição facilitou operações que precisam ser realizadas rapidamente.
O volante possui boa empunhadura e reúne controles de áudio, computador de bordo e sistemas de assistência.
A cabine combina áreas revestidas com superfícies de plástico rígido. A qualidade percebida é satisfatória, embora o preço da versão Touring possa fazer alguns compradores esperarem materiais mais sofisticados.
Entre os recursos de conveniência estão carregamento de smartphone por indução, Brake Hold, chave presencial e diferentes soluções para objetos pequenos.
Foto: CB MAR Comércio de Veículos
Honda Sensing reforça a segurança
A versão Touring também se destaca pelo pacote de assistência ao motorista.
O Honda Sensing reúne recursos como controle de cruzeiro adaptativo, sistema de frenagem para mitigação de colisões e assistências relacionadas à permanência em faixa.
O City também oferece airbags frontais, laterais e de cortina, além de controles eletrônicos de estabilidade e tração e assistente de partida em rampas.
Esses sistemas devem ser entendidos como auxiliares. O motorista continua responsável pela condução e precisa respeitar as condições e limitações de funcionamento indicadas pela Honda.
LaneWatch tem utilidade, mas também uma limitação
Um recurso característico da versão é o LaneWatch.
Ao acionar a seta para a direita, uma câmera instalada no retrovisor mostra na central multimídia a região lateral do veículo. O sistema amplia a visualização em determinadas situações, principalmente nas mudanças de faixa.
Durante a avaliação, entretanto, a qualidade da imagem não esteve entre os destaques da cabine. Há ainda uma questão prática: quando a imagem é exibida, ela ocupa a tela que poderia estar sendo utilizada para navegação.
É um exemplo de equipamento útil que não necessariamente substitui soluções mais modernas de monitoramento.
Preço coloca o City diante de uma escolha difícil
Com preço sugerido na região dos R$ 153 mil na data desta publicação, o City Touring enfrenta um problema que atinge praticamente todos os sedãs compactos mais equipados: a concorrência dos SUVs.
Por valores semelhantes, o consumidor encontra utilitários com posição de dirigir elevada e aparência que atualmente possui forte apelo comercial.
Por isso, comprar o City apenas pela quantidade de equipamentos talvez não seja suficiente. O modelo faz mais sentido para quem realmente valoriza as características de um sedã.
Para quem o City Touring ainda faz sentido
Depois de uma semana com o carro, seus argumentos ficaram bastante claros.
O City Touring se destaca pelo bom aproveitamento interno, porta-malas de 519 litros, eficiência, ergonomia e pacote Honda Sensing. A carroceria baixa também proporciona uma experiência de condução diferente da oferecida pela maioria dos SUVs compactos.
As limitações também precisam entrar na conta. O motor aspirado exige maior planejamento em algumas retomadas, determinados materiais internos são simples para o preço e o valor da versão Touring aproxima o City de outras categorias.
Para quem busca simplesmente a maior quantidade de equipamentos por real gasto, existem alternativas que merecem comparação. Para quem prefere um sedã espaçoso, econômico e com comportamento previsível, porém, o City Touring continua tendo uma proposta bastante definida — justamente em um mercado no qual esse tipo de carro está se tornando cada vez mais raro.
